São poucos os torcedores que reconheço como tais. Acho que, por ser uma torcedora assídua e apaixonada, não tenho muito saco pra quem se diz 'torcedor doente' (de qualquer time) só quando o time está bem no campeonato, ou só quando o adversário vai mal. Aos que não costumam me sacanear nas horas ruins, parabenizam nas horas boas e acompanham seus times, meu respeito total, sempre. Quanto ao resto, nem me venha com churumelas.
Tenho 24 anos e não, nunca vi meu time ser campeão. Por que me irrita quem diz 'finalmente, hein', 'agora só depois de 26 anos' etc? Porque 97% desses não é um torcedor como eu, ou nem entende muito de futebol (ou pelo menos não me demonstra), e por isso não sabe o sentimento que fica no peito quando um torcedor DE VERDADE passa pelo momento que eu passei antes de ontem, domingo, dia 5 de dezembro de 2010. Só por isso.
Sempre fui conhecida por duas coisas: o nome diferente e meu time. Morei fora do país e minha camisa tricolor foi comigo. As pessoas não sabiam que eu era do Rio, que tinha só 18 anos, que sei lá, meu sobrenome era Lessa. Mas sabia que eu era Tricolor. Viajo pelo país, e a camisa do Flu vai junto. Acompanho os jogos da maneira que posso: ao vivo, pela TV, trabalhando nos estádios, em estúdio, pelo celular. Eu sou tricolor e todo mundo sabe disso.
Foi através das dezenas de ligações e mensagens que venho recebendo desde domingo que parei de discutir pelas provocações alheias. No fundo, as pessoas sabem que eu sou torcedora como poucos de maneira geral, e como raríssimas mulheres que se jogam de cabeça quando o assunto é futebol. Adoro o esporte, trabalho com ele, mas domingo descobri que, antes de tudo, eu sou uma torcedora. E chorei, fiquei nervosa durante semanas, não dormi.
Claro que alguns (poucos) flamenguistas, palmeirenses, corintianos, vascaínos e sei lá, até botafoguenses sabem como é esse sentimento de realização, como se quem tivesse em campo fôssemos nós. Mas só quem é tricolor sabe o que é amar um argentino como se brasileiro fosse, sabe o que é pegar trem ou enfrentar o caos da distância pra sentir ao vivo o que ficou faltando na Libertadores de 2008. Só quem é TRICOLOR, que me desculpem os outros times.
Mas hoje, e até pelo menos o ano que vem, essa alegria do coração ninguém me tira.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
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