quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O primeiro de 2014

É claro que eu te amei, o que você acha? Amei. Mas acho que amei mais a ideia que eu tinha de você do que aquilo que você era de verdade. Não que você tenha me enganado. Em momento algum você tentou demonstrar alguma coisa diferente do que era, mesmo você achando que é uma pessoa que, na verdade, não é.

Olha, eu não te culpo. Juro que não. Você acha que é um tipo de cara que não existe. Acho legal você acreditar nisso - alguém tem que acreditar, né? Só que você precisa saber que está longe, muito longe. No fundo, eu acho que você sabe disso, só não quer assumir. Não deve ser fácil ser alguém que a gente tenta negar todo dia.


Eu não fui embora pelo que você dizia ser nem pelo que você realmente foi. Eu fui embora porque acreditei que você poderia ser mais. Nem eu sei o que, mas sei que ficou faltando. Eu esperei vir, ou o que faltava ou a minha saciedade. Nenhum dos dois chegou. Então eu fiz as minhas malas e fui.


Não vou voltar, pode ficar tranquilo. Você nunca mais vai me ter de novo, de nenhuma maneira. Quando nos esbarrarmos e você estranhar por não me reconhecer, não ache que o problema foi com você. A escolha de ir embora foi minha, só minha. É que eu escolhi ser feliz.


Nina Lessa

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Querido Papai Noel

Querido Papai Noel, 


Eu sei que é ridícula essa minha tentativa de pedir alguma coisa pra quem eu não acredito mais desde os 8 anos, mas sei lá, tem esses mesmos 8 anos que eu comecei a deixar de acreditar no amor, então acho que posso trocar uma coisa pela outra, né?

Ok, exagerei: não é que eu não acredite no amor, não é isso. Mas não acredito mais naquela coisa que chamam de única. Já tive uns 3 únicos e bom, nenhum deles ficou aqui. Sei que o problema não é comigo, assim como não eram eles, mas porra, Papai Noel! E agora?

Eu não quero presente, não. As coisas que eu quero comprar, vou lá e compro. Trabalho pra isso. O que eu vim te pedir aqui é onde está o meu bom novinho, já que de bom velhinho me basta vc? Existe isso de "o cara" aparecer?

Quando pequena, nas vezes que eu não te via, minha mãe me dