Parabéns pelos três anos que faríamos hoje. Faz três anos que me vi apaixonada por alguém, depois de tanto tempo sem esperanças disso acontecer de novo. Obrigada por ter devolvido a minha fé no amor. É por você que hoje, mesmo ainda te amando, guardo a certeza de que posso ser feliz de novo, mesmo depois de tanto sofrimento, mesmo depois de tanto tempo. Parabéns pelo poder de transformar meus dias vazios em momentos únicos que jamais vou esquecer. Já não me vejo mais como aquela menina que você conheceu há três anos atrás, e também devo isso a você. Obrigada pelo apoio que me deu pra que eu crescesse e buscasse meu caminho pra ser feliz. Pena que você não quis vir comigo, mas obrigada mesmo assim.
Parabéns pelos três anos de preenchimento. Por mais que não estejamos mais juntos, te sinto na minha vida, como se ainda fizesse parte dela. A gente não se fala, mas eu sei que você está lá, dentro de mim. Sei que pensa na gente de vez em quando, que lembra da gente junto quando faz algo que fazíamos sempre, como aqueles jantares de sexta-feira; como aquele canal da TV a cabo que eu adorava assistir. Assim como eu bebo pedaços de você em cada gole de vinho tinto seco, te imagino evitando sentar no nosso bar, comer no nosso restaurante e cumprimentando o nosso garçom. Obrigada por preencher a minha vida até hoje, mesmo que agora seja só de longe. Mesmo assim, obrigada.
Parabéns por ter me mostrado que a gente pode ter muitas regras, mas que nada disso importa quando a gente se apaixona. Parabéns por ter me provado de verdade o quanto você me amava - acho que nunca duvidei da sua reciprocidade. Parabéns por ter despertado em mim um amor que não era egoísta, um amor maduro que nem eu sabia que existia dentro de mim. Obrigada por ter me ajudado a ser melhor e também ter reconhecido meu pior. Foi por você que aprendi a admitir meus erros e pedir desculpas. Você destruiu o orgulho besta que eu usava muito mais do que deveria, e por isso te parabenizo e agradeço, também. Meus parabéns sinceros por tantas barreiras que eu tinha terem sido quebradas tão rápido. Pena que você mesmo criou uma e não ficou, mas obrigada.
Parabéns por adivinhar tantas vezes meus pensamentos; por ter me surpreendido sempre que eu achava que não teria mais surpresas. Parabéns por ter me ensinado que uma relação é muito mais do que eu pensava; por ter me mostrado que eu nem sempre estava tão certa assim. Obrigada por tanta coisa boa que você me trouxe - tanta, que muitas vezes eu consigo esquecer completamente todas as razões pelas quais não estamos juntos. Obrigada pela força que aprendi com você de que precisamos resistir e seguir em frente, por mais triste que estejamos; por maior que seja a vontade de ligar e voltar correndo. Parabéns pela postura que demorei, mas que hoje consigo ter. Hoje eu respiro fundo pra não olhar com saudade. Pena que é saudade sua, mas mesmo assim, obrigada. Muito obrigada.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Final
Sei que não dá mais
E nem quero que dê
Chega de querer
Voltar atrás
Mas só queria entender
Porque a dúvida ainda existe
E em mim insiste
Afinal
Quando foi que você viu o final
De nós dois?
Antes de mim?
Depois?
Acho que nem você sabe
Como foi que aconteceu
Sabe?
Então abre
Esse bico
Fala comigo
Não, não fala não
Cala
Cala essa boca
Não tô a fim de ouvir
Tudo que eu não quero
Ainda espero
Respostas
Mesmo não te fazendo perguntas
Enfim
Que se dane
Deixa eu fechar essa porta
Pra sempre
Pra te esquecer
Já que tu não volta
Por mais que eu tente
Te trazer.
Nina Lessa, em 16/11/2004.
E nem quero que dê
Chega de querer
Voltar atrás
Mas só queria entender
Porque a dúvida ainda existe
E em mim insiste
Afinal
Quando foi que você viu o final
De nós dois?
Antes de mim?
Depois?
Acho que nem você sabe
Como foi que aconteceu
Sabe?
Então abre
Esse bico
Fala comigo
Não, não fala não
Cala
Cala essa boca
Não tô a fim de ouvir
Tudo que eu não quero
Ainda espero
Respostas
Mesmo não te fazendo perguntas
Enfim
Que se dane
Deixa eu fechar essa porta
Pra sempre
Pra te esquecer
Já que tu não volta
Por mais que eu tente
Te trazer.
Nina Lessa, em 16/11/2004.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Aqui jaz
Aqui jaz um amor que ainda existe, mas que não deveria existir mais. Amor a gente só deveria manter dentro da gente enquanto desse certo, e já havia um tempo que essa relação não conseguia andar pra lugar nenhum. Amor a gente só deveria alimentar se houvesse reciprocidade, e quando não existir mais, simplesmente jaz. Aqui, jaz esse amor. Um amor que era nosso, mas ultimamente percebi que ficou sendo só meu, e já que é só meu, resolvi pegar ele pra mim e guardar de novo, pra quando um novo amor chegar.
Aqui eu guardo um amor que não tem mais alvo. Com essa mania terrível de amar intensamente, mesmo sem ser completamente correspondido, o coração da gente insiste até que as mágoas cheguem a um limite máximo. Cada um com o seu, alcancei a minha meta e juntei meus trapos pra sair de cena. Cansado de cavar um espacinho maior em vão, meu coração guardou todo o amor que ficou a ver navios pra uma próxima vez, como fiz há um tempo atrás. A gente sempre tem amor de sobra, mas tem sempre alguém que vai querer. É só esperar.
Que descanse em paz esse amor, e que não se preocupe quando o amor que era pra ser meu mirar em outro alvo. Que até lá as feridas tenham sarado, que as lágrimas tenham realmente secado, e que eu consiga me importar menos - porque doer, sempre dói. Mas que me dêem um tempo de acalmar os ânimos, depois de passarem as férias, as feras e os feridos. Que me permitam respirar fundo e buscar mais força, dentro e fora de mim. Aqui jaz um amor cansado, decepcionado, mas antes de tudo, um amor que foi verdadeiro, mesmo com todos os pesares.
Aqui jaz um tanto de mim e um tanto de você. Aqui jazem os planos que a gente fez, mas que não conseguiu realizar. Aqui jaz tudo que tentamos ser, mas que não conseguimos; aqui jaz até o longe onde chegamos, a saudade que hoje fatalmente sentimos e os beijos que guardamos dentro das nossas próprias vontades. Que cada um enterre tudo e descanse pra uma próxima vez. Aqui jazem todas as nossas chances e as possibilidades. Aqui jaz tudo isso, mas se a gente se encontra, se a gente se encosta, aqui jaz esse texto inteiro.
Aqui eu guardo um amor que não tem mais alvo. Com essa mania terrível de amar intensamente, mesmo sem ser completamente correspondido, o coração da gente insiste até que as mágoas cheguem a um limite máximo. Cada um com o seu, alcancei a minha meta e juntei meus trapos pra sair de cena. Cansado de cavar um espacinho maior em vão, meu coração guardou todo o amor que ficou a ver navios pra uma próxima vez, como fiz há um tempo atrás. A gente sempre tem amor de sobra, mas tem sempre alguém que vai querer. É só esperar.
Que descanse em paz esse amor, e que não se preocupe quando o amor que era pra ser meu mirar em outro alvo. Que até lá as feridas tenham sarado, que as lágrimas tenham realmente secado, e que eu consiga me importar menos - porque doer, sempre dói. Mas que me dêem um tempo de acalmar os ânimos, depois de passarem as férias, as feras e os feridos. Que me permitam respirar fundo e buscar mais força, dentro e fora de mim. Aqui jaz um amor cansado, decepcionado, mas antes de tudo, um amor que foi verdadeiro, mesmo com todos os pesares.
