Eu já tinha esquecido como era sentir essas coisas. Foi bom ter voltado a impressão de borbeletas no estômago quando o carro vem chegando, ou quando eu via da portaria, olhando pra fora do portão. É claro que eu gostava, era boa a sensação de cosia nova, sentimento novinho em folha chegando pra deixar a gente mais calma, vendo o mundo com mais cor novamente. Paixãozinha de verão (ou seja lá de que estação for) tem esse poder de dar alegrias únicas, e quase sempre muito bem-vindas. No meu caso, mais do que bem-vinda, ela foi quase uma benção no momento certo.
Foi ótimo, não minto e pelo contrário, assumo. Mas mais do que isso, eu confesso que não esperava. Não, mesmo. Primeiro porque ainda achava nutrir resquícios. Bom, se nutria ou não, nem tenho como saber, porque entrando nesse mérito, haja psicologia e de cabeça eu não entendo, quanto muito de coração, e pelo que eu vi e passei nessa vida. Quase 23 anos não me dão muita bagagem, mas vamos lá. Achava que vivia de um passado que já tinha passado e eu só eu que não via. Não sei por que, eu procurei, e não sei por que. Mas vivi, e já achava que era tempo de parar.
Se apaixonar, viver uma nova história é sem dúvida a resposta pro esquecimento total de um passado que tenha sido ou não feliz - não importa, somente importante que ele passou e é isso que a gente precisa, mais cedo ou mais tarde, mais do que encarar: entender. Eu entendi que passou, e mais do que isso, eu não quero mais que não tenha passado. Porque eu descobri que eu posso sentir de novo. E novamente, mais do que isso, eu descobri que o amor pode não só vir de novo: ele pode vir melhor, mais maduro, mais saudável. Mesmo que isso negue todas as teorias que eu tinha. Mas teorias foram mesmo pra serem derrubadas.
É claro que dá medo, eu tô morrendo de pavor de passar por todo o sofrimento de outrora de novo, quem não estaria? Mas o risco é preciso correr. Primeiro porque tem sido bom, e de coisas boas eu não costumo de desfazer, ainda mais por medo. Um dia me prometi que nunca mais deixo de lado minhas vontades por medo do amanhã, e tenho cumprido há cinco anos. Vamos ver onde isso vai dá, a gente nunca sabe. Mas o melhor é saber que, se infelizmente durar menos do que eu previa, tudo bem. É bom saber que nunca vai ser o último. É bom saber que a gente pode amar de novo.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
sexta-feira, 20 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Vergonha
Não tenho vergonha de admitir que chorei. Chorei mesmo, e não foi pouco. Recebi olhares de pena, de compaixão e muitos de compreensão - muita gente que já passou por isso e me entendia.
Não me envergonho em dizer que tomei esporro por chorar por uma coisa tão pequena, por não entender mais rápido que dor de amor não mata nem tem que doer tanto assim.
Não tenho vergonha.
De ter deixado prováveis belas histórias de amor perdidas pelo caminho, e todas inacabadas. Eu ainda não estava pronta, e acreditava que se eu não conseguisse dar o melhor de mim, de nada valia.
Não me envergonho de ter ligado, ter dado a cara a tapa e ter sido alvo se chacota. Não me importei de ter precisado passar por isso, cada um passa pelo que tem que passar mesmo.
Aceitei o meu destino. Não me deu vergonha.
Não tenho vergonha de levantar a cabeça e dizer que venci. Eu sei que achei que era eterno e por isso, por dizer que deixei pra trás, não me envergonho de parecer mentirosa. Só eu sei que não fui, nunca fui.
Não me envergonho de ter aprendido muito mais do que ensinado.
Não tenho vergonha de nada, nem dos erros conscientes, nem dos acertos tortuosos; de nada.
Eu não tenho vergonha dessa parte da minha história. Não mais.
Não me envergonho em dizer que tomei esporro por chorar por uma coisa tão pequena, por não entender mais rápido que dor de amor não mata nem tem que doer tanto assim.
Não tenho vergonha.
De ter deixado prováveis belas histórias de amor perdidas pelo caminho, e todas inacabadas. Eu ainda não estava pronta, e acreditava que se eu não conseguisse dar o melhor de mim, de nada valia.
Não me envergonho de ter ligado, ter dado a cara a tapa e ter sido alvo se chacota. Não me importei de ter precisado passar por isso, cada um passa pelo que tem que passar mesmo.
