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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Talvez

Talvez estejamos certos e realmente tentar ficar junto já não era viável. Mas talvez a gente tenha desistido cedo demais.


Talvez eu tenha descontado em você coisas que não deveria. Mas talvez ter ficado mais exigente não tenha sido ruim.


Talvez você tenha apostado em mim menos fichas do que eu merecia. Mas talvez eu não tenha lhe parecido valer a pena.


Talvez tenhamos errado desde o começo, que foi tão rápido. Mas talvez não teríamos nos feito tão bem, tão felizes, tão o tanto que fomos.


Talvez eu esteja tentando me convencer de um futuro melhor. Mas talvez o futuro dependa exatamente desse presente aqui.


Talvez você esteja alimentando uma raiva que não existe. Mas talvez eu esteja te provocando isso, mesmo sem querer.


Talvez estejamos errados e que perda de tempo, tanto texto que você nem lê. Mas talvez você leia, e eu não sei.


Talvez eu tenha projetado em você uma coisa que você nunca seria. Mas talvez você seria, e eu nunca vou saber.


Talvez você se arrependa de não ter me deixado te fazer feliz. Mas talvez eu não seja tudo aquilo que você achava.


Talvez nos achemos felizes assim, como estamos, separados. Mas talvez você também continue pensando em mim.


Talvez eu esteja exagerando e um dia vou dar risada de tudo isso. Mas talvez eu ainda me arrependa dessa escolha.


Talvez você quisesse mesmo que eu fosse embora. Mas talvez você tenha me esperado voltar, e eu não voltei.


Talvez você encontre o amor da sua vida em outra pessoa, e eu também. Mas talvez já tenhamos encontrado.


Talvez.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não amar é lindo

O amor é lindo, mas não amar também é. Quando uma relação acaba, mas o amor continua, o que a gente mais espera é pelo dia desse sentimento sumir. Já não dá mais para ir e voltar um namoro acabado. As brigas são mais comuns que os beijos e fazer as pazes não tem a mesma graça de antes. A vontade de estar junto não supera a falta de confiança e vive-se um inferno, aquilo que deveria ser a coisa mais esperada do dia. Espera-se pelo fim do amor.


E demora. Qualquer sentimento que é forte, que criou raízes e construiu histórias, demora para finalmente acabar. A esperança de que as coisas vão se acertar é a última a morrer, antes do amor. Esperamos que tudo mude e que já não era sem tempo de acharmos o amor da nossa vida. Esperamos uma ou outra cena de filme acontecer na vida real; as palavras certas e pronto: ainda amar vai ter algum propósito. Mas não acontece nada disso. Que o amor acabe, então.


Não amar é lindo, tanto quanto quando o amor acontece. Amar tem que ser correspondido, de todas as formas. Tem que fazer sentido, mais do que trazer dúvidas. Senão, é mais pacífico e menos doloroso quando não há amor. E o amor fica todo do lado de dentro. É de lá que vem a sensação de fracasso quando vemos que não deu certo, mas é de lá também que vem o sorriso de alívio quando percebemos que passou.


O amor é lindo enquanto nos faz feliz. Quando não amar começa a fazer sentido, não tem satisfação maior do que a ausência de sentimento. É quando o coração fica completamente vazio que conseguimos respirar fundo e buscar coragem para escrever uma nova parte da nossa história.



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mal Resolvido

Se você diz aos quatro ventos que nunca teve um relacionamento mal resolvido, ou você tem 12 anos ou mente. Simples assim. Não, não é nenhuma dádiva ter vivido uma história esquisita e mal terminada, aliás é como ter uma relação com beijo na boca - praticamente uma regra. Mas é preciso admitir essa dificuldade, esse passo que não foi dado e deixou uma ferida imensa, que por menor que pareça, todo mundo sabe que está ali, aberta e sangrando, mesmo que vez ou outra, quando você lembra de tirar a casquinha. Porque a gente sempre tira essa maldita casquinha. E ela não cicatriza nunca.


A durabilidade dessas situações mal resolvidas podem variar de meses a anos, e não tem coisa mais comum do que isso virar uma constante. Sim, as pessoas levam consigo uma imensidão de conversas que não foram concluídas, abraços que quiseram dar e não deram, palavras que ficaram na boca, mas não saíram da garganta. São milhões, talvez bilhões o número de casais que ainda têm alguma ligação com o passado e com quem já passou e nunca mais voltou; alguma porta que ficou aberta, alguma janelinha que mantém a frecha aberta, porque vai que... Ninguém nunca sabe o dia de amanhã.


Quando se trata de relacionamento, não existem situações completamente seguras, certas ou transparentes. A gente nunca sabe exatamente o que o outro pensa ou o que faz, ou fez. A história é de cada um, e só nos cabe mesmo confiar e pronto, vida que segue. Pensamos nas coisas que prendem nosso parceiro a algum lugar no passado, a algum retrato jogado na gaveta, assim como nós mesmos temos um pedacinho da gente dentro das agendas de papel, numa mensagem escondida nos rascunhos de e-mail, ou somente num pedaço da nossa memória. Pensar enlouquece.


Não dá pra resolver tudo. Palavras continuarão sem serem ouvidas, diversos 'eu te amo' vão ter que ficar pra próxima. Tudo isso, muitas vezes, a gente tem que resolver dentro da gente mesmo. Colocar nosso pensamento para conversar com o nosso sentimento é uma das coisas mais ridículas, difíceis e importantes que devemos fazer pra conseguir fechar as portas, pra conseguir ser feliz com a gente mesmo, independente do que pode vir ou não num futuro próximo ou distante. As portas precisam ser fechadas, senão dormir em paz vira uma utopia.