Aqui jaz um tanto de mim e um tanto de você. Aqui jazem os planos que a gente fez, mas que não conseguiu realizar. Aqui jaz tudo que tentamos ser, mas que não conseguimos; aqui jaz até o longe onde chegamos, a saudade que hoje fatalmente sentimos e os beijos que guardamos dentro das nossas próprias vontades. Que cada um enterre tudo e descanse pra uma próxima vez. Aqui jazem todas as nossas chances e as possibilidades. Aqui jaz tudo isso, mas se a gente se encontra, se a gente se encosta, aqui jaz esse texto inteiro.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Hoje, não
Hoje eu quero ficar sozinha. Me poupem de sentar na mesa pra contar como foi meu dia; hoje eu quero não precisar falar. Não quero sair de casa nem ver ninguém. Hoje eu não quero sorrir nem ouvir conselhos, dicas ou compreensão. Não quero nada de ninguém, só distância. É direito meu sumir do mundo, nem que seja só por hoje. Não ligo que me julguem ou critiquem, mas hoje, não.
Hoje eu não quero saber que não deveria mais pensar em você. Não quero lembrar do que foi ruim e dos dias que já passei pra chegar até aqui. Hoje eu guardei minha auto-estima e amor-próprio no fundo da gaveta e resolvi te amar com todas as minhas forças. Acordei com vontade de te ter aqui de novo, pra gente dar risada da tolice que é essa história de ficarmos separados. Hoje eu quero você de volta, te lembrar de como somos felizes juntos - a gente só tinha esquecido. Fica comigo, só por hoje?
Hoje eu não vou ouvir que "isso passa". Não quero pensar que terei um novo amor; hoje não. Me poupem do discurso otimista que nenhum amor é inesquecível. Hoje eu não quero pensar em amanhã nem no que pode acontecer. Hoje eu vou viver o que criei na minha cabeça; vou sentir toda a saudade que hoje está me sufocando. Hoje eu vou te tirar de onde guardei porque não queria mais achar. Hoje eu percebi que você não morreu dentro de mim, mas eu não vou pensar nisso. Hoje eu não quero pensar.
Só por hoje eu não vou desligar se você telefonar; hoje eu respondo mensagem, e-mail e prometo que não fujo. Hoje eu quero que você me ache, por mais longe que eu pareça ou esteja. Hoje eu estou à mostra, sozinha e contigo ao mesmo tempo, pensando em você com todas as minhas forças pra que você acabe, sem querer, pensando em mim também. Hoje eu não quero fingir alegrias nem maturidade; hoje eu não quero sambar, não quero ser feliz.
Hoje eu quero gastar a tristeza que me consome, que tenta me matar aos poucos, mas que eu nunca deixo. Hoje eu não luto. Hoje, não.
Hoje eu não quero saber que não deveria mais pensar em você. Não quero lembrar do que foi ruim e dos dias que já passei pra chegar até aqui. Hoje eu guardei minha auto-estima e amor-próprio no fundo da gaveta e resolvi te amar com todas as minhas forças. Acordei com vontade de te ter aqui de novo, pra gente dar risada da tolice que é essa história de ficarmos separados. Hoje eu quero você de volta, te lembrar de como somos felizes juntos - a gente só tinha esquecido. Fica comigo, só por hoje?
Hoje eu não vou ouvir que "isso passa". Não quero pensar que terei um novo amor; hoje não. Me poupem do discurso otimista que nenhum amor é inesquecível. Hoje eu não quero pensar em amanhã nem no que pode acontecer. Hoje eu vou viver o que criei na minha cabeça; vou sentir toda a saudade que hoje está me sufocando. Hoje eu vou te tirar de onde guardei porque não queria mais achar. Hoje eu percebi que você não morreu dentro de mim, mas eu não vou pensar nisso. Hoje eu não quero pensar.
Só por hoje eu não vou desligar se você telefonar; hoje eu respondo mensagem, e-mail e prometo que não fujo. Hoje eu quero que você me ache, por mais longe que eu pareça ou esteja. Hoje eu estou à mostra, sozinha e contigo ao mesmo tempo, pensando em você com todas as minhas forças pra que você acabe, sem querer, pensando em mim também. Hoje eu não quero fingir alegrias nem maturidade; hoje eu não quero sambar, não quero ser feliz.
Hoje eu quero gastar a tristeza que me consome, que tenta me matar aos poucos, mas que eu nunca deixo. Hoje eu não luto. Hoje, não.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Obrigada, 2011.
Obrigada, 2011, por ter levado minhas avós nesse ano. Aprendi que não tem dor de amor que se compare à saudade que sinto, e que certamente vou sentir para sempre. Obrigada por ter me ensinado que, às vezes, precisamos ser fortes pelos nossos pais, porque eles viram crianças nessas horas, e nós, as crianças deles, precisamos saber inverter os papéis. Obrigada por ter me mostrado que, no fim das contas, estamos sozinhos com as nossas dores. E obrigada por ter colocado abraços reconfortantes na minha vida quando eu não queria mais ficar chorando sozinha.
Obrigada, ano, por ter demorado a acabar. Você me deu tempo de fazer, com calma, algumas escolhas extremamente importantes na minha vida. Tive altos e baixos, mas aprendi que os problemas nunca vão acabar; assim como não tem problema que dure pra sempre. Fiquei mais otimista, mesmo que ainda mais realista. Tomei tombos de onde pensei que demoraria mais tempo pra conseguir levantar, mas obrigada, 2011, por ter sido longo o bastante: você assistiu as minhas quedas, mas também pôde presenciar que levantei em todas elas.
Agradeço de coração, 2011. Agradeço por ter me aproximado ainda mais da minha família, mesmo com todos os espinhos que ainda existem, porque eu aprendi também que convivência é sempre muito difícil e demanda uma paciência imensa. Nesse ano só confirmei que esse amor é o que fica de verdade, pra sempre, quando alguns dos que achavámos que tínhamos resolvem ir embora sem muitas razões ou explicações. Porque eu aprendi que certas coisas simplesmente vão ficar sem resposta, e aceitar isso é, no mínimo, inteligente.
Obrigada, 2011, pelas dores, pelas lágrimas e pelas decepções que passei. Agradeço todos os "bem feito", "eu te avisei" e "de novo?", porque sem eles, eu não estaria realmente agradecida, nem teria aprendido de verdade. Mas eu agradeço, e bato no peito pra dizer que estou tentando, pra um dia poder dizer que aprendi. Reconheço com muito orgulho todos os fracassos que me encontraram nesse ano, mesmo não pensando nas vitórias, porque só pela aprendizagem, já valeram os 365 dias. Mas acima de tudo, 2011, obrigada por finalmente ter acabado.
Agradeço de coração, 2011. Agradeço por ter me aproximado ainda mais da minha família, mesmo com todos os espinhos que ainda existem, porque eu aprendi também que convivência é sempre muito difícil e demanda uma paciência imensa. Nesse ano só confirmei que esse amor é o que fica de verdade, pra sempre, quando alguns dos que achavámos que tínhamos resolvem ir embora sem muitas razões ou explicações. Porque eu aprendi que certas coisas simplesmente vão ficar sem resposta, e aceitar isso é, no mínimo, inteligente.
Obrigada, 2011, pelas dores, pelas lágrimas e pelas decepções que passei. Agradeço todos os "bem feito", "eu te avisei" e "de novo?", porque sem eles, eu não estaria realmente agradecida, nem teria aprendido de verdade. Mas eu agradeço, e bato no peito pra dizer que estou tentando, pra um dia poder dizer que aprendi. Reconheço com muito orgulho todos os fracassos que me encontraram nesse ano, mesmo não pensando nas vitórias, porque só pela aprendizagem, já valeram os 365 dias. Mas acima de tudo, 2011, obrigada por finalmente ter acabado.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Fugir
Sim, eu fugi. Vim correndo pra longe de você. Se pudesse, provavelmente correria pra um lugar ainda mais longe, ainda mais difícil de me encontrar, mas fiz o que deu. Não quero mais bater com a cabeça na parede tentando uma coisa que já foi tentada vezes demais pra conseguir funcionar. Acho que as peças foram sendo quebradas, de tantas vezes que tentamos, em vão, fazer com que elas se encaixassem. Só Deus sabe como me dói conseguir admitir isso, e é por doer tanto e eu cansar de ficar escondendo isso que eu fiz as malas e vim; que eu fiz as malas e fugi.