Aceitei o meu destino. Não me deu vergonha.
Não tenho vergonha de levantar a cabeça e dizer que venci. Eu sei que achei que era eterno e por isso, por dizer que deixei pra trás, não me envergonho de parecer mentirosa. Só eu sei que não fui, nunca fui.
Não me envergonho de ter aprendido muito mais do que ensinado.
Não tenho vergonha de nada, nem dos erros conscientes, nem dos acertos tortuosos; de nada.
Eu não tenho vergonha dessa parte da minha história. Não mais.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Como a cabeça da gente (não) funciona
Pára com isso! Será que você não vê, não percebe que está se enganando? Será que tu não nota que essa dor toda é você mesma quem está se causando? Você realmente acha que ele te ama, ou que te amou? Se foi ele mesmo quem disse, com a própria boca, usando suas próprias palavras, que não?! Como é que você acha que ele ia inventar tudo isso, a troco de quê? Ah, ele está mentindo?! Tá bom. Que esteja. E as atitudes, mentem também? A forma como ele te trata, aliás, a forma como ele NÃO te trata. Minha filha, ele te ignora completamente, há muito tempo, e só você que não vê. Ou não quer ver. Orgulho? Mané orgulho. Quem ama mesmo, quem ama mais do que tudo, joga o orgulho pra debaixo do tapete. Sim, mesmo que ele seja imaturo, que esteja ouvindo os amigos, ou aquela família maluca dele. Quando a gente quer de verdade, enfrenta tudo, enfrenta todos, nem pensa no amanhã. Tá, exagerei, a gente sabe quem nem sempre é assim, ok, você venceu. Mas ao menos pra você ele diria a verdade. Ou você é uma louca que ficaria indo atrás dele, se soubesse que ele te ama mas que vocês, por razão qualquer, não pudessem ou não fossem ficar juntos? Bom, aí pode ser. Ah... Mas mesmo assim. E as demonstrações de que a vida dele vai bem, obrigada, aliás bem demais sem voce?! Tudo fachada, no fundo você acha que ele chora à noite e nem dorme direito por sua causa?! Me poupe! É muita falta de noção e amor-próprio, a forma como você pensa, como a sua cabeça funciona de forma que você realmente acredite nessas coisas, nesses argumentos sem qualquer fundamento. Tá, com alguma probabilidade de ser verdade, mas falemos em números e mesmo você não sendo muito boa em matemática, não precisa ser um gênio pra sacar que ele caga na sua cabeça, quase que literalmente. Mesmo que você tenha agido assim com outras pessoas antigamente, mesmo que eu também tenha feito isso. Mesmo que saibamos quão normal e quase fácil é fazer isso tudo. Mesmo assim... Mesmo assim? Ah, sei lá. Vai que ele gosta de você mesmo, né? Vai que gosta... Ah, sei lá...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A vida me ensinou tanta coisa...
Me ensinou que paciência é uma virtude que eu achava não possuir, e mesmo achando que estou longe do ideal, ainda, a vida me mostrou que eu posso ser mais paciente do que jamais imaginei, em momentos que também jamais pensei passar...
A vida me ensinou que a gente só passa por certas coisas pra que aprendamos e porque somos forte. Se não fôssemos capazes, a vida não nos faria um teste tão cruel, mesmo que a maior parte dos desafios nós passemos reclamando e tendo certeza que não sairemos nunca dessa. Mas a gente sempre sai. E mais forte.
A vida me ensinou que planos foram feitos pra nos dar uma base do que traçamos pra nós mesmos - onde nos vemos olhando prum futuro talvez não muito distante? Mas a vida também me ensinou que planos foram feitos pra serem arquivados, e que devemos viver um dia de cada vez - a vida tem certeza que a gente nunca sabe o nosso dia de amanhã.
A vida nos dá uma série de sinais quando sofremos de que tudo passa. Às vezes a gente não demora pra perceber, às vezes a gente percebe no crescimento da filha da sua vizinha que outro dia estava na barriga dela. Mas às vezes a gente acaba deixando os sinais de lado, só passando, e no fim das contas nem percebe que as coisas passam pra gente também.
A vida me ensinou que amor é coisa que dá e passa, e quebrou todas as minhas convicções de que eu só ia amar quando fosse eterno, pra casar e ter filhinhos, ser feliz pra sempre e morar numa casa na Lagoa. A vida me ensinou que amor não dá uma vez só, e que isso não faz de um amor nem de outro um sentimento menor ou diferente. O gostar é o mesmo, talvez a relação que não seja.
