quinta-feira, 6 de abril de 2017

A página

A página precisa ser virada. Por quem fica e por quem ainda vem. A gente precisa deixar o que passou no seu devido lugar. Pelo nosso bem e sanidade. 

Museu é legal porque a gente sabe que aquilo não existe mais. Tem carinho, nostalgia, mas ninguém quer viver ali, no passado. Na vida é a mesma coisa.

Se acabou não foi por nada. A gente só esquece disso. Se apega aos momentos bons, e até os nem tão bons, mas que nossa memória afetiva faz questão de melhorar. 

A gente esquece o quanto foi pouco ou nada feliz. Apaga briga, transforma mágoa em magia, se convence que teve que passar por isso porque "faz parte".

Vira essa página. Aprende que não precisa de nada, que sofrer NÃO faz parte de amar e segue o jogo. Você ainda nem sabe que jogo, mas não é mais esse.

Vira a página e começa um novo parágrafo, um novo capítulo, se precisar, fecha esse livro sem um fim bonito e começa outro. Mas sai.

Às vezes a gente precisa sair da gente, pra achar a gente mesmo de novo. Ou um a gente novo.

Nina Lessa (2016/2017)

2016

Eu não queria dizer que ainda te amo. Não queria e não vou. Não interessa se estou mentindo pra mim mesma, ou querendo viver uma dor que não sinto. Eu não consigo sentir saudade porque só consigo enxergar a mentira que a gente foi. Fico entre o alívio de não doer e a tristeza de que nada do que eu sentia existiu além de no meu coração.

Eu queria acreditar que você me amou, mas só consigo ver seus olhos vazios em cada "eu te amo" pra dentro e em cada "eu também" de resposta. Queria aceitar que houve amor e que, um dia, acabou, mas só consigo me ver cada vez mais distante de tudo que já vivemos - ou que achei que vivemos. Das coisas boas e também das ruins. E não sei se isso é algo tão bom assim. 

Não queria sentir raiva de você por não ter sido nada. Não queria sentir raiva de mim por ter ficado, mesmo sentindo tudo isso. Porque eu sentia. No fundo, eu sentia. Fiquei me enganando até onde você não aguentou mais. Nem fui eu que joguei a toalha. Quão covarde? Quão esperançosa? Nunca vou saber. Nem você. 

Não quero te ver, mesmo sabendo que um dia vou acabar vendo. Não quero pensar nisso, mas quem disse que consigo? Projeto situações e reações, minhas e suas. Só de não querer, já quero; só de me esforçar pra não pensar já penso. Qual a solução pro que nem problema é? Como acabar com uma mágoa que não quero mais ter, mas insiste em doer? 

Queria te apagar. Não só de dentro de mim, mas da minha história, como se você não tivesse existido. Já que tudo que pensei que fomos não foi real, que você também não seja. Amém. E que (me) amem.

Nina Lessa (2016)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Devaneios (2016)

A gente não tem mais nada pra conversar. Não, eu não tenho raiva de você. Só não entendo por que tem que ter pingos nos "is". Você não quis assim? Não tem certeza do que sentia, ou do que já não sentia mais? Então não tem pingo. Eu já entendi e fui embora como você me pediu. Não te procurei e tentei facilitar ao máximo pra você. Nem precisava, mas contava que isso não deixaria brechas pra você vir me magoar de novo. 

Mas você veio. Pra que? Só te pedi isso: não me procure mais. Nunca mais. Não quero mensagem, ligação, nada. Não somos amigos, não força a barra. Se um dia formos, ok. Mas não é o caso. Não hoje. Então pra que, cara? Você viver a sua vida como quer e eu viver a minha não é o suficiente? O que mais você quer? Se sua consciência não está em dia, aí o problema não é meu. Conviva com as suas escolhas e atitudes, ué. Eu não convivo com as minhas? Nem tive escolha, mas tô indo bem. No mínimo, faça o mesmo. 

No mais, eu não vou te responder. Não importa o que você diga. Eu não caio mais. Já caí e me arrependi como nunca me arrependi de nada nessa vida. Então é isso, peguei o erro e transformei numa boa experiência de aprendizado. Talvez demore um pouco até que me encontre de novo, e aí me encaixe em outra vida. Não sei, na verdade. Mas isso não te interessa mais. De você eu só quero distância. E sumiço.

Nina Lessa (2016)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Você vê que é hora

Você vê que é hora de largar a toalha quando a luta tá mais sangrenta do que suada. Porque não precisa estar fácil; porque às vezes a gente sangra mesmo, faz parte. Mas não é pra ter hemorragia. Se tiver, é emergência. E a intervenção só pode ser durante o sangramento. Depois é cura. Não pode mais ser luta. Aí você deixa o ringue.

