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terça-feira, 22 de julho de 2008

Quando a mudança vem de dentro

Sempre que eu mudo alguma coisa na minha vida, a primeira coisa que muda junto é a minha aparência. Não sei por que. Quando mudei de país, cortei a franja. Quando fui cursar Letras, emagreci. Mudei de colégio, e de unhas. Entrei na faculdade, mudei de óculos. Coisinhas que, confesso, ninguém nunca reparou. Mas hoje, eu reparei, e vi que fazia diferença pra mim, e isso que era importante. Esse meu lado egoísta de ser feliz comigo mesma sempre me fez bem.

Os anos passaram e a mudança foi de "com o amor da minha vida" pro "continuo buscando essa alma gêmea". Difícil e extremamente doloroso, mas hoje, quase um ano depois do começo de mudança, consigo ver claramente: é só uma mudança como outra qualquer. E como todas as mudanças da minha vida, comecei a me mudar por fora. Só que dessa vez, com plena e proposital consciência disso.


Mudei de roupas, mudei os móveis do quarto, troquei de computador, comprei dezenas de bolsas, mochilas novas, fiz um piercing. Viajei muito e mudei de estilo. Fiz novos amigos, até mais simpática com quem não era eu comecei a ser. Tudo pra mostrar que eu estava mudando, que a mudança é escolha minha. Se foi escolha minha ou não, o que importa é que aconteceu. Mudança, é hora de sair daqui prum outro lugar. Viremos a página, escrevamos novas linhas.

Foi quando eu dei fim a pedaços de mim. São só sites, só umas fotos, mas pra mim foi como se eu tivesse ido dormir uma e acordado outra, completamente diferente: completamente resolvida. Daí pra mudar o cabelo foi um pulo; um pulo pra ficar feliz. Só que dessa vez, todo mundo percebeu. Qual a diferença dessa mudança pras outras, meu cabelo está 30 centímetros mais curto? Não, é que a mudança, pra ser real, tem que vir de dentro. E quando vem, a gente não precisa contar: dá pra ver nos olhos. No meu caso, até nas palavras.