A vida me ensinou que a gente pode se tornar seres humanos que sempre abominamos, quando passamos por certas coisas, ou por causa de certas pessoas. A culpa não é de ninguém, senão nossa, quando percebemos isso, podemos mudar e não queremos. A vida ensina que mudar dá medo mas que faz parte, e um dia não vai doer olhar pra trás.
A vida ensina a gente que experiências foram feitas pra tirarmos o que melhor elas podem nos ensinar. A gente sabe disso, e quando enfrenta uma barra, reza pra que acabe logo, esperando o aprendizado. Mas a vida me ensinou que é nesse caminho, nessa "espera" que está o maior ensinamento.
Não sei, mas foi a vida que me ensinou ou foi você?
A vida me ensinou que a gente só passa por certas coisas pra que aprendamos e porque somos forte. Se não fôssemos capazes, a vida não nos faria um teste tão cruel, mesmo que a maior parte dos desafios nós passemos reclamando e tendo certeza que não sairemos nunca dessa. Mas a gente sempre sai. E mais forte.
A vida me ensinou que planos foram feitos pra nos dar uma base do que traçamos pra nós mesmos - onde nos vemos olhando prum futuro talvez não muito distante? Mas a vida também me ensinou que planos foram feitos pra serem arquivados, e que devemos viver um dia de cada vez - a vida tem certeza que a gente nunca sabe o nosso dia de amanhã.
A vida nos dá uma série de sinais quando sofremos de que tudo passa. Às vezes a gente não demora pra perceber, às vezes a gente percebe no crescimento da filha da sua vizinha que outro dia estava na barriga dela. Mas às vezes a gente acaba deixando os sinais de lado, só passando, e no fim das contas nem percebe que as coisas passam pra gente também.
A vida me ensinou que amor é coisa que dá e passa, e quebrou todas as minhas convicções de que eu só ia amar quando fosse eterno, pra casar e ter filhinhos, ser feliz pra sempre e morar numa casa na Lagoa. A vida me ensinou que amor não dá uma vez só, e que isso não faz de um amor nem de outro um sentimento menor ou diferente. O gostar é o mesmo, talvez a relação que não seja.
A vida me ensinou que a gente pode se tornar seres humanos que sempre abominamos, quando passamos por certas coisas, ou por causa de certas pessoas. A culpa não é de ninguém, senão nossa, quando percebemos isso, podemos mudar e não queremos. A vida ensina que mudar dá medo mas que faz parte, e um dia não vai doer olhar pra trás.
A vida ensina a gente que experiências foram feitas pra tirarmos o que melhor elas podem nos ensinar. A gente sabe disso, e quando enfrenta uma barra, reza pra que acabe logo, esperando o aprendizado. Mas a vida me ensinou que é nesse caminho, nessa "espera" que está o maior ensinamento.
Não sei, mas foi a vida que me ensinou ou foi você?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
E pra esquecer quem se pensava conhecer tão bem?
Ontem fui dormir pensando em você. Tinha tempo que a sua ausência não me pesava o sono. Quase perdi a hora essa manhã, me atrasei pra aula e sei que vou ficar com sono o dia todo. Mas não é isso o que me incomoda. Antes fosse cansaço, o meu problema. Antes fosse você, o meu problema. Porque realmente foi, antes. Mas há muito que não é. Que não somos mais nada que não passado um do outro. Que não nos temos notícias, que não nos procuramos, que não queremos mais saber. Ou queremos mas não fazemos - como eu -, ou fazemos mas o outro não sabe, como eu nunca devo saber.
Incomodou. Saber que de alguma forma você ainda impacta minha vida, é capaz de afetar meus dias, ou meus pensamentos, mesmo depois de tanta coisa, de tanto tempo, me assustou. Não tem fim? Ontem ouvi que demoramos o tempo que durou a relação para esquecer aquela pessoa de vez, de verdade. Ou seja, quem namora dois anos, leva outros dois pra esquecer aquele amor de vez e partir pra outro novo. Na hora não fez sentido, mas hoje quando acordei pensei melhor.
