Eu achava que a gente parava de mudar quando terminava a adolescência. Sempre acreditei que, depois dessa fase, era tudo uma questão de amadurecimento. Lia crônicas e livros sobre relacionamentos, todos dizendo que 'devemos acompanhar a mudança do companheiro', mas nunca acreditei realmente nisso. O pensamento era simples: 'a pessoa é a mesma, o problema é que a gente tende a não ver, ou a fingir que não vê'. Mas estou começando a discordar de mim.
Tenho jeitos, manias, pensamentos e convicções que me acompanham desde sempre, mas e todas as milhares que eu fui deixando no caminho? A gente não pára pra pensar nelas porque a rapidez com que a maioria vai sendo substituída com o passar dos anos não deixa. E sabe quando notamos com mais clareza? Em fotos. Em vídeos. Em diários que lemos anos depois de escrevê-los. A gente se vê, se lê, e simplesmente não consegue acreditar no quanto mudamos, de 2 anos pra cá, tão pouco tempo.
A vida vai colocando uma série de pedras, situações, galhos, problemas e soluções no nosso caminho, e são eles que fazem a gente tomar decisões, fazer escolhas. Antes delas acontecerem, éramos um. Depois dela, podemos ser até dez. O lado positivo é inegável: aprendemos a ser mais fortes, a enfrentar coisas que nunca pensamos. Ficamos orgulhosos de nós mesmos. Mas e quando quem muda é a pessoa que está do nosso lado, há tantos anos, a quem pensamos conhecer tão bem? Aí a coisa muda de figura...
É realmente doloroso quando o amor de uma pessoa por você acaba, e você não percebe. E você se culpa, afinal como isso aconteceu, onde é que você estava que não viu, que sempre conheceu tão bem o amor da sua vida? As circustâncias, histórias e razões jamais caberiam aqui, assim como explicação nenhuma justifica ou faz passar a dor da separação, da ausência de amor, verdadeiro oposto do sentimento maior. O que não podemos fazer é negar os fatos, por mais que doa (e demore) admiti-los.
Não há como medir dor, ou o tempo de luto enquanto ela não se vai. Se um dia o sentimento será somente nostálgico? O dia que eu passar por isso, prometo que conto. O que vale é entender que mudanças acontecem, e achar que não, é mentir com a cara mais lavada do mundo pra você mesmo. Renato Russo não errou, essa é, sim, a pior mentira. Mudança acontece, e a culpa não é de ninguém; ela só acontece e pronto. Dói quando a gente quer explicação e não acha, né?
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Mudanças
Um dia, não sei quem, nem quando, nem em que circunstâncias, me disseram que ninguém nunca mudaria por mim. Confesso que naquela época não levei como informação válida. 'Pra que que eu vou querer que alguém mude por mim? Pra jogar na minha cara depois?'. Eu devia ter uns 15 anos, ou menos, sei lá. Sábia que eu era, e não sabia...
O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...
Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.
Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.
Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...
O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...
Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.
Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.
Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...
terça-feira, 22 de julho de 2008
Quando a mudança vem de dentro
Sempre que eu mudo alguma coisa na minha vida, a primeira coisa que muda junto é a minha aparência. Não sei por que. Quando mudei de país, cortei a franja. Quando fui cursar Letras, emagreci. Mudei de colégio, e de unhas. Entrei na faculdade, mudei de óculos. Coisinhas que, confesso, ninguém nunca reparou. Mas hoje, eu reparei, e vi que fazia diferença pra mim, e isso que era importante. Esse meu lado egoísta de ser feliz comigo mesma sempre me fez bem.
Os anos passaram e a mudança foi de "com o amor da minha vida" pro "continuo buscando essa alma gêmea". Difícil e extremamente doloroso, mas hoje, quase um ano depois do começo de mudança, consigo ver claramente: é só uma mudança como outra qualquer. E como todas as mudanças da minha vida, comecei a me mudar por fora. Só que dessa vez, com plena e proposital consciência disso.
Mudei de roupas, mudei os móveis do quarto, troquei de computador, comprei dezenas de bolsas, mochilas novas, fiz um piercing. Viajei muito e mudei de estilo. Fiz novos amigos, até mais simpática com quem não era eu comecei a ser. Tudo pra mostrar que eu estava mudando, que a mudança é escolha minha. Se foi escolha minha ou não, o que importa é que aconteceu. Mudança, é hora de sair daqui prum outro lugar. Viremos a página, escrevamos novas linhas.
Foi quando eu dei fim a pedaços de mim. São só sites, só umas fotos, mas pra mim foi como se eu tivesse ido dormir uma e acordado outra, completamente diferente: completamente resolvida. Daí pra mudar o cabelo foi um pulo; um pulo pra ficar feliz. Só que dessa vez, todo mundo percebeu. Qual a diferença dessa mudança pras outras, meu cabelo está 30 centímetros mais curto? Não, é que a mudança, pra ser real, tem que vir de dentro. E quando vem, a gente não precisa contar: dá pra ver nos olhos. No meu caso, até nas palavras.
Os anos passaram e a mudança foi de "com o amor da minha vida" pro "continuo buscando essa alma gêmea". Difícil e extremamente doloroso, mas hoje, quase um ano depois do começo de mudança, consigo ver claramente: é só uma mudança como outra qualquer. E como todas as mudanças da minha vida, comecei a me mudar por fora. Só que dessa vez, com plena e proposital consciência disso.
Mudei de roupas, mudei os móveis do quarto, troquei de computador, comprei dezenas de bolsas, mochilas novas, fiz um piercing. Viajei muito e mudei de estilo. Fiz novos amigos, até mais simpática com quem não era eu comecei a ser. Tudo pra mostrar que eu estava mudando, que a mudança é escolha minha. Se foi escolha minha ou não, o que importa é que aconteceu. Mudança, é hora de sair daqui prum outro lugar. Viremos a página, escrevamos novas linhas.
Foi quando eu dei fim a pedaços de mim. São só sites, só umas fotos, mas pra mim foi como se eu tivesse ido dormir uma e acordado outra, completamente diferente: completamente resolvida. Daí pra mudar o cabelo foi um pulo; um pulo pra ficar feliz. Só que dessa vez, todo mundo percebeu. Qual a diferença dessa mudança pras outras, meu cabelo está 30 centímetros mais curto? Não, é que a mudança, pra ser real, tem que vir de dentro. E quando vem, a gente não precisa contar: dá pra ver nos olhos. No meu caso, até nas palavras.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Quando a dor passa
Eu achei que ia ficar muito feliz quando a dor finalmente passasse. Que ia sair pelos quatro cantos da cidade cantarolando, ia fazer mais amizades do que já costumo fazer, ia estar disposta, irradiando bom humor. Sei lá, pensei que ia voltar às vontades antigas, voltar com os sites que quis tirar do ar, voltar a ser a pessoa que era antes da turbulência, e por que não dizer, antes do que me causou essa turbulência. Eu era tão feliz ali, ora bolas, antes de tudo isso. Não que durante esse tempo eu não tenha sido feliz, claro que fui - é que eu acho que, depois da mágoa, acaba sendo natural os questionamentos. Onde foi que eu errei, meu Deus? Ele me merecia? Eu aturei demais? Fui uma boa namorada, companheira? Valeu a pena?
Valeu. Definitivamente, valeu. Pra repetir? Depende do que se quer, daqui pra frente. Aí vai depender de cada um. Sobre os questionamentos, que eu acho que independe - TODO MUNDO tem. Pensei, e não foi pouco. O que mais me doía era entender, e saber onde foi que eu tinha errado. Poxa, eu tentei fazer o certo! É, eu tentei. Tentei fazer o que EU achava ser o certo. Será que era o mesmo certo da outra parte? Que as pessoas são diferentes isso todo mundo sabe, e por mais difícil que seja, tentam se aceitar. Mas entender que os pensamentos, questões e objetivos também diferem, são outros quinhentos.
Eu não quero um cara ciumento. 70% das minhas amigas pensam diferente. Eu adoro sair sozinha, com amigos ou meus pais, somente. 60% delas incluem os namorados em 100% das vezes que podem. Compromisso, pra mim, é babela. Sou a favor do comprometimento. Não conheço meia dúzia de pessoas que pensam como eu. Vai ver que é porque eu não saio perguntando isso pros outros, vá saber. A questão é que espera-se por coisas diferentes, e decepciona-se pelas mesmas. Esperamos pelo que pode não vir, e pelo que jamais virá se não for dito. Mudanças, convites, palavras, momentos. A gente imagina coisas e espera que o outro adivinhe. Não vai. Não se a pessoa não esperar o mesmo de você.