Mas volte quantas vezes você achar que deve voltar, até fechar todas as feridas. Arrisque e diga, repita todas as coisas que você acha que ficou por dizer. Viva momentos que ficaram só na imaginação, beije com aquele medo de perder de novo, escreva bilhetes, mensagens, cartas de amor - e, dessa vez, mande todas. Grite 'eu te amo', chore tudo que você prendeu em mesas de bar. Coloca pra fora tudo que veio engolindo, porque quando mesmo depois de tudo, você conseguir enxergar que não dá mais, o alívio vem: você tentou.

domingo, 26 de junho de 2011

Ficar sozinho

Sempre que terminamos um relacionamento, um dos conselhos unânimes é para ficarmos um tempo sozinhos. Aquela velha história de nos conhecermos melhor e darmos um período para nós mesmos nos acostumarmos com a fase nova. Nunca tinha concordado com nada disso, a não ser pelo fato de se envolver logo com outra pessoa, ou engatar uma relação em outra - essa teoria eu carrego e levo na prática. Mas passar um tempo sozinho nunca fez sentido até hoje, quando pela primeira vez em um mês, eu fiquei realmente sozinha. Por dentro e por fora.

Ficar sozinho é triste, mas algo que temos que saber fazer. Sempre falei que gosto de ser sozinha, e gosto mesmo, mas nunca deixo claro que "sozinha" é não ter que dar satisfações a ninguém. Fazer o que quero, quando quero e com quem quero. Mas isso não estar sozinho: isso é não estar em uma relação. Estar sozinho é outra coisa. É conversar com dezenas de pessoas, trocar ideias e opiniões, e no fim das contas, quando você perceber o vazio nisso, é simplesmente se pegar pensando nos momentos em que você não era tão sozinho assim.

Solidão é tão triste quanto verdade, e tão doída quanto necessária. É estando sozinho que a gente consegue pensar no que quer e não quer, talvez para ajudar na hora de tomar alguma decisão e evitar uma burrada, ou talvez para conseguir respirar fundo e ir em frente, sabendo que burradas acontecem e mesmo tendo um período sabático imenso, quando surgem situações em que é o sentimento quem manda no lugar da mente, ter pensado e repensado simplesmente não vai ter passado de solidão e ponto final.

Acho que essa ambiguidade toda é que estava me assustando, e por isso evitei o quanto pude o momento de ficar sozinha. Hoje, me olhei no espelho e não sei como a satisfação conseguiu vencer a felicidade. Há exatos três anos atrás, ouvi que isso era possível e não entendi, mas o mundo deu voltas e cá estou, pensando e não pensando, querendo e não querendo, evitando e estando aqui, no lugar onde sempre estive e de onde, por mais que não pareça, não pretendo sair. Ao menos não por enquanto.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fingir que tá tudo bem

Não importa quanto tempo tenha durado uma relação. Não importa também de que maneira ela terminou, nem quanto tempo tem que esse fim aconteceu. Não interessa se você deixou de amar aquela pessoa durante o relacionamento, ou se foi ela quem o fez  primeiro; aliás nem importa se nada disso aconteceu e tudo acabou em briga, ou em paz. Não importa. Superar um amor (por menos dor que esse amor tenha trazido) nunca será tarefa fácil. Pode ser que ela se torne mais amena e menos dramática com o tempo (ou com a quantidade de amores que você tenha tido que superar na vida, o que acontecer primeiro), porém jamais será algo normal, corriqueiro.

Concordo com Cazuza, quando ele questiona "pra que fingir, dizer que perdoou, tentar ficar amigos sem rancor". Pois é, pra que? Você pode guardar um carinho eterno pelo seu ex-companheiro, pode até amá-lo pelo simples fato dele ter feito parte da sua vida, ter passado por muita com você e vice-versa, mas amigos? Amigos de verdade, sério? Claro que conheço ex-casais que se dizem felizes e levando a amizade entre eles numa boa, e não desconfio que haja boa intenção nisso, só que eu não entendo. Como esquecer tanta coisa, esconder tanta história em um "oi" despretensioso? Não sei fazer isso, que me desculpem os que tiram isso de letra.

Não estou falando de relação vazias ou sem rotina, sem intimidade ou títulos (sim, aquela coisa antiga e de outra década, chamada 'namoro', lembra?). Sei que a modernidade de 2011 nos traz uma infinidade de relações sem compromisso, sem cobranças, sem regras e que ninguém sabe bem como agir. Falar disso é tão vago e impreciso quanto discutir futebol numa roda de amigos bêbados. Falo de, no mínimo, namoro, quando se tem uma certa rotina, onde se conhece o terreno e não se pisa em ovos. Depois que você tem a intimidade de uma pessoa, voltar atrás me é incompreensível. Aceitável, mas esquisito.

Os passos que são dados para longe da vida com a pessoa quando o relacionamento termina são necessários. Você se afasta, evita os encontros na medida do possível e vai levando os dias até que as coisas voltem a ser como eram, ou começa algo novo, qualquer que seja a solução que você tenha encontrado para seguir sozinho. Um dia, você vai acabar esbarrando, não tem muito jeito. Mas até lá, tudo bem cumprimentar cordialmente, porque aí, de fato, as coisas já vão estar bem, sem que se force barra alguma, sem que o mal-estar seja maior que a educação. Eu só acho que ainda é cedo.