É claro que fugir não adianta completamente, eu sei disso. Sei que a saudade vinha junto e não me incomodei em trazer na mala, nem ela nem a dor. Sei que nenhuma das duas vai me deixar tão cedo, mas já tinha aprendido que a distância física, mesmo sendo um alívio rápido somente por um tempo, costuma ajudar. Aqui, vou ganhar alguns dias - quem sabe alguns meses - pra conseguir pensar em qualquer outra coisa que não sejam problemas. Eu fugi deles; fugi de aborrecimento, de brigas, de discussões e mágoas. E com isso, eu fugi do meu amor por você. Esse, eu preferi deixar em casa.
Fugi pra limpar minha cabeça e rezo pra que o coração acompanhe o ritmo. Fico na torcida pro estômago não ter borboletas quando chega alguma mensagem e eu penso que é você. Respiro fundo quando a vontade de entrar em contato me domina, no décimo nono gole de cerveja. Me sinto uma vitoriosa quando vejo que já se passaram quase duas semanas e eu consegui não entrar em contato, não ficar esperando - ao menos na maior parte do tempo. Sei que os passos são muitos e ainda vai demorar pro dia de olhar pra trás e dar risada finalmente chegar, e foi por isso que eu fugi.
Que seja essa a alternativa menos corajosa. Pode ser. Não penso nisso porque só eu sei a dor que me consome, os dias que passam arrastados e as vontades que corroem mas não passam de jeito nenhum. Chamem-me de frouxa, de covarde e gente que não sabe vencer nessa vida. Vocês têm toda razão: eu não sei brincar, quando se trata de amor. Isso eu ainda não aprendi, nesses poucos 25 anos que me deram pra viver. Ainda tenho tempo, talvez na próxima tentativa as coisas sejam diferentes. Mas não me julgue, porque aposto que, se pudesse, você fugiria também.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Difícil
Terminar um relacionamento é uma das coisas mais difíceis que existe. São inúmeras e completamente distintas todas as dificuldades: perceber que já não há amor ou vontade de ficar junto; tentar em vão fazer com que as brigas parem; procurar já sem esperanças a paciência que foi embora com o tempo; recuperar a confiança que foi quebrada; o medo de magoar, de se arrepender, de querer voltar atrás e pior, de ter ainda mais certeza de que acabou. Não é à toa ser tão comum o tempo que ficamos "empurrando com a barriga" diversas relações, pelo medo de terminar e enfrentar o que é tão difícil: o fim.
A gente tem medo das noites difíceis que virão, afinal nem sempre estaremos bêbados demais pra esquecer, ou acompanhados com uma distração qualquer. Os dias sozinhos, sóbrios e com saudade virão, e sabemos que nunca estamos preparados pra eles. O medo de não ter forças pra não ligar e acabar se arrependendo na hora do alô é do tamanho da certeza que a sensação de querer voltar atrás vai chegar e te dominar até a luz do dia, quando geralmente estamos mais fortes e com mais segurança de que é mesmo melhor assim e já já isso tudo passa. Sempre passa.
É muito difícil evitar falar na pessoa ainda amada, ou ainda lembrada. É difícil desconversar quando não se quer falar sobre ela, afinal. Responder tantas vezes por que foi que não certo, quando nem você sabe, ou não gostaria de saber. Será que as pessoas não acham que a gente sempre guarda uma esperança imensa de que nossas histórias de amor possam supreender? Será que não percebem que é muito difícil ter que repetir em voz alta os erros que cometemos, e que nos foram cometidos? Podemos demonstrar uma segurança infinita, mas ninguém sabe realmente a dificuldade que carregamos do lado de dentro.
Sabemos que dor de amor passa e ninguém morre disso; sabemos que é preciso paciência e tempo, que nada é pra sempre e que as coisas não mudaram, nem vão mudar. Mas é difícil não pensar diferente na hora de dormir. Só a gente sente a dificuldade de não criar frases e situações na nossa imaginação; só a gente sabe medir a força de não procurar e seguir em frente, morrendo de vontade de não sair do lugar. A gente se agarra a um sem fim de esperanças que não consegue largar mão porque é muito difícil, torcendo pra que um dia, entendamos que valeu a pena não ter sido fácil.
