A gente nunca está cem por cento nada nessa vida. E, hoje, eu aprendi que isso é normal. Claro que temos momentos longos e duradouros de estabilidades: uma boa fase no trabalho, notas altas (ou baixas) nos estudos, momentos mais felizes do que estressantes num relacionamento, mais risadas do que discórdias movidas a motivos irrelevantes - ou o contrário. Mas nada disso acontece o tempo todo. Porque tem dias que você acorda mau humorado, porque tem coisas que podem te deixar irritado sem aviso prévio, e porque imprevistos estão aí para alterarem nossos planos, não tem muito jeito. E é por isso que a gente oscila.
Acorda animada no dia dos namorados e fica meio triste quando lembra que dia é. Logo, recorda que essa palhaçada é comemoração criada pela publicidade e deixa pra lá. Vê casais na rua e começa a sentir saudades do namorado que tinha há pouco menos de um mês, que saco, que vida ridícula. Então dá risada com o novo grupo de melhores amigos de infância que fez em tão pouco tempo e, bom, o namoro já não vinha bem, a quem estamos querendo enganar. A desanimada chega quando vê uma vitrine, quando o maldito telefone nem pra receber uma mensagem, ou uma ligação. Acha melhor assim e vai tomar uma cerveja que amanhã é segunda e vida que segue.
A grande verdade é que a gente oscila independente. Pode ser uma incrível segunda-feira de bom humor e piadas, ou uma quarta fantástica, pela qual você não dava nada e de repente só volta pra casa na quinta quase de manhã, com um sorriso divertido quando vê a cara do porteiro se perguntando por que diabos essa menina sai tanto de casa. E oscilação é coisa tão independente que veja só que cretina, chegando sextas de madrugada e sábados cheios de planos. Vêm os imprevistos, os desânimos e as mensagens perdidas, os números discados, os textos que parecem se escreverem sozinhos. A gente suspira e vai tentar se animar vendo um DVD de comédia ou coisa que não faça chorar.
A oscilação é a tpm de todo mundo. Porque não se é feliz cem por cento do tempo, mas o que salva é que também não se é triste esse mesmo tanto. Por pior que seja, por mais dores que acumule, a gente sempre sabe que vai passar. Porque tudo passa, por mais lindo ou horrendo que seja, e por mais eterno que possa parecer. As feridas sempre vão aparecer, mas antes as velhas vão ter que sarar. Amores se vão, mas outros virão - já não vieram antes, afinal? E esse é o nosso medo, mas em dias como hoje, é esse também o nosso fio de esperança pra não simplesmente desistir. Dizem que vale a pena. Esperemos, então. Que venha o futuro.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Tristeza
Estar triste é muito mais do que chorar, até porque tem tantos motivos pra gente derramar lágrimas que a tristeza é uma parte bem pequena disso. Estar triste é sentir o sentimento grande demais dentro de você, tirando-lhe as forças para chorar.
Estar triste não é deixar de cantarolar as músicas no seu MP3, Ipod, rádio ou cabeça. Na tristeza de verdade, podem te pegar cantando alguma parte da música, mas se ficarem observando por um minuto ou menos, você vai parar de cantar do nada. O motivo não-aparente é a tristeza.
Rir não é sinal de ausência de tristeza, mesmo o riso sincero. A gente não deixa de achar graça nas coisas quando está triste; é instinto do coração que não gosta de doer forçar um sorriso amarelo, uma tentativa de momento melhor.
Tristeza é não parar de pensar no foco triste. Porque não quer, porque não tenta, porque não consegue. Porque luta, porque cansou de vencer uma batalha perdida. Isso não importa. O pensamento está sempre lá; o que você não sabe é até quando.
A tristeza não te impede de viver seus dias, nunca impediu. Você vive, porque não tem muito jeito, agora. Você vive esperando que passem as horas pra que o dia acabe; os dias, pra que feche o mês; e os primeiros meses, pra chegar logo o fim dessa fase.
Porque tristeza é uma fase, que passa. Invariavelmente, passa. Quando perceber a tristeza em alguém, não ofereça ajuda - a gente pode não gostar. Mas mostre que você está lá. A gente precisa saber disso, já fortalece. E continuamos olhando o relógio.
Chega logo, dezembro. Chega logo.
Estar triste não é deixar de cantarolar as músicas no seu MP3, Ipod, rádio ou cabeça. Na tristeza de verdade, podem te pegar cantando alguma parte da música, mas se ficarem observando por um minuto ou menos, você vai parar de cantar do nada. O motivo não-aparente é a tristeza.
Rir não é sinal de ausência de tristeza, mesmo o riso sincero. A gente não deixa de achar graça nas coisas quando está triste; é instinto do coração que não gosta de doer forçar um sorriso amarelo, uma tentativa de momento melhor.
Tristeza é não parar de pensar no foco triste. Porque não quer, porque não tenta, porque não consegue. Porque luta, porque cansou de vencer uma batalha perdida. Isso não importa. O pensamento está sempre lá; o que você não sabe é até quando.
A tristeza não te impede de viver seus dias, nunca impediu. Você vive, porque não tem muito jeito, agora. Você vive esperando que passem as horas pra que o dia acabe; os dias, pra que feche o mês; e os primeiros meses, pra chegar logo o fim dessa fase.
Porque tristeza é uma fase, que passa. Invariavelmente, passa. Quando perceber a tristeza em alguém, não ofereça ajuda - a gente pode não gostar. Mas mostre que você está lá. A gente precisa saber disso, já fortalece. E continuamos olhando o relógio.
Chega logo, dezembro. Chega logo.