Inspiração direta: http://copodecachaca.blogspot.com/2011/06/fala-com-minha-mao.html

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Recomeço


Meus parabéns a você que consegue começar um relacionamento sem levar bagagem do último que teve. Se eu fosse você, abriria uma curso de uma semana, ensinando passo-a-passo dessa magia sobrehumana, cobraria uma fortuna e viraria guru sentimental das estrelas. Se, como eu, você é um mero mortal que luta quase que arduamente contra esse defeito cretino, bem-vindo ao clube e nos unamos contra esse mal.

Começar de novo já é algo que demanda tempo. Você demora um período (que ninguém sabe dizer quanto, mas coloca aí umas semanas) para limpar sua vida dos resquícios que os anos passados deixaram. Objetos, comentários de terceiros, lembranças e sentimentos são varridos e depois passado pano por cima, com direito a desinfetante Veja. Mas o produto deixa o cheiro de que houve a limpeza...

É quando os dias voltam ao normal que o recomeço pode começar a chegar, deixando as malas no canto e se servindo do café. Ele vai ficando, deixa a sala e entra no quarto. Abre a gaveta e bom... Ainda tem umas bagagens ali dentro do armário. O recomeço insiste, e certo está ele, quando diz que é preciso esvaziar e jogar o velho fora, senão as coisas não cabem mais. Você sabe que ele está certo, mas daí para conseguir jogar fora... mais tempo.

É difícil saber o que fica e o que vai. O que é bagagem e o que é suvenir? Lembranças ficam, o que virou lição também cabe. Mas o mal resolvido, aquele embrulho enorme que ficou tanto tempo no seu estômago, no seu armário, ele tem que sair. Joga fora, se quiser recicla e que vire aprendizado, nunca entulho. Chama o caminhão de mudança, dependendo do lixo, chama até o moço da Comlurb, mas joga fora. E recomeça, tudo novo, de novo. Porque excesso de bagagem, só quando a mala está cheia de coisa nova.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Lições

Eu gosto de aprender lições, e cometer erros, ao meu ver (e viver), é a melhor maneira de fazer isso. Sabendo que certas coisas são ruins, ou não funcionam, já sabemos melhor como agir na maioria das vezes e das situações. Claro que cada caso é um caso, e cada situação demanda algo diferente da outra, mas de uma maneira geral, as regras básicas são as mesmas, e antes o básico que funciona (a princípio) do que o excepcional que pode ser um desastre. Sou adepta da observação, para dar tempo de conhecer o ambiente. Costuma funcionar.

Gosto mais do que aprender lições com erros meus quando aprendo com os erros dos outros. Analiso certas coisas, vejo que não gostaria de tê-las para mim, e com isso faço o possível para que isso não aconteça. Só que às vezes exagero, e tudo que é demais, não costuma fazer bem. Nasci e provavelmente vou morrer perfeccionista, gente, não me dêem conselhos dizendo o óbvio porque já adianto: eu vou demonstrar tranquilidade com o mais ou menos, mas no fundo isso está me matando.

A gente aprende as lições assistindo a vida alheia, ouvindo as pessoas e peneirando tudo isso. Quando as relações, atitudes e reações são nossas, vimos que sentir na pele é indescritível e surpreendente - para os dois lados, o bom e o ruim. Existem lições que dão para não passar pela experiência e saber como são; mas tem outras que não tem jeito, é preciso deixar o merthiolate antigo arder e esperar passar sem assoprar, senão o efeito não é o mesmo, como já dizia nossa avó.

E vamos combinar? Tem machucado que a gente só sente que cicatrizou de verdade quando o tratamento dói; não tem  jeito.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Você se anularia?

Observo relacionamentos alheios desde que decidi vivenciar cada fase da minha vida de uma vez: fui criança, cresci, passei pela pré-adolescência, virei aborrecente, fiquei de castigo, achei que era grande, me vi realmente grande, me dei um ano pra encontrar meus sonhos e amadurecer ideias, me dei outro quase inteiro pra ser universitária bêbada e finalmente começar no mercado de trabalho. As coisas desandaram um pouco nessa pegada, e mudei de sonhos, mas no campo dos relacionamentos, fiz as coisas exatamente como planejei. Meu coração me ajudou nessa, se apaixonando nas horas que eu quis.

Mas enquanto isso, eu observava. Namoros curtos, longos, intensos. Casamentos, relações adúlteras (mesmo que não adultas), rolos, coisas sem compromisso. Fui aprendendo as regras e separando o joio do trigo, ou aquilo que eu jamais aceitaria - ou erraria - quando chegasse a minha vez de ter uma relação daquelas. Confesso que consegui muito do que planejei, e assumo todas as coisas que percebi serem totalmente diferentes na prática. Perdoei a mim mesma pelos julgamentos sem saber, quando assistia de fora. De dentro a visão pode ser totalmente míope, mas é também totalmente outra de quem está de fora.

Nunca pensei que me anularia por causa de outra pessoa, e de fato nunca o fiz. Fiz, mas foi por mim. Foi culpa minha. Eu mudei alguns poucos de Nina porque era essa a minha vontade. Para agradar gregos, troianos? Verdade. Mas EU quis agradá-los, então a culpa (que prefiro chamar de responsabilidade) sempre foi toda minha. E então eu me anulei. Não acordei a tempo (e a tempo de que, afinal?), mas acho que aprendi; aprendi que se anular funciona por um tempo, mas é como colocar durex, e uma hora a cola sempre sai.