A gente tem medo das noites difíceis que virão, afinal nem sempre estaremos bêbados demais pra esquecer, ou acompanhados com uma distração qualquer. Os dias sozinhos, sóbrios e com saudade virão, e sabemos que nunca estamos preparados pra eles. O medo de não ter forças pra não ligar e acabar se arrependendo na hora do alô é do tamanho da certeza que a sensação de querer voltar atrás vai chegar e te dominar até a luz do dia, quando geralmente estamos mais fortes e com mais segurança de que é mesmo melhor assim e já já isso tudo passa. Sempre passa.
É muito difícil evitar falar na pessoa ainda amada, ou ainda lembrada. É difícil desconversar quando não se quer falar sobre ela, afinal. Responder tantas vezes por que foi que não certo, quando nem você sabe, ou não gostaria de saber. Será que as pessoas não acham que a gente sempre guarda uma esperança imensa de que nossas histórias de amor possam supreender? Será que não percebem que é muito difícil ter que repetir em voz alta os erros que cometemos, e que nos foram cometidos? Podemos demonstrar uma segurança infinita, mas ninguém sabe realmente a dificuldade que carregamos do lado de dentro.
Sabemos que dor de amor passa e ninguém morre disso; sabemos que é preciso paciência e tempo, que nada é pra sempre e que as coisas não mudaram, nem vão mudar. Mas é difícil não pensar diferente na hora de dormir. Só a gente sente a dificuldade de não criar frases e situações na nossa imaginação; só a gente sabe medir a força de não procurar e seguir em frente, morrendo de vontade de não sair do lugar. A gente se agarra a um sem fim de esperanças que não consegue largar mão porque é muito difícil, torcendo pra que um dia, entendamos que valeu a pena não ter sido fácil.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Todo mundo tá feliz
A geração das redes sociais trouxe uma imensa felicidade mentirosa. É um sem fim de pessoas extremamente felizes e que sabem aproveitar a vida como ninguém, fazendo as melhores viagens, bebendo as cervejas e vodkas mais caras, frequentando os lugares mais legais do momento. Coincidência ou não, são essas mesmas pessoas que, assim que bate o 'gole da bad' ou toca 'aquela música', procura um ombro amigável para desabafar as dores que vem tentando esconder embaixo dessa felicidade toda que insiste em mostrar sentir.
A felicidade extrema, que necessita demonstração através de fotos, frases e publicações animadas, vem acompanhada de pessoas amigáveis, talvez não tanto de amigos. Nem todo momento é de alegria; infelizmente a vida também é feita de aborrecimentos, e é aí que sabemos quem são os amigos e a diferenciar esses das companhias amigáveis. A efusividade constante é típica dos adolescentes, e é saudável que ela exista e seja vivida durante a época certa. Poucas coisas são mais ridículas do que marmanjos se comportando como se estivessem na puberdade.
A linha entre ser feliz quando os momentos bons acontecem, quando as pessoas especiais aparecem, e a necessidade de demonstrar uma alegria sem intervalos pode parecer tênue, mas não é. Quando estamos sofrendo, esconder a ferida para que ela não doa ainda mais estando aberta é mais do que normal: se proteger é preciso. Mas viver a própria dor também é. Parece que as pessoas não andam vivendo as coisas no momento adequado, e é aí que a linha nada tênue vira de lado e o ridículo acontece. A necessidade de estar com alguém ou rodeado de gente, beber demais ou barulho; tudo para preencher o vazio que existe,
Enfrentar as nossas dores, como próprio verbo diz, dói. Fugir e camuflar enquanto pode, principalmente para todo mundo ver, é válido, mas uma hora a superação deve acontecer. Senão, anos depois, vai ser como se o tempo não tivesse passado, e tudo que engolido com as doses e garrafas de Antarctica vai voltar sem pedir licença, confundindo o que talvez pudesse dar certo, te fazendo perder oportunidades sem saber se teria valido a pena. É ótimo mostrar que estamos felizes, mas quando realmente estamos, é tanta felicidade que só vivemos, e acabamos esquecendo de postar no Facebook.
A felicidade extrema, que necessita demonstração através de fotos, frases e publicações animadas, vem acompanhada de pessoas amigáveis, talvez não tanto de amigos. Nem todo momento é de alegria; infelizmente a vida também é feita de aborrecimentos, e é aí que sabemos quem são os amigos e a diferenciar esses das companhias amigáveis. A efusividade constante é típica dos adolescentes, e é saudável que ela exista e seja vivida durante a época certa. Poucas coisas são mais ridículas do que marmanjos se comportando como se estivessem na puberdade.