Não que eu viva com a cabeça nos dias que passaram, só fale em você e na nossa história, mas vou enganar a quem, mentindo que você passou e eu parti pra outra? Não sei se gosto mais, e só saberia se te visse – o que, se eu puder escolher, não acontecerá – mas ainda há resquícios. Seus fantasmas ainda atormentam minha rotina e, certamente, as prováveis relações que eu venho tentando manter. Eu te comparo com os outros.
O engraçado (?) é que eu não quero outro você, mas procuro suas qualidades incessantemente. Eu quero seu lado bom e seu lado ruim consertado. Eu quero um alguém que você não foi pra mim, um você que eu passei todo o tempo tentando transformar. E tenho certeza que você procura isso também: uma eu que você amava, numa versão que não consegui ser – uma eu mesma que, se você pudesse, mudava.
As exigências são erradas – eu reconheço, e quando escrevo é porque assumo. Não achei respostas, ainda. Tenho recorrido às soluções rápidas, tentando tapar o sol com a peneira mas, claro, não vem funcionando. A gente aprende é com os erros, eu sei, mas até quando? Se for seguir pelas contas, no total me são o que, dois anos?
Incomodou. Saber que de alguma forma você ainda impacta minha vida, é capaz de afetar meus dias, ou meus pensamentos, mesmo depois de tanta coisa, de tanto tempo, me assustou. Não tem fim? Ontem ouvi que demoramos o tempo que durou a relação para esquecer aquela pessoa de vez, de verdade. Ou seja, quem namora dois anos, leva outros dois pra esquecer aquele amor de vez e partir pra outro novo. Na hora não fez sentido, mas hoje quando acordei pensei melhor.
Não que eu viva com a cabeça nos dias que passaram, só fale em você e na nossa história, mas vou enganar a quem, mentindo que você passou e eu parti pra outra? Não sei se gosto mais, e só saberia se te visse – o que, se eu puder escolher, não acontecerá – mas ainda há resquícios. Seus fantasmas ainda atormentam minha rotina e, certamente, as prováveis relações que eu venho tentando manter. Eu te comparo com os outros.
O engraçado (?) é que eu não quero outro você, mas procuro suas qualidades incessantemente. Eu quero seu lado bom e seu lado ruim consertado. Eu quero um alguém que você não foi pra mim, um você que eu passei todo o tempo tentando transformar. E tenho certeza que você procura isso também: uma eu que você amava, numa versão que não consegui ser – uma eu mesma que, se você pudesse, mudava.
As exigências são erradas – eu reconheço, e quando escrevo é porque assumo. Não achei respostas, ainda. Tenho recorrido às soluções rápidas, tentando tapar o sol com a peneira mas, claro, não vem funcionando. A gente aprende é com os erros, eu sei, mas até quando? Se for seguir pelas contas, no total me são o que, dois anos?
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Quanto tempo leva pra se conhecer alguém de verdade?
A discussão tá quente. Duas acham que dois anos é tempo suficiente pra se conhecer bem alguém. Uma delas, inclusive, acha que conhece super bem o namorado com quem está junto há um ano. Eu e o outro discordamos. Ele morou junto com a ex o mesmo tempo que eu praticamente fiz o mesmo. Ambos vimos que a gente sempre acha que conhece a pessoa, mas é convivendo todo dia, debaixo do mesmo teto, durante realmente um bom tempo, é que a gente vê como as pessoas são, e como elas reagem de verdade nessa ou naquela ocasião.
Parece que não, mas mesmo se vendo todo dia, numa refeição ou rapidinho de noite, é nos problemas juntos, na divisão das contas, nos problemas diários, numa rotina normal que a gente passa a conhecer o outro, sabe o que esperar e principalmente o que não esperar daquela relação. Defeito de fim de semana não é defeito, é característica. Ver olho remelento nas viagens de verão ou numa ou outra noite é pinto. Vai ver todo dia, beijar a boca de bafo matinal sem nem perceber mais, preparar comida, ter que lavar a louça, passar o pano pra tirar o pó, aturar o mau humor.
Nós, o "time dos que acham dois anos são duas semanas", votamos numa prévia antes de casar: todo mundo que for assinar papel, andar pela igreja, TEM que morar junto antes. Saber como o outro realmente é, mesmo que esconder certas coisas acabe sendo sem querer. A gente acha que isso evitaria muito divórcio por aí, e as pessoas poderiam aprender a ser mais pacientes, maleáveis e compreensivas. Porque essas características, ao contrário do que pensa o "time dos que pensam que dois anos são uma eternidade", não são feitas de capacidade de engolir sapo.