Acredito que seres humanos possam mudar, até mesmo na sua essência mais pura, mais primitiva. Mas isso só acontece quando a vontade é maior do que tudo; quando supera esforços, dificuldades, opiniões e diabinhos internos e mundanos. Se essa vontade pessoal não existir, não tem castigo, promessa ou amor que resista. Não tem filho, dinheiro, paixão que persista. Não tem nada, nem tempo. Uma hora as máscaras caem, a paciência esgota, a bola de neve rola pra cima de tudo e de todos. Mais cedo ou mais tarde.

A gente anula certas coisas por causa do chefe, do trabalho em equipe, da família, dos filhos, do casamento. A gente passa a vida toda anulando algumas coisas em prol da paz, da harmonia, da convivência. A linha entre 'se anular um pouco' e 'se anular, ponto' é tão discreta quanto a forma de escrever essas duas, e a gente só nota que saiu de uma para outra quando a coisa parece não ter mais jeito. Mas tem, e volta na máxima: há vontade suficiente para mudar isso, de verdade? Porque você se anulou, e vai continuar fazendo isso pro resto da vida, mas o passo a dar pro 'se anular pouco' às vezes parece grande demais.

Só você pode saber se ainda dá tempo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Malditas mudanças

Eu achava que a gente parava de mudar quando terminava a adolescência. Sempre acreditei que, depois dessa fase, era tudo uma questão de amadurecimento. Lia crônicas e livros sobre relacionamentos, todos dizendo que 'devemos acompanhar a mudança do companheiro', mas nunca acreditei realmente nisso. O pensamento era simples: 'a pessoa é a mesma, o problema é que a gente tende a não ver, ou a fingir que não vê'. Mas estou começando a discordar de mim.

Tenho jeitos, manias, pensamentos e convicções que me acompanham desde sempre, mas e todas as milhares que eu fui deixando no caminho? A gente não pára pra pensar nelas porque a rapidez com que a maioria vai sendo substituída com o passar dos anos não deixa. E sabe quando notamos com mais clareza? Em fotos. Em vídeos. Em diários que lemos anos depois de escrevê-los. A gente se vê, se lê, e simplesmente não consegue acreditar no quanto mudamos, de 2 anos pra cá, tão pouco tempo.

A vida vai colocando uma série de pedras, situações, galhos, problemas e soluções no nosso caminho, e são eles que fazem a gente tomar decisões, fazer escolhas. Antes delas acontecerem, éramos um. Depois dela, podemos ser até dez. O lado positivo é inegável: aprendemos a ser mais fortes, a enfrentar coisas que nunca pensamos. Ficamos orgulhosos de nós mesmos. Mas e quando quem muda é a pessoa que está do nosso lado, há tantos anos, a quem pensamos conhecer tão bem? Aí a coisa muda de figura...

É realmente doloroso quando o amor de uma pessoa por você acaba, e você não percebe. E você se culpa, afinal como isso aconteceu, onde é que você estava que não viu, que sempre conheceu tão bem o amor da sua vida? As circustâncias, histórias e razões jamais caberiam aqui, assim como explicação nenhuma justifica ou faz passar a dor da separação, da ausência de amor, verdadeiro oposto do sentimento maior. O que não podemos fazer é negar os fatos, por mais que doa (e demore) admiti-los.

Não há como medir dor, ou o tempo de luto enquanto ela não se vai. Se um dia o sentimento será somente nostálgico? O dia que eu passar por isso, prometo que conto. O que vale é entender que mudanças acontecem, e achar que não, é mentir com a cara mais lavada do mundo pra você mesmo. Renato Russo não errou, essa é, sim, a pior mentira. Mudança acontece, e a culpa não é de ninguém; ela só acontece e pronto. Dói quando a gente quer explicação e não acha, né?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um ano melhor

Todo ano desejo às pessoas que o ano seguinte seja melhor que o anterior. Acho que comecei a fazer isso quando considerei meu ano uma grande bosta. Hoje, parando para avaliar o motivo dessa raiva, encontrei a decepção. Taí algo pelo que ninguém gosta de passar, mas invariavelmente acontece quando a gente ama, gosta, tem respeito, confia, é feliz. E aí, vai deixar tudo isso pela certeza de uma segurança esquisita?

Confesso que, assim que nos decepcionamos, a vontade de explodir de ódio é tão grande que a impressão que dá é que explodimos, só que ninguém viu. A gente sente raiva do responsável pela decepção, mesmo só percebendo bem depois que o grande dono dessa sensação de 'nada' é a gente mesmo. E sentir raiva de nós mesmos é o fim: como fugir da nossa própria companhia? Então a gente se cerca de não-nós mesmos.

Saímos por aí beijando bocas, mantendo relações com tudo que nos ajuda a fugir de nós mesmos. Pessoas vazias (de fato, ou que somente nos soe assim), garrafas cheias, lugares lotados de superficialidades - o mundo está cheio disso. Por um tempo, isso realmente funciona. Não vejo problema em querer fugir certos momentos, mas sempre chega a hora da verdade cansar de bater na porta - e ela arromba.

A gente encara o fato de que esperar demais é uma grande idiotice, mas que todo mundo acaba fazendo, um dia. A gente sabe que perfeição é a maior das mentiras, mas acaba acreditando nela, alguns dias. E a gente tem duas escolhas: ou faz disso uma razão pra desejar um ano melhor na noite do dia 31 de dezembro ou aceita que isso faz parte e faz de cada uma dessas imbecilidades mais um aprendizado. Não pra nunca mais errar, mas pra rir de tudo isso antes, da próxima vez.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nunca mais

Lembro de (quase) todas as centenas de milhares de vezes que minha mãe riu de mim e dos meus exageros teatrais quando, depois de terminar uma relação de amor-paixão-planos, a primeira da minha vida, eu achei que jamais amaria alguém de novo. Passei por todas as fases, algumas que nem todos passam, mas que, hoje, consigo ver como foram importantes cada uma delas, e como sem elas eu não estaria nessa calma, mesmo depois de tanto tempo.