A linha entre ser feliz quando os momentos bons acontecem, quando as pessoas especiais aparecem, e a necessidade de demonstrar uma alegria sem intervalos pode parecer tênue, mas não é. Quando estamos sofrendo, esconder a ferida para que ela não doa ainda mais estando aberta é mais do que normal: se proteger é preciso. Mas viver a própria dor também é. Parece que as pessoas não andam vivendo as coisas no momento adequado, e é aí que a linha nada tênue vira de lado e o ridículo acontece. A necessidade de estar com alguém ou rodeado de gente, beber demais ou barulho; tudo para preencher o vazio que existe,
Enfrentar as nossas dores, como próprio verbo diz, dói. Fugir e camuflar enquanto pode, principalmente para todo mundo ver, é válido, mas uma hora a superação deve acontecer. Senão, anos depois, vai ser como se o tempo não tivesse passado, e tudo que engolido com as doses e garrafas de Antarctica vai voltar sem pedir licença, confundindo o que talvez pudesse dar certo, te fazendo perder oportunidades sem saber se teria valido a pena. É ótimo mostrar que estamos felizes, mas quando realmente estamos, é tanta felicidade que só vivemos, e acabamos esquecendo de postar no Facebook.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A história que a gente conta
A gente nunca conta as coisas como elas realmente aconteceram. É inerente ao ser humano (principalmente ao ser humano apaixonado, ou magoado) mudar a versão dos fatos que acontecem na própria vida, pra ver se, de alguma forma, dói menos. A gente inventa frases que não foram ditas e apaga verdades que não gostou de ouvir. Cria intimidades que não existiram, ou supervaloriza algo vazio, preenchendo com todo o amor e comprometimento que gostaríamos que tivesse existido, mas que não existiu. A gente passa pela fase de se culpar pelo que não deu certo, passa pelo período de tentar achar respostas e, quando vê que nada disso vai funcionar, simplesmente aceita e faz o mais fácil: escreve uma história pra contar pros outros, e até pra gente mesmo.
Uma das coisas mais difíceis de terminar um relacionamento é ter que contar pros outros. A mesmas história já começa com três versões: a sua, a do seu respectivo e a verdadeira. Dali por diante, esse número só aumenta. Sua família vai saber de coisas que seus amigos não vão, e ainda assim isso pode variar, porque tem gente que confia nos pais, nos irmãos - mas tem gente que não. Dentre os amigos, para cada um, um detalhe que vem e um detalhe que se vai. Não é que você não confie, mas aquele seu amigo previu sua relação do começo ao fim, e hoje, você não quer lhe dar o gostinho de saber que ele estava certo. Quem sabe daqui a um tempo você não conte. Mas hoje, você vai fugir enquanto pode de ouvir "eu bem que te avisei".
Não deveria ser tão difícil falar aos nossos amigos, aquelas pessoas que escolhemos amar e com quem dividir os momentos da nossa vida, sobre nossos fracassos. Por que essa dificuldade de falar da nossa dor, quando sabemos que tanta gente, tantas vezes, já sofreu como a gente, e já fez tanta besteira igual a gente? O medo do julgamento existe porque já julgamos, um dia. Já apontamos o dedo na cara de quem sofria, e por mais que tivéssemos avisado, por mais idiota que tenha parecido esse sofrimento, doeu, e mesmo assim, julgamos. Quando a gente desdenha do sofrimento alheio, esquece que um dia chega a nossa vez, e quando chega, a gente inventa história e acaba mudando a verdade.
Seria tão mais fácil se simplesmente pudéssemos chorar todas as feridas que estão abertas. Os amigos são o merthiolate e as gazes pra poder sarar e tapar nossas dores, enquanto elas não cessam. A função do ombro não é apontar as falhas, por mais que aponte, afinal amigo que é amigo não consegue assistir o barco do outro afundando sem fazer nada, sem avisar onde estão os furos, sem oferecer a mão pra sair de lá. Mas independente do naufrágio, é preciso superar tudo isso. É preciso que nossos amigos não criem uma história, não pra gente. Que eles saibam que tentamos avisar, mas se eles precisavam sofrer aquilo tudo, que assim seja. Que eles saibam, mais ainda, que estaremos sempre aqui, pra ouvir qualquer uma das histórias que ele queira nos contar - principalmente a verdade.