No final das contas, nenhum de nós quatro sabe quanto tempo se leva pra conhecer realmente alguém. Ou porque dois anos é pouco demais, ou porque nossos antigos pares tenham se escondido muito bem de nós por esse tempo todo, e um belo dia resolveram sair da casca - pode até ser. Mas, verdade seja dita: quando alguém que conhecemos há muito (ou que pensamos muito conhecer) nos surpreende de alguma maneira nada boa, a sensação de 'onde eu estava que nunca vi isso' traz uma impotência, um ar de incapacidade sem tamanho. Ah, mané dois anos!!
Parece que não, mas mesmo se vendo todo dia, numa refeição ou rapidinho de noite, é nos problemas juntos, na divisão das contas, nos problemas diários, numa rotina normal que a gente passa a conhecer o outro, sabe o que esperar e principalmente o que não esperar daquela relação. Defeito de fim de semana não é defeito, é característica. Ver olho remelento nas viagens de verão ou numa ou outra noite é pinto. Vai ver todo dia, beijar a boca de bafo matinal sem nem perceber mais, preparar comida, ter que lavar a louça, passar o pano pra tirar o pó, aturar o mau humor.
Nós, o "time dos que acham dois anos são duas semanas", votamos numa prévia antes de casar: todo mundo que for assinar papel, andar pela igreja, TEM que morar junto antes. Saber como o outro realmente é, mesmo que esconder certas coisas acabe sendo sem querer. A gente acha que isso evitaria muito divórcio por aí, e as pessoas poderiam aprender a ser mais pacientes, maleáveis e compreensivas. Porque essas características, ao contrário do que pensa o "time dos que pensam que dois anos são uma eternidade", não são feitas de capacidade de engolir sapo.
No final das contas, nenhum de nós quatro sabe quanto tempo se leva pra conhecer realmente alguém. Ou porque dois anos é pouco demais, ou porque nossos antigos pares tenham se escondido muito bem de nós por esse tempo todo, e um belo dia resolveram sair da casca - pode até ser. Mas, verdade seja dita: quando alguém que conhecemos há muito (ou que pensamos muito conhecer) nos surpreende de alguma maneira nada boa, a sensação de 'onde eu estava que nunca vi isso' traz uma impotência, um ar de incapacidade sem tamanho. Ah, mané dois anos!!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
É engraçado...
Certos dias eu acho engraçado o fato de ter passado tanto tempo sem conseguir esquecer dos mínimos detalhes da gente junto. Dos cheiros, das palavras, sorrisos, as roupas, os momentos que não estavam nas fotos nem nos vídeos que fizemos e que eu salvei num CD qualquer e escondi, pra nem tão cedo pegar pra ver. Acho curioso todo o tempo em que passei por ruas, lugares, cidades e não ter tido como não pensar em você. Era como se você tivesse sido toda a minha vida, e não somente uma parcela tão pequena, por mais que tenha sido significativa - aquela velha história de que as coisas duram o tempo suficiente para se tornarem inesquecíveis.
Engraçado também foi a etapa seguinte, de passar por tudo isso, de lembrar de todas essas coisas mas, ao mesmo tempo, brigar com todas essas lembranças e tentar esquecer. Medir palavras, evitar ficar falando muito nisso. Sempre pensei que funcionava, mas a verdade é que a gente não sabe o que realmente funciona ou se só resolveu daquela vez, se havia outro aspecto. A gente nunca sabe a fórmula perfeita. Mas tenta. E eu tentei com todas as minhas forças não ficar lembrando, mesmo que pra isso evitasse de todas as maneiras que podia. Engraçado, ter tido que podar minhas atitudes pra tentar sofrer menos.
Achei engraçado quando finalmente as lembranças foram sumindo, e quando vi, já tinha que fazer esforço para lembrar de algo. É claro que certas coisas a gente nunca esquece, mas que quase todas elas sumiriam dessa maneira, com essa facilidade, mesmo que demorada, mas não deixa de ser fácil, isso eu honestamente não sabia. Ou não esperava. Quando a gente ama, quando a gente acha que achou o amor da nossa vida, nunca pensa que acaba. E quando pensa, acha engraçado como passamos a ser simplesmente nada na vida um do outro, um dia. Achamos engraçado nem conhecer mais aquele outro que nos era tão familiar. Achamos... Ou não?