Tem gente que se adapta fácil ao final de uma relação. Consigo enxergar, hoje, que quanto mais finais, menos complicado pode ser ter de passar por isso. PODE, não necessariamente É. Falo de namoros reais, relacionamentos com rotina, compromisso, tempo de sentimento e de relógio (quem sabe um dia não escrevo das relações que só existem na nossa cabeça?). Ninguém esquece o outro rápido, só tem gente que se adapta melhor.


Eu, não. O mundo não me pára, ninguém é capaz disso. Trabalho, estudo, amigos, família. Pode ser que poucos, ou ninguém perceba que, por dentro, estou morrendo. Mas estou. Há quem ria quando descrevo sofrimentos avassaladores, ao mesmo tempo que finjo uma voz feliz quando o programa entra no ar. Ri porque não crê; ri porque acredita na dor, mas sabe que passa. Qualquer riso, vale: ou você finge bem, ou há luz no fim do túnel.


O vazio que fica quando alguém se vai deixa dúvida do que é saudade e do que é 'passou'. A diferença entre amor e preenchimento é tênue, e a gente sempre demora pra descobrir que não é saudade daquele alguém, mas de alguém, que só toma o rosto do último por razões óbvias: memória de coração é curta. Só que a nossa, nem tanto. O desapego, por mais difícil e cruel que possa parecer, foi uma das coisas que mais gostei de aprender na vida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Certo ou errado

Essa semana as pessoas andam me chamando de louca, mas eu insisto que meu pensamento faz sentido: não existe certo e errado. NEM na lei. Como? Pensemos: o que é considerado certo ou errado varia de estado, país, continente, é só conferir na lei. No Brasil, a pessoa é considerada inocente até que se prove o contrário, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, o cidadão é culpado até que mostrem o oposto. E aí?

Quem erra, mulheres que usam jeans, saia curta ou sociedades que proíbem isso, afinal são de uma cultura diferente das capitais capitalistas? Eu poderia escrever linhas e mais linhas mencionando os códigos penais, mas acho que vocês entenderam onde quero chegar. Mesmo nas 'leis divinas' que coincidem, dizendo o que é ou não é pecado, também podem variar.

Para mim, certo ou errado vai depender de quem está na berlinda. Você não acha que ficar com um cara que namora é algo errado porque quem namora é ele, e não você? Tudo bem. Quando você estiver namorando e uma mulher ficar com seu namorado, você pensará a mesma coisa? Se pensar, direito seu, faça assim na sua relação. Penso que nada que demanda mentira ou omissão pode ser certo.

A traição, talvez mais do que na ação ou pensamento, está em esconder. Se você esconde algo de uma pessoa é porque, no fundo, sabe que há algo de errado naquela atitude, pensamento ou omissão (sim, caros, você não tomar atitude é uma forma de mostrar o que pensa). E se você mesmo acha que é errado e mesmo assim o fará, admita. O problema não está na atitude, mas no reconhecimento.

E reconhecer que o caminho está errado dá trabalho, principalmente porque demanda mudança, mas olha, vale a tentativa.

Tentar ser mais feliz nunca fez mal a ninguém.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Até demais

Não conheço quem nunca tenha sofrido por amor que não tenha sentido, nem que seja por um único momento, a sensação de ter feito alguma coisa demais na relação que acabou, principalmente quando ela acabou de acabar. É naquela momento chato de raiva e mágoa que a impressão de arrependimento de ter feito alguma coisa demais vem com tudo, martelando nossa cabeça e desejando com todas as forças que o tempo volte atrás e você consiga ser menos idiota.

Você esquece que, muito provavelmente, tão idiota quanto você foi a pessoa que estava do seu lado, mesmo que não estivesse tão do seu lado assim. Passa uma borracha potente nos momentos de paixão, dedicação, alegrias e centenas de demonstrações de amor. Esquece as fotos que estão nos álbuns (de papel ou de Orkut, talvez Facebook), esquece os sorrisos capturados, você esquece tudo que não seja o amor que deu demais.

Amor demais, dedicação demais. Você contou segredos, guardou coisas que talvez não deveria ter calado, seguro por um sentimento tão grande, tão forte, que hoje você nem consegue pensar naquele tempo sem sentir de novo. Você lembra do que abriu mão pra não ter de perder, e o que perdeu quando não abriu mão de algumas loucuras, que na época não passavam de condições naturais. O amor deixa a gente completamente não-a gente.

A gente faz e deixa de fazer tanta coisa que não tem lista, memória nem terapia que façam vir tudo à tona – não adianta porque não tem. E foi certo ou errado? Ah, quem sou eu para dizer... Se questões de múltipla escolha demandam revisão, só nos cabe deixar a sensação de ter feito até demais pros momentos pós-mágoa. Porque os questionamentos não somem, mas economiza alguns anos de terapia (ou de rugas) se acostumar com eles... sem resposta.



Identifique-se você também no blog Copo de Cachaça (A Verdade Sempre Sai)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Torsão no coração?