Uma das coisas mais difíceis de terminar um relacionamento é ter que contar pros outros. A mesmas história já começa com três versões: a sua, a do seu respectivo e a verdadeira. Dali por diante, esse número só aumenta. Sua família vai saber de coisas que seus amigos não vão, e ainda assim isso pode variar, porque tem gente que confia nos pais, nos irmãos - mas tem gente que não. Dentre os amigos, para cada um, um detalhe que vem e um detalhe que se vai. Não é que você não confie, mas aquele seu amigo previu sua relação do começo ao fim, e hoje, você não quer lhe dar o gostinho de saber que ele estava certo. Quem sabe daqui a um tempo você não conte. Mas hoje, você vai fugir enquanto pode de ouvir "eu bem que te avisei".
Não deveria ser tão difícil falar aos nossos amigos, aquelas pessoas que escolhemos amar e com quem dividir os momentos da nossa vida, sobre nossos fracassos. Por que essa dificuldade de falar da nossa dor, quando sabemos que tanta gente, tantas vezes, já sofreu como a gente, e já fez tanta besteira igual a gente? O medo do julgamento existe porque já julgamos, um dia. Já apontamos o dedo na cara de quem sofria, e por mais que tivéssemos avisado, por mais idiota que tenha parecido esse sofrimento, doeu, e mesmo assim, julgamos. Quando a gente desdenha do sofrimento alheio, esquece que um dia chega a nossa vez, e quando chega, a gente inventa história e acaba mudando a verdade.
Seria tão mais fácil se simplesmente pudéssemos chorar todas as feridas que estão abertas. Os amigos são o merthiolate e as gazes pra poder sarar e tapar nossas dores, enquanto elas não cessam. A função do ombro não é apontar as falhas, por mais que aponte, afinal amigo que é amigo não consegue assistir o barco do outro afundando sem fazer nada, sem avisar onde estão os furos, sem oferecer a mão pra sair de lá. Mas independente do naufrágio, é preciso superar tudo isso. É preciso que nossos amigos não criem uma história, não pra gente. Que eles saibam que tentamos avisar, mas se eles precisavam sofrer aquilo tudo, que assim seja. Que eles saibam, mais ainda, que estaremos sempre aqui, pra ouvir qualquer uma das histórias que ele queira nos contar - principalmente a verdade.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Fim. E pra mim?
Será que tá certo isso?
Essa distância
Essa falta absurda de importância
Que estamos dando pra nós dois?
Não é isso que eu quero
E espero
Que nem você
Que foi que eu fiz pra te perder?
Perder você
Perder tudo
Você foi embora do mundo
Assim
Sem mais nem menos
Ainda acho que temos
Muito que conversar
Tentar se entender
Não tem por que
Tudo isso
Mas se você não concorda comigo
E acha que não há mais o que dizer
Fazer o que, eu entendo
Vou aceitar que perdi você
E se eu falhar
Me desculpa
Não é de toda minha a culpa
É esse coração
Que ama sem nem pensar
É essa cabeça que tenho aqui
Que pensa sem nem sentir...
Nina Lessa, em 24/02/2005.
Essa distância
Essa falta absurda de importância
Que estamos dando pra nós dois?
Não é isso que eu quero
E espero
Que nem você
Que foi que eu fiz pra te perder?
Perder você
Perder tudo
Você foi embora do mundo
Assim
Sem mais nem menos
Ainda acho que temos
Muito que conversar
Tentar se entender
Não tem por que
Tudo isso
Mas se você não concorda comigo
E acha que não há mais o que dizer
Fazer o que, eu entendo
Vou aceitar que perdi você
E se eu falhar
Me desculpa
Não é de toda minha a culpa
É esse coração
Que ama sem nem pensar
É essa cabeça que tenho aqui
Que pensa sem nem sentir...
Nina Lessa, em 24/02/2005.