E foi quando eu entendi: claro que eu errei. Fiz o que queria que fizessem por mim. Ele não era eu, portanto não esperava o mesmo que eu. Ah, bem... Hum. Então eu fiz o certo? Bom, ao menos eu fiz achando que era. De coração. E aprendi, afinal. Da próxima vez, deixemos claro o que esperar, pra não criar falsas expectativas, pra que ninguém se decepcione e deixe o outro vendido, afinal decepção por algo que a pessoa nem fazia idéia que existia é coisa de maluco. Enfim, conclusões pós-pensamentos infinitos.
Mas onde quero chegar é que a felicidade estapada não está na minha cara. Não. Ela esteve por uns tempos, estampando uma felicidade real, porém rasa. Tira a tampa do ralo e fim. Só que eu não permitia que me tirassem a tampa. E deixei a estampa ali, enquanto a dor não passava. Hoje, ela passou. Deixou uns vestígios de passado, de lembranças, talvez até de saudades, mas passou. A dor, e a estampa. Hoje, justamente hoje, a estampa da felicidade não está na minha cara. A sensação de que a dor passou existe, sem que ninguém precise ler no meu rosto: está dentro de mim. Porque tem muita gente feliz pela minha dor que passou - mas ninguém mais do que eu esperou tanto, e contou os dias, por isso.
Valeu. Definitivamente, valeu. Pra repetir? Depende do que se quer, daqui pra frente. Aí vai depender de cada um. Sobre os questionamentos, que eu acho que independe - TODO MUNDO tem. Pensei, e não foi pouco. O que mais me doía era entender, e saber onde foi que eu tinha errado. Poxa, eu tentei fazer o certo! É, eu tentei. Tentei fazer o que EU achava ser o certo. Será que era o mesmo certo da outra parte? Que as pessoas são diferentes isso todo mundo sabe, e por mais difícil que seja, tentam se aceitar. Mas entender que os pensamentos, questões e objetivos também diferem, são outros quinhentos.
Eu não quero um cara ciumento. 70% das minhas amigas pensam diferente. Eu adoro sair sozinha, com amigos ou meus pais, somente. 60% delas incluem os namorados em 100% das vezes que podem. Compromisso, pra mim, é babela. Sou a favor do comprometimento. Não conheço meia dúzia de pessoas que pensam como eu. Vai ver que é porque eu não saio perguntando isso pros outros, vá saber. A questão é que espera-se por coisas diferentes, e decepciona-se pelas mesmas. Esperamos pelo que pode não vir, e pelo que jamais virá se não for dito. Mudanças, convites, palavras, momentos. A gente imagina coisas e espera que o outro adivinhe. Não vai. Não se a pessoa não esperar o mesmo de você.
E foi quando eu entendi: claro que eu errei. Fiz o que queria que fizessem por mim. Ele não era eu, portanto não esperava o mesmo que eu. Ah, bem... Hum. Então eu fiz o certo? Bom, ao menos eu fiz achando que era. De coração. E aprendi, afinal. Da próxima vez, deixemos claro o que esperar, pra não criar falsas expectativas, pra que ninguém se decepcione e deixe o outro vendido, afinal decepção por algo que a pessoa nem fazia idéia que existia é coisa de maluco. Enfim, conclusões pós-pensamentos infinitos.
Mas onde quero chegar é que a felicidade estapada não está na minha cara. Não. Ela esteve por uns tempos, estampando uma felicidade real, porém rasa. Tira a tampa do ralo e fim. Só que eu não permitia que me tirassem a tampa. E deixei a estampa ali, enquanto a dor não passava. Hoje, ela passou. Deixou uns vestígios de passado, de lembranças, talvez até de saudades, mas passou. A dor, e a estampa. Hoje, justamente hoje, a estampa da felicidade não está na minha cara. A sensação de que a dor passou existe, sem que ninguém precise ler no meu rosto: está dentro de mim. Porque tem muita gente feliz pela minha dor que passou - mas ninguém mais do que eu esperou tanto, e contou os dias, por isso.