Torci o tornozelo. Eu vivo fazendo isso comigo mesma, desde sempre. Não sou muito amiga dos meus pés. Já cheguei à conclusão que, em outra vida, devo ter arrancado ambos pernas/pés num ataque de ódio a mim mesma ou tive lindos pares dos membros inferiores e não soube dar valor, mas isso é assunto pra outra divagação. Aqui, a questão é aquela dor chata que torcer o pé/mão traz. Não é insuportável, mas um mau jeito te faz ver estrelas. Meio como recuperar-se de uma mágoa.

Qualquer mágoa. Seja um término de relação, uma briga mal resolvida, uma discussão que durou mais aquele momento, enfim, uma mágoa. De início, dói mais. Pode ou não transparecer pra quem vê, ficando roxo, inchado ou não conseguindo esconder a cara de tristeza. Com o tempo, a dor vai melhorando, doendo mais quando a gente pisa de mau jeito, força demais o pé ou insiste em mexer no passado, que não quer (ou não deve) ser mexido.

Aquela dor constante, como enxaqueca leve que consegue durar horas sem cessar, incomodando sem te impedir de fazer quase nada, parece com a do torsão que você ainda não sabe se pode ser tendinite; ou mágoa quer você ainda não sabe se pode ser o fim de tudo, e pior, daquele fio de esperança que você guarda, como o milagre do gesso ou da bota curarem seu pé roxo, sem a fisioterapia, ou sem a fase de depressãozinha chata que não dói demais, mas também não dói de
menos.

Torser o coração de feridinhas pequenas, como a mágoa colecionando pequenos mau jeitos no caminho da cura, é o que mais fazemos pela vida. Tomamos tombos maiores algumas poucas vezes, onde os danos são maiores, mesmo que ainda reparáveis, mas a maioria é só torsão: muita dor, gesso na dorzinha chata e pra curar mesmo, fisioterapia da paciência, que é só tempo e torcida, mas com 'c', pro amor novo chegar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sem rancor

Se eu tivesse a chance, faria um feira de reencontro. Veria novamente todas, ou quase todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Considerem-me Madre Teresa de Calcutá se quiserem, mas não consigo lembrar de ninguém que tenha cruzado o meu caminho de uns três anos e meio pra trás (é, porque de 2007 pra cá ainda é muito recente, ainda não deu tempo de eu aprender a lição do dia) e tenha ficado muito marcado na minha mente.

Nunca fui de guardar rancor, costumo esquecer até um pouco rápido esse tipo de coisa. Talvez porque eu resolva minhas questões na época em que as coisas me incomodam, ou sorte, que seja, o fato é que eu acho que rancor dá câncer, e desse mal eu não tô a fim de morrer, ou sofrer. Que meu santo continua não batendo com os de algumas pessoas, isso é lógico. Não sou maria-cocô que gosta de agradar gregos e troianos, mas é só. Ignoro e vou em frente.

Infelizmente nem todos pensam, ou agem assim. O que existe de gente que me desgosta por motivos que nem eu sei mais, nossa, perdi as contas. Claro que não me orgulho disso, aliás, pensei muito antes de manchar minha imagem cor-de-rosa que esse blog deve passar, mas fugir da verdade pra quê? Mas não tenho muito o que fazer. Às vezes, se tenho a oportunidade, tento resolver, simplesmente porque é menos chato quando está tudo bem.

É, mas nada disso me tira o sono. Já tirou, só que hoje não mais. A gente cresce, vai acumulando as cicatrizes e acaba percebendo que tem tanta coisa maior e mais importante pra gente se preocupar realmente, que acaba deixando pra lá. Para mim, essas 'resolvidas' que vou dando com o tempo acabam virando alívios bacanas, sabe? Anos sem falar com alguém por besteira, um dia se resolve e pronto. Não volta amizade, mas tudo bem, resolveu. Não deixa de ser bom.

Esclarecer as coisas pode ser doloroso, dependendo dessas 'coisas', é claro. Quem já viu um grande amor com outra pessoa, enquanto esse amor era grande, ou somente amor, sabe como machuca mesmo depois de outros dias, meses, anos e até outros amores. Mas passa, sempre passa. Mesmo que esses esclarecimentos não precisem de todos os lados, de todas as testemunhas daquela ocasião que te doeu tanto. Às vezes esclarecer a gente mesmo com nosso coração já vale o passe pra fora do INCA.

Me segue no Twitter? @tchutchu

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Só porque eu (não) namoro

Você ouve piadinhas só porque (não) está namorando? Bem-vindo ao mundo de todas as pessoas desse mundo. Literalmente. Porque as piadinhas existem sempre, e por mais que falemos nelas, que critiquemos, aceitem, amiguinhos: ela jamais deixarão de fazerem parte do nosso dia-a-dia. A gente é que precisa aprender a não deixar que elas irritem demais - mesmo que alguns dias você se permita xingar muito no twitter. Ou no blog.

Parece que foi ontem quando eu estava solteira e era mais certo que vuvuzela em dia de jogo na Copa: conhecia alguém e a pergunta 'como não tem namorado? Por que, meu Deus?' vinha voando. Eu, honestamente, que não vejo problema nenhum em estar sozinho. Acho a frase 'solteiro sim, sozinho nunca' tão ridícula quanto digna de pena. Se você não tem nenhuma relação estável, você ESTÁ sozinho, meu amor.

Eu, que teoricamente estou numa relação estável, considero-me sozinha. Todos estamos. Temos amigos, colegas, familiares, namorados, mas no fundo, a única certeza é de estarmos sós. Provavelmente não estaremos sempre, mas geralmente. E qual o problema nisso? Quem não sabe viver sozinho eu sugiro que aprenda. Nada melhor do que pensar sozinho em planos do futuro e repensar nas atitudes já tomadas.

Idéias de respostas, dependendo do seu humor:

- Você sai sozinho? Mas não namora?
- Namoro, mas vai que encontro coisa melhor, né? piadinha com pitada de humor
(A cara de bunda da pessoa já vale)

- Bonita desse jeito e sem namorado? Ah, você deve ser muito exigente.
- Sou mesmo, tipo esse seu dente amarelado eu não tolero. mau humor claro
ou
- Pois é, eu peço tanto que escovem os dentes, sabe? piadinha de leve

- Aposto que tem ficante...
- Tenho, pô, tô só esperando ele terminar com a namorada que vira sério! sarcástica

- E aí, casa quando?
- Ano que vem, mas é só pros íntimos... piadinha quase séria
ou
- Olha, eu já casei... (meio sem graça porque não convidou o pentelho) piada séria
ou
- Quando tiver din din! piadinha leve

- Passando o rodo, aposto!
- Pior que não faxino nem minha casa... piadinha leve
ou
- Sou virgem. com cara séria

O curioso? É que, invariavelmente, esses questionamentos vêm de pessoas que não dão lá bons exemplos de bons parceiros em suas relações. Repare! ;)




PS: você sabia que eu escrevo a coluna T.P.M. no Pecado Fashion? Clica em cima do nome e leia, o site é ÓTIMO!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Casa quando?

Eu tinha até esquecido de escrever sobre isso, mas claro que as pessoas voltam nessa questão, deixando-me novamente sem entender absolutamente nada: por que todos que não me vêm há 2, 3 anos (ou pessoa qualquer, sem parâmetro definido) perguntam quando eu me caso? Estou ficando velha aos 24 anos? Até onde sei, ainda se pode ser solteira com essa idade no século XXI. Ou não? Confesso que não encontro explicação plausível e qualquer comentário que me ajude nessa questão é MUITO bem-vindo.

Acho que o questionamento começou esse ano, se não me engano. Quando o décimo cidadão me veio com essa pergunta, cansei de não entender e deixar pra lá para começar a ficar preocupada. Estou com cara de mulher desesperada para vestir branco, ter minha própria casa, ser mãe? Porque nunca, que eu me lembre, coloquei em pauta o assunto 'meu sonho é casar', ou 'queria muito um filho ontem'. Nunca. Então me veio a questão da idade: 24 anos deve ser o grito 'MEU DEUS, ME ARRUMEM UM MARIDO' e só eu não devo estar sabendo.

Mas ninguém, até hoje, mencionou a idade como motivo da pergunta. Algumas pessoas disseram que 'estou sempre namorando'. Hum. Sempre fico, no mínimo, um ano solteira entre uma relação e outra, e tive umas três relações 'sérias'. Isso é 'estar sempre namorando'? Permaneci sem entender esses padrões loucos que as pessoas taxam o 'nunca' e o 'sempre'. O povo costuma passar anos sem assumir um compromisso, mas está ficando com 5.698 pessoas ao mesmo tempo, uma atrás da outra, de uma vez só. É o título de solteira que conta? Deve ser.

Outros alegaram que meus namoros duram muito. O que seria essa definição de 'muito'? 7 meses um cidadão, 1 ano, 9 meses e uma semana outro e 1 ano, 9 meses e 15 dias o atual? ISSO É MUITO? Isso é um passo para o casamento? Porque se for, estou com medo de não me divorciar nos primeiros cinco anos de casada e ficar com fama de carola ou qualquer coisa parecida. O que ocorre com o mundo, que vem achando milagre da natureza, algo sobre-humano, uma pessoa possuir uma relação estável de, sei lá, DOIS meses?

Não sei o que se passa na cabeça das pessoas, mas honestamente não estou nem aí, tanto que havia esquecido de escrever sobre os que me querem casada amanhã. A vida é minha e se eu fosse seguir um décimo dos conselhos que ouço, me dá até medo do que eu seria, ou de onde estaria. Porém, confesso que me surpreendo com esses tipos de pensamentos, sabe? A não ser que haja uma outra explicação por trás disso tudo, e eu é que não descobri porque não li nas entrelinhas.

Você leu? Então me conta.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Férias de amor

- Todo casal deve se manter afastado por pelo durante um mês todo ano para que um casamento dure muito.

A frase acima foi dita por um homem, e outros dois concordaram. Fiquei com cara de caneca, como diria Ana Carolina ("cara de caneca é quando você ganha uma caneca e fala 'oh...'), ou seja, cara de 'não entendi'. Porque eu realmente não entendi. Ok, nunca namorei mais do que 1 ano e 9 meses (aliás, mais cinco dias e esse recorde é quebrado, que rufem os tambores da contagem regressiva) e nunca fui casada, ou seja, mal vejo meu namorado uns 3 dias por semana, mas será que é assim mesmo?

Acharam um absurdo eu não entender casais que tiram férias separados, ou que viajam a descanso cada um para um canto. Porque eu não entendo como duas pessoas que estão juntas prefiram estar separadas. Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido. O dia que eu preferir passar dias sem meu namorado, eu mando um beijinho e termino, simples assim. Isso tudo é carência, medo de ficar sozinho? E que medo é esse que as pessoas sentem, meu Deus? Preferem estar com uma pessoa que não é mega gente boa? Ah, pára com isso...

Viver 24hs grudado não funciona? Concordo. Mas concordo porque isso não funciona COM NINGUÉM: nem com seus pais, irmãos, melhores amigos, e até filhos. Por que seria diferente com namorado? Não seria. Saio sozinha, saio com amigas, amigos, claro que saio com outras pessoas e passo um tempo longe. Mas semanas? Me desculpe, não vejo sentido. Talvez eu veja quando casar e sentir essa necessidade, mas confesso que ainda acho esquisito e difícil que aconteça.

Para mim, passar semanas longe de uma pessoa com quem você mora, mas já passa horas do dia longe, porque trabalha, faz outras atividades, enfim, por milhares de motivos, para mim soa como férias DA pessoa. Passar momentos longe, refeições, talvez um ou outro final de semana qualquer, tudo bem. Mas FÉRIAS? Sei lá. Sim, pode ser que eu releia isso daqui a uns anos e pense 'que utópica'. Mas pode ser que eu releia e sorria 'que visão de futuro que eu tinha...'

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Postado no pecadofashion.com.br

Taí uma coisa pra qual eu nunca tive vocação: namorar. É, porque tem gente que parece ter nascido pra isso. É caseira, romântica, sabe cozinhar, gosta de usar apelidos carinhosos, é família, adora viagens a dois de fim de semana, sabe e adora comprar ou fazer presentinhos fofos, enfim, tem garota que foi feita pra ser a típica namorada.

Eu, não. Meu primeiro namoro sério foi um bater de cabeças imenso, coitado do meu ex-namorado paciente com essa criatura que adora um barzinho cheio, gosta de conversar com 234 pessoas ao mesmo tempo, não se incomoda com o futebol semanal do namorado, e que aliás nem faz questão de ir.

Não sou romântica (apesar de escrever de amor ser o que eu mais sei fazer na vida), detesto cozinhar, não gosto de apelidos carinhosos, e até sou criativa, mas acho de uma viadagem tremenda presentinhos fofos demais. Sou super família, mas muito mais pela zona do que pelo ambiente calmo. Eu? Não sou nem um pouco calma.

Viver minha vida de solteira até a última gota sempre foi meu lema, até eu aprender a namorar e perceber que, quando você aprende a curtir todas as coisas boas do momento que você vive, as coisas boas do outro lado da moeda parecem insignificantes, e não te deixam saudade. Eu aprendi a ser solteira como ninguém – mas hoje também aprendi a namorar.

Nunca senti saudade de uma coisa, nem de outra. Enquanto estava sem ninguém? Aproveitava tudo que isso me trazia: não ter ninguém para dar satisfação, gastar menos (que mulher gasta mais solteira?), passar horas no shopping e problema meu, beijar quem estava a fim, ir onde bem entendia, sair só com as amigas sempre, sair só com homens quando desse na telha.

Hoje, há um ano e oito meses, eu namoro. E adoro ter alguém para contar meu dia sem parecer uma chata, ter companhia pra todos os filmes que quero ver, ir em todos os restaurantes que sempre quis, me cuidar pra quem sei que vale a pena. Adoro ter um amigo pra todas as horas e adoro mais ainda saber que namorado bom é aquele que você pode namorar e poder ser quem você é, como se fosse solteira.


Não está namorando? Curta o máximo que seu fígado permitir, pra quando achar o cara mais legal do mundo, não sentir a menor saudade do que o mundo pode te oferecer. Assim, é bem mais fácil enxergar o mundo que seu namorado tem pra te oferecer.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Era eu?

Quem é que nunca olhou fotos antigas e ficou se perguntando quem diabos era aquela criatura ali, que não você? Rá. Duvido que você nunca se viu nessa situação... E nem digo fotos de uma, duas décadas atrás. Você nem precisa ir muito longe: pega seu álbum ou agenda de uns poucos anos e dá aquela olhada nas roupas, na maquiagem (ou falta dela), no sapato, bolsa, aparelho que você usava, piercing, naquelas caras de adolescente querendo aparecer. Você deve ter alguma coisa que te envergonhe de você mesma...

É, mas quando você se depara com aquelas fotos suas com seu ex, e começa a querer lembrar daqueles dias, daqueles tempos. Já passou pela situação em que você simplesmente NÃO CONSEGUE? Sabe quando você se olha, sabe que é você, lembra até daquele dia, mas parece que é seu corpo com uma outra alma? A gente cresce, amadurece, muda até de opinião, conceitos, ideias, objetivos, e essa lista não teria fim, porque a vida é uma constante metamorfose, mas você simplesmente não se projeta.

Você fica olhando com aquela cara de quem comeu e não gostou, mas lembra que, na época, gostava, e fica se perguntando por que, afinal. Hoje olha e tem certeza: ‘eu JAMAIS viveria isso de novo. Não hoje’. Penso que algumas pessoas aparecem em nossas vidas no momento certo, porque se esperassem mais um pouquinho, bye bye namoro – não contigo. Mas será? Será que não pensaríamos o que pensamos hoje se não tivéssemos namorado/tido qualquer tipo de relação com aquela pessoa?


A verdade é que nunca vamos saber – pelo menos não nessa vida. Mas a gente se pega pensando, e lembrando de tantos dias, tantas situações... Faz de perfis no Orkut, Facebook, álbuns ou agenda um momento de nostalgia tão pura, que às vezes confunde estranheza, em relação a esse passado meio bizarro, e saudade, porque por mais estranho que hoje pareça, um sentimento dentro de você lembra que já foi bom um dia. E aí você lembra também que teve um período bem ruim, que você não gostaria de lembrar...


E se arrepende com todas as forças de ter começado com a abrir o baú.