Você vê que é hora de largar o osso quando nem sente mais o gosto da carne. Às vezes demora pra notar porque o gosto já ficou no paladar. A gente se acostuma ao que já foi bom, ao que existia. Porque com o tempo, muda, mas continua existindo. Continua sendo bom, mesmo que de outra forma. Mas só o osso? Sem nem sinal da carne? Larga.

Você vê que é hora de ir embora quando sua presença já não é mais esperada. Quando não tem ansiedade, sorriso ou novidade pra contar. Vê que é a hora quando a vontade já não é visível nem sentida. Quando não se sente mais querido, é só um amigo, ou talvez nem isso. Sai. Vai.

Você vê que é hora de fechar a porta quando o lado de dentro nem se mexe. Não faz mais questão. Porque já não faz diferença. E não quer que faça. Você percebe que a vontade de não ir é mão única, e faz dessa falta de reciprocidade uma vontade ainda maior de fechar e deixar a chave por baixo da porta - porque você não vai mais voltar.

Você vê que é hora de não olhar pra trás quando vê que a toalha ficou lá mesmo. O osso, também. Você foi embora e não teve pedido pra voltar. A porta não abriu, a chave não foi devolvida. É hora de não olhar pra trás porque não é lá que está a sua vida. Não mais. É hora do foco, da força e quem sabe da fé de onde quer que esteja sua auto estima: você vê que é hora de largar o que já não é amor.

Nina Lessa (2016)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Como hoje

Não é que eu não te ame. É claro que eu amo. Mas e daí, se não dá certo? A gente não consegue; a gente não se aguenta. Mas ao mesmo tempo se completa tanto, mas tanto. E é esse tanto que me atormenta. Nesses dias que cansei de fingir que não. Nessas horas de "será que ainda dá tempo de ligar?", como hoje. 

Só que volta o "ligar pra que", e me pergunto se não é mesmo melhor assim. Lembro que já passei por isso antes, e que todos esses questionamentos passam. Que a paixão passa e talvez até o amor. Tenho só que esperar. Não sei até quando, nem o quanto ainda vai doer, mas só me questiono em dias como hoje.

Espero com a ansiedade de quem quer que acabe logo, ou que não precise acabar: você vai perceber que me ama, pelo amor de Deus, como foi que não viu antes? Vai aparecer aqui em casa e me levar embora, pra sempre. Aí eu lembro que você já fez isso, e eu fui. Mas aí você viu que não era bem assim. Mas hoje...

A razão deixa a gente pisando no chão, e aí a gente lembra que pisaram no que a gente sente, no que a gente sonha. E não tem razão perdida, mesmo em dias como hoje, que me deixe sair do bom senso, do amor próprio de saber que amor é coisa que não se explica e cada um sabe do seu, mas sabe? Hoje eu sei que talvez não seja amor, e sim saudade.

E saudade eu sei que passa. 
Dá, mas passa.

Vou passar um café, pra passar mais rápido. 
Até voltar.

E quando voltar, que já esteja outro amor por aqui.

Nina Lessa

sábado, 16 de janeiro de 2016

Trinta? Trinta!

Eu vou fazer 30 anos. Já digo que tenho 30 desde os 28. Quis me acostumar à ideia, ao fantasma que tanta gente gosta de pintar. Que merda envelhecer, o corpo muda, já não temos mais disposição, poxa vida, ah, meus 20 anos, minha juventude, corpos sarados etc.

Eu ainda não fiz 30, é verdade, mas tá quase. E olha, ainda não achei a disposição no ralo, não. Continuo bem disposta, eu só preciso me alimentar bem, ter bons hábitos e colocar a qualidade na frente - a qualidade do sono, das comidas e da cerveja.

Gostei de ter 20 anos, gente, é legal ser adolescente, colégio, depois fazer faculdade, ser estagiário. Mas eu adoro ter crescido e fazer parte do mercado de trabalho, ver como melhorei e o quanto aprendi. Não vou dizer que é melhor, mas sabe: é quase melhor, sim.

Amei ter feito mil amigos, continuo fazendo amizades, aliás. Adoro quem chegou na minha vida desde a infância, desde depois, desde quase agora. A vida é feita de conhecer e manter as pessoas que você mais gosta por perto. Aos 10, 20, 30 e 70 anos. Sabiam?

Era muito legal beber todas aos 20 anos e continua sendo aos quase 30, só que agora a gente pode escolher as melhores cervejas, os melhores restaurantes, os melhores lugares. Talvez não sempre, mas pode. A gente agora prefere vinhos bons, no lugar dos mais baratos.