Engraçado também foi a etapa seguinte, de passar por tudo isso, de lembrar de todas essas coisas mas, ao mesmo tempo, brigar com todas essas lembranças e tentar esquecer. Medir palavras, evitar ficar falando muito nisso. Sempre pensei que funcionava, mas a verdade é que a gente não sabe o que realmente funciona ou se só resolveu daquela vez, se havia outro aspecto. A gente nunca sabe a fórmula perfeita. Mas tenta. E eu tentei com todas as minhas forças não ficar lembrando, mesmo que pra isso evitasse de todas as maneiras que podia. Engraçado, ter tido que podar minhas atitudes pra tentar sofrer menos.
Achei engraçado quando finalmente as lembranças foram sumindo, e quando vi, já tinha que fazer esforço para lembrar de algo. É claro que certas coisas a gente nunca esquece, mas que quase todas elas sumiriam dessa maneira, com essa facilidade, mesmo que demorada, mas não deixa de ser fácil, isso eu honestamente não sabia. Ou não esperava. Quando a gente ama, quando a gente acha que achou o amor da nossa vida, nunca pensa que acaba. E quando pensa, acha engraçado como passamos a ser simplesmente nada na vida um do outro, um dia. Achamos engraçado nem conhecer mais aquele outro que nos era tão familiar. Achamos... Ou não?
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Ninguém morre de amor
E não morre mesmo, não adianta tentar me convencer do contrário. Eu sempre desconfiei que as pessoas exageravam no quesito "estou sofrendo", desde novinha. Até que vi de perto pessoas muito queridas e nada dramáticas (muito pelo contrário) sofrerem de amor. Acompanhei de perto, e vi que dor de amor podia ser mais séria do que eu pensava. Mas ainda não matava. Um dia, quase ao mesmo tempo, uma grande amiga e eu passamos por isso, sofremos essa dor maldita pela qual todo mundo sofre um dia na vida - mesmo que seja por um amor platônico. E doeu. Ah, mas doeu. Primeiro, porque quando a gente ama e acha que é pra sempre, jamais se prepara (nem vê motivo para isso) para um suposto fim. Segundo que quando esse fim chega e o sentimento ainda existe, a gente acaba percebendo que nunca pensou que doesse tanto.
Dores demoram mais ou menos pra passar, e as pessoas lidam com isso de maneiras distintas - não que alguma seja certa ou errada. Minha amiga e eu agimos de maneiras completamente diferentes. Enquanto eu sofri até a última gota todo o sofrimento que tinha comigo, falando tudo o que tinha pra ser dito (e, de repente, demorou demais), todas as perguntas que eu ainda tinha foram feitas, os pensamentos esgotados e a saudade também, ela não. Ela preferiu varrer pra debaixo do tapete uma dor que já não agüentava mais sentir. Namorou um, dois, três, ainda chorando o passado. E foi esquecendo o amor sofrido. Os anos passaram pra ela, os meses passaram pra mim. E hoje, a conclusão é a mesma, apesar dos meios: o passado passou, e a gente já nem consegue lembrar mais.
"É, Nina, ninguém morre de amor." A gente pode sofrer, chorar de verdade, sentir uma dor real, mas a certeza de que amor não mata nos deu um certo conforto. Talvez para se entregar com mais suavidade na próxima relação, talvez para dar menos peso a uma coisa que não merece tanto. O tempo, e principalmente o que aconteceu nesse tempo, nos ensinou muita coisa. Porque acertar nos ensina a fórmula certa, mas errar nos ensina a reconhecer, pedir desculpa e erguer a cabeça porque nunca é o fim do mundo. Não que o amor não reje o universo - ele é o causador de todas as coisas, boas e ruins. Mas outros tipos de amores, que não os de namorados e namoradas, um dia a gente aprende que podem ser mais importantes...
Dores demoram mais ou menos pra passar, e as pessoas lidam com isso de maneiras distintas - não que alguma seja certa ou errada. Minha amiga e eu agimos de maneiras completamente diferentes. Enquanto eu sofri até a última gota todo o sofrimento que tinha comigo, falando tudo o que tinha pra ser dito (e, de repente, demorou demais), todas as perguntas que eu ainda tinha foram feitas, os pensamentos esgotados e a saudade também, ela não. Ela preferiu varrer pra debaixo do tapete uma dor que já não agüentava mais sentir. Namorou um, dois, três, ainda chorando o passado. E foi esquecendo o amor sofrido. Os anos passaram pra ela, os meses passaram pra mim. E hoje, a conclusão é a mesma, apesar dos meios: o passado passou, e a gente já nem consegue lembrar mais.
