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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Casa quando?

Eu tinha até esquecido de escrever sobre isso, mas claro que as pessoas voltam nessa questão, deixando-me novamente sem entender absolutamente nada: por que todos que não me vêm há 2, 3 anos (ou pessoa qualquer, sem parâmetro definido) perguntam quando eu me caso? Estou ficando velha aos 24 anos? Até onde sei, ainda se pode ser solteira com essa idade no século XXI. Ou não? Confesso que não encontro explicação plausível e qualquer comentário que me ajude nessa questão é MUITO bem-vindo.

Acho que o questionamento começou esse ano, se não me engano. Quando o décimo cidadão me veio com essa pergunta, cansei de não entender e deixar pra lá para começar a ficar preocupada. Estou com cara de mulher desesperada para vestir branco, ter minha própria casa, ser mãe? Porque nunca, que eu me lembre, coloquei em pauta o assunto 'meu sonho é casar', ou 'queria muito um filho ontem'. Nunca. Então me veio a questão da idade: 24 anos deve ser o grito 'MEU DEUS, ME ARRUMEM UM MARIDO' e só eu não devo estar sabendo.

Mas ninguém, até hoje, mencionou a idade como motivo da pergunta. Algumas pessoas disseram que 'estou sempre namorando'. Hum. Sempre fico, no mínimo, um ano solteira entre uma relação e outra, e tive umas três relações 'sérias'. Isso é 'estar sempre namorando'? Permaneci sem entender esses padrões loucos que as pessoas taxam o 'nunca' e o 'sempre'. O povo costuma passar anos sem assumir um compromisso, mas está ficando com 5.698 pessoas ao mesmo tempo, uma atrás da outra, de uma vez só. É o título de solteira que conta? Deve ser.

Outros alegaram que meus namoros duram muito. O que seria essa definição de 'muito'? 7 meses um cidadão, 1 ano, 9 meses e uma semana outro e 1 ano, 9 meses e 15 dias o atual? ISSO É MUITO? Isso é um passo para o casamento? Porque se for, estou com medo de não me divorciar nos primeiros cinco anos de casada e ficar com fama de carola ou qualquer coisa parecida. O que ocorre com o mundo, que vem achando milagre da natureza, algo sobre-humano, uma pessoa possuir uma relação estável de, sei lá, DOIS meses?

Não sei o que se passa na cabeça das pessoas, mas honestamente não estou nem aí, tanto que havia esquecido de escrever sobre os que me querem casada amanhã. A vida é minha e se eu fosse seguir um décimo dos conselhos que ouço, me dá até medo do que eu seria, ou de onde estaria. Porém, confesso que me surpreendo com esses tipos de pensamentos, sabe? A não ser que haja uma outra explicação por trás disso tudo, e eu é que não descobri porque não li nas entrelinhas.

Você leu? Então me conta.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ou comprar uma bicicleta?

Chega uma hora que empurrar com a barriga simplesmente não funciona mais. A vida te coloca na parede e quer saber se você vai casar ou comprar uma bicicleta. Ninguém precisa te puxar num canto e de fato te perguntar isso, nem sempre o momento de uma decisão ser feita vem em forma de palavras, ultimatos ou beiradas de precipícios. Mas a gente entende, da forma que elas vem. Pode até passar um tempo achando que ludibriar o pulo pra um dos lados do muro vai funcionar pra sempre, mas vai enganar quem? Uma hora o lado precisa ser explorado, e de cima da mureta tem muita coisa que não dá pra ver.

Por mais que você conheça centenas de vantagens e quase todas as desvantagens de casar, e por isso acha que essa pode ser a escolha acertada, ainda assim você questiona se com você as coisas não podem sair diferente. Vai que você foge à regra? E se isso não for pra você e sua felicidade estar em sair pedalando uma bicicleta por aí afora? Você coleciona dúvidas, junto com todas as certezas que vem observando de cima do muro. Do alto, ainda consegue ter o melhor das duas coisas, mesmo que superficial. Por enquanto tá valendo, desde que o pior também seja só um pouco.

Mas um dia você escova os dentes e se olha no espelho. Sofre, mas só você sabe como dói a indecisão, ou o peso de saber a escolha certa mas faltar coragem pra toma-la. E não é nem o medo de se arrepender, de talvez estar sendo precipitado demais - no fundo você sabe que foram muitas observações, o suficiente para estar pronto para o que te espera, quando as escolhas forem feitas. Não é medo de pular do muro, é medo da dor da queda. Porque sempre dói, nos primeiros dias, talvez nos primeiros meses. Depois, a dor vira só psicológica, e é dessa que você foge.

Porque você sempre quis casar, mas no fundo nunca sonhou mesmo com isso, e bicicleta pra que, se nunca soube andar? A escolha certa você sabe qual é. Sabe que a queda dói, mas que passa. Sabe que o dia de amanhã é uma incógnita, afinal você se imaginava aqui, há dois, três anos atrás, quando aquela moça do RH daquela empresa te perguntou onde você se via mais na frente? Pois é. Você não sabia, nem sonhava que seria aqui. Porque sei lá, Nina, vai que no verão você aprende a andar de bicicleta em Paquetá?