Ter 30 anos é ter conhecimento de quem somos e do que queremos. Ainda melhor, é não ter vergonha de reconhecer quando erramos. "É, eu fiz merda, mas paciência, pago as contas e ninguém tem nada com isso". Com 30 a gente ri mais dos erros, estressa menos com tão pouco.

Era mais fácil emagrecer com 20 anos, mas com 30, a gente pode pagar academias bem melhores e até o personal que sempre quis, mas não tinha como bancar com salário de estagiário. Com 30 a gente come salada por opção, e pode pagar o Outback quando quiser, também.

Trintar é muito mais legal quando a gente entende que envelhecer só é ruim quando você não sabe aproveitar tudo que tem. Porque se você curtiu o máximo possível ter 20, não vai ser diferente na década seguinte. E pode até ser melhor.

Nina Lessa

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ano novo, não: você novo

Sempre fui contra começar dieta na segunda-feira. Tem que começar no dia que você pensar 'cara, preciso mudar minha alimentação, tô gordo/magro demais, chega'. Mesma coisa academia, quando estiver sem fôlego ou dormindo mal, mesmo se for na quarta-feira, levanta e vai malhar. Foda-se que tá na metade da semana, vai sábado, academia abre domingo, se vira!

Isso sempre funcionou comigo, cansei de lembrar das dietas que resolvi voltar na quinta, academia que fui terça porque segunda não queria, mas acordei depois no maior pique e problema meu, fui malhar e consegui levar assim por meses. Nada precisa ser na segunda-feira, no dia 1º, de manhã. Tem que ser quando você quiser, porque é quando você quiser que a coisa funciona.

O ano acabou ontem, mas só pro calendário ele começa hoje. O meu, por exemplo, começou quando comecei um emprego novo, que eu queria tanto. Depois ele começou de novo quando voltei o namoro. Minha irmã começou o ano dela quando conheceu o namorado, depois quando entregou a monografia. Acabou um ano e começou outro no mesmo dia, veja só.

Minha mãe terminou o ano quando resolveu emagrecer, e tá linda, comendo bem, se amando, mas foi em novembro. E tudo bem, sabe? Aliás, tudo ótimo. Minha sensação de tranquilidade hoje, dia 1 de janeiro, trabalhando desde o meio dia e perdendo a praia pra estar trabalhando no emprego que eu tanto quis tá maravilhosa. Tem que ser assim: a gente querendo. A gente escolhendo.

A mudança tá na gente, se a gente quiser mudar. Meu ano de 2015 fodeu meu coração. Eu sofri, chorei, pedi colo de mamãe. Fui trouxa, passei por momentos na minha família que não desejo pra ninguém. Senti saudades, chorei, sofri calada, também. Aprendi demais no trabalho, onde me estressei, dei risada, fiz merda e tive minhas glórias. 2016 vai me trazer as mesmas coisas, só que outras, só que novas.

Gabriel, aquele Pensador, uma vez cantou 'muda, que quando a gente muda, o mundo muda com a gente'. E é verdade, cara. Eu não teria nada disso se não mudasse, se não crescesse, se não amadurecesse. Não tenha vergonha de reconhecer os erros, de pedir desculpa, de sofrer. Seja trouxa, reconheça e siga em frente, porque um dia você vai lembrar e rir disso, porque as coisas passam.

Feliz você novo!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

É amor, sim

Gente, vocês sabem que inventam relações e felicidades que nunca existiram, né? Amores eternos de quando fomos jovens e que achamos que nunca vamos esquecer. Quem nunca, né?! Normal. Mas achar que nunca mais vai amar porque não sofre o mesmo que anteriormente, com sei lá, 15 a 20 anos? Para. Sério.

Quando eu tinha 21 anos, sofri que nem uma ameba sem pai nem mãe. Vi meu ex com outra e pensei que fosse morrer. Aí eu me apaixonei de novo, e anos depois sofri de novo, e de fato pensei que ia morrer, mas por menos tempo. Porque eu sabia que não ia morrer e que ia passar. Aí me apaixonei de novo. E de novo.

A gente vai amadurecendo, é isso que chama. Não quer dizer que não ama mais, ou não ama tanto, ou não ama pra sempre. Quer dizer que a gente tem emprego, família, contas pra pagar. As coisas existem, o mundo não para porque estamos sofrendo, sabe? Uma hora a gente se dá conta disso. Eu, você, todo mundo.