"É, Nina, ninguém morre de amor." A gente pode sofrer, chorar de verdade, sentir uma dor real, mas a certeza de que amor não mata nos deu um certo conforto. Talvez para se entregar com mais suavidade na próxima relação, talvez para dar menos peso a uma coisa que não merece tanto. O tempo, e principalmente o que aconteceu nesse tempo, nos ensinou muita coisa. Porque acertar nos ensina a fórmula certa, mas errar nos ensina a reconhecer, pedir desculpa e erguer a cabeça porque nunca é o fim do mundo. Não que o amor não reje o universo - ele é o causador de todas as coisas, boas e ruins. Mas outros tipos de amores, que não os de namorados e namoradas, um dia a gente aprende que podem ser mais importantes...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Meu medo
Era esse o meu medo. Era exatamente esse. Que eu virasse pra trás e percebesse que o tempo passou voando. Que todas aquelas horas que pareciam intermináveis, que todas aquelas lágrimas que me doeram de maneira indescritível, virassem só lembranças. Por mais que tivesse doído, por mais que eu tivesse rezado pra todos os santos e tivesse cantado todos os mantras que me indicaram, ainda assim, eu não imaginava como seria quando tudo finalmente passasse. Eu não fazia idéia que isso tudo ia realmente passar. Eu torcia para que sim, escrevia acreditada que passaria, eram os conselhos que me diziam, como eu poderia não acreditar (?!). Mas no fundo, eu achava que me doeria para sempre. Achava que aquela marca, aquela mágoa terrível, tão temível, jamais sararia. Achava que as seqüelas seriam eternas - eu achava. Mas não foram. Um belo dia eu acordei e tentei te achar: você tinha ficado pra trás.
Você, e todo aquele sentimento doloroso de que o passado finalmente passou. Os dias que passaram arrastados, os pensamentos que jamais cessavam, que me infernizaram durante tanto tempo, sumiram. Simplesmente sumiram. E eu nem vi quando. Nem vi quando fizeram as malas, quando iam aos poucos. Pergunto-me se a dor me deixou aos poucos, ou foi de uma vez. Confesso que não senti, não vi. Sei que demorou, claro que sei. As lembranças da dor eu tenho, todas elas, decoradas de trás pra frente, se quiser. Mas hoje são só lembranças, que se me bate um Alzheimer, já era. Não as sinto mais. Que doido. É muito louca essa coisa de querer muito uma coisa, mantendo a certeza de que jamais acontecerá, e de repente ganhar de presente assim, sem aviso prévio, sem dó nem piedade. Sim, porque a gente não está preparado para um golpe pelas costas, mas também não está pronto para o fim de uma dor que acabou virando companhia.
Uma vez me disseram para termos muito cuidado com o que pedimos. Nunca levei isso muito a sério, até ter minhas orações atendidas. Demoraram, ou não, levaram o tempo que deveriam mesmo levar - vá saber. Os deuses devem ter seus motivos. Pedido feito, pedido atendido: sua dor foi embora. Sua dor virou história. História. Passado. Acabou, segue em frente e deixa tudo isso pra trás. Opa, muito obrigada, deixa eu fechar essa porta e partir pro próximo capítulo. Você volta algumas páginas e não consegue mais se ver ali, nos parágrafos passados. Relê as histórias, você vê as fotos, e não se vê ali. Parece que é um outro alguém, um outro você. É muito esquisito. Estranho como conseguir sair de uma rotina que virou costume. A falta da dor é muito parecida. É muito difícil seguir em frente - e dá muito medo. Coragem é assumir isso, e começar um novo parágrafo. Dessa vez, no capítulo seguinte.