Você casou, namorou por anos, na vida. É ÓBVIO que nos apaixonamos por todos os nossos ex e fomos felizes. Só que, quanto mais velhos, mais sabemos sobre a vida. Não quer dizer que não tenhamos amado a/o namoradinha/o de anos atrás, só que mais novo a gente tem essa impressão mega errada de que nunca amou tanto quanto aos 15.

Eu já achei que sentia menos, ou não sentia mais. Mas quase 10 anos depois, eu vi um ex com outra, de novo. E ok. Porque é escroto? É. Dói? Dói. Mas ninguém morre por isso. Eu não morri, você também não vai. Aprende isso, fica de boas e segue a vida. Tá cheio de amor por aí pra você curtir, é só entender que não tem que sofrer pra ser amor.

Nina Lessa (novembro/2015)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Não nos somos

Talvez a gente não seja um pro outro. Vejo em você coisas maravilhosas, mas não comigo, não na minha rotina. E sei que você me olha e admira, nutre esse amor que diz sentir, mas não me ama como pra caminhar do seu lado. Pra talvez olhar às vezes, quando eu estiver marcada em alguma foto de amigos em comum. Você vai me ver e ficar feliz por eu estar bem. Possivelmente melhor do que estive com você. 

E eu vou ver que você mudou os planos e eu realmente estava certa, aquela vida não fazia sentido e você precisava mudar. Que bom que tudo deu certo, vou pensar quando me contarem que você vai ser papai de novo, que virou vegetariano, que largou o cigarro. E vai ser sincero, porque o amor é genuíno, eu também amo você, mas nos amamos de longe. A gente se ama bem melhor assim.

Mas não, a gente não vai ser amigo,  porque a nossa auto estima é em dia, só que não é estável. Alguns dias dois beijinhos na face serão mole, se esbarrar no shopping. Mas tem dia que vai ser um abraço meio sem jeito na festa do filho da prima do conhecido e que merda, estragou meu sábado. Então mantenhamos a distância segura, onde eu sei que você não me magoa mais, não se eu não deixar.

Foi ótimo enquanto durou, um dia vou dizer com a tranquilidade com que falo de quem veio antes de você. Sem temer esbarrar porque já não fará a menor diferença. É só uma questão de tempo - e daquele amor da minha vida que eu pensei que era você ir embora de vez. Mas o alívio de saber que não era, e por isso nos deixamos, já tá aqui. Pelo menos, né? Então me ajuda e deixa o visualizado e não respondido quieto. Um dia, já não vai importar mais. 

Nina Lessa (novembro/2015)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cheia

Fiquei cheia. Cheia de esperar pela sua recíproca em cada carinho que te dei, em cada elogio que te fiz, cada vez que tive que puxar sua mão pra gente andar junto na rua. Fiquei cheia de encher o saco de tudo isso

Fiquei cheia de fazer charme pra ver se você notava algum sinal. Cheia de fazer jogo pra te trazer mais perto fingindo te colocar mais longe. Não gosto disso, mas nada mais funcionava. Tentei, não deu certo, fiquei cheia.

Cheia de errar tentando tanto, tentando de tudo. Fiquei cheia de te falar as coisas que eu tentava mostra com atitudes, porque você não notava. Aí eu dizia, eu fazia, eu mandava sinais. E você nada.

Fiquei cheia e então eu comecei a brigar pra você me entender. Discuti, lutei contra a muralha que você tinha. Eu derrubei a barreira, e quando cheguei do outro lado, você fugiu pra ainda mais longe. E eu fiquei.

Eu tinha os dois lados da muralha, e você foi pra outra nova, que você construiu. Eu olhei. Você foi colocando as pedras, e me contando. E eu olhando. Eu não saí do meu lugar. Nem antes, nem agora. Sem acreditar.

Eu não quero acreditar que derrubei, mas não adiantou nada. Eu me sinto impotente, fraca, inútil. Forte, derrubei tudo brigando por você. Mas não adiantou. Você quer mais. Você quer o que eu não posso dar: meu jeito.

Hoje, eu voltei a ser eu. Não que eu fosse outra pessoa com você. Não, era sempre eu. Mas uma "eu" de quem nunca gostei, por mais que tentasse. Essa eu de hoje é a minha essência, a minha alma mais pura, mais aberta.

Eu sou bem fodida, sabe? Faço um monte de merda. Mas eu sou legal, também. Eu amo meus defeitos, todos eles - até ainda te amar. Até minha demora pra esquecer eu amo. Porque sou eu. E eu, não sou pra você. Que pena. Que bom. Não sei. Mas sou eu. Ufa.
 
Nina Lessa (Outubro/2015) 

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