Você, e todo aquele sentimento doloroso de que o passado finalmente passou. Os dias que passaram arrastados, os pensamentos que jamais cessavam, que me infernizaram durante tanto tempo, sumiram. Simplesmente sumiram. E eu nem vi quando. Nem vi quando fizeram as malas, quando iam aos poucos. Pergunto-me se a dor me deixou aos poucos, ou foi de uma vez. Confesso que não senti, não vi. Sei que demorou, claro que sei. As lembranças da dor eu tenho, todas elas, decoradas de trás pra frente, se quiser. Mas hoje são só lembranças, que se me bate um Alzheimer, já era. Não as sinto mais. Que doido. É muito louca essa coisa de querer muito uma coisa, mantendo a certeza de que jamais acontecerá, e de repente ganhar de presente assim, sem aviso prévio, sem dó nem piedade. Sim, porque a gente não está preparado para um golpe pelas costas, mas também não está pronto para o fim de uma dor que acabou virando companhia.
Uma vez me disseram para termos muito cuidado com o que pedimos. Nunca levei isso muito a sério, até ter minhas orações atendidas. Demoraram, ou não, levaram o tempo que deveriam mesmo levar - vá saber. Os deuses devem ter seus motivos. Pedido feito, pedido atendido: sua dor foi embora. Sua dor virou história. História. Passado. Acabou, segue em frente e deixa tudo isso pra trás. Opa, muito obrigada, deixa eu fechar essa porta e partir pro próximo capítulo. Você volta algumas páginas e não consegue mais se ver ali, nos parágrafos passados. Relê as histórias, você vê as fotos, e não se vê ali. Parece que é um outro alguém, um outro você. É muito esquisito. Estranho como conseguir sair de uma rotina que virou costume. A falta da dor é muito parecida. É muito difícil seguir em frente - e dá muito medo. Coragem é assumir isso, e começar um novo parágrafo. Dessa vez, no capítulo seguinte.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Devaneio
Ainda me lembro da frieza com que você não me disse 'adeus'. Nunca mais esqueço do vazio que uma despedida pode deixar em alguém. O silêncio do não saber acho que me doeu mais do que se você tivesse me dito adeus. A gente nunca pôs um fim na nossa história, ele simplesmente foi chegando aos poucos e eu que fiquei negando sua presença, o mais que pude. Tentei me enganar, me iludir - é verdade. Eu ainda acreditava que meu telefone ia tocar e aquele alô ia ser você. E era quando as minhas esperanças nisso estavam quase sumindo que você se fazia presente, de alguma forma. Bastava, e toda aquela ilusão de que você estava voltando, de que nosso amor não tinha acabado. Eu sabia, no fundo eu sabia que você ia voltar pra mim. E voltava. Voltava pra dizer que fomos muitos especiais, que foi tudo muito perfeito, muito lindo. E sumia de novo.
Perdi a conta das vezes que isso aconteceu, mas lembro com clareza da minha esperança resurgindo cada vez mais enfraquecida, cada vez menos acreditada - cada vez menos esperançosa. Ela ficava alegre de te ver, mas sabia que não era pra ficar. Ela sabia que você não ia mudar. No fundo, ela sabia. Foram tantos meses de cabeça e coração sofridos tentando convencê-la de que era em vão, de que não era nada doce essa maldita ilusão de você vir pra ficar, desta vez. Foram tantos meses que, uma hora, ela entendeu. Ela percebeu que você não ficaria, e com o tempo, ela mesma preferiu que você não ficasse. Ela nunca mais te perguntou se você queria voltar - deixa que é melhor assim. Ela sabia que, um dia, essa opção pelo silêncio da dúvida ainda lhe traria benefícios. Ela sentia, mesmo não sabendo como, que a certeza de algo maior curaria toda a dor.
"O amor, não o tempo, cura todas as feridas do passado."
Perdi a conta das vezes que isso aconteceu, mas lembro com clareza da minha esperança resurgindo cada vez mais enfraquecida, cada vez menos acreditada - cada vez menos esperançosa. Ela ficava alegre de te ver, mas sabia que não era pra ficar. Ela sabia que você não ia mudar. No fundo, ela sabia. Foram tantos meses de cabeça e coração sofridos tentando convencê-la de que era em vão, de que não era nada doce essa maldita ilusão de você vir pra ficar, desta vez. Foram tantos meses que, uma hora, ela entendeu. Ela percebeu que você não ficaria, e com o tempo, ela mesma preferiu que você não ficasse. Ela nunca mais te perguntou se você queria voltar - deixa que é melhor assim. Ela sabia que, um dia, essa opção pelo silêncio da dúvida ainda lhe traria benefícios. Ela sentia, mesmo não sabendo como, que a certeza de algo maior curaria toda a dor.
"O amor, não o tempo, cura todas as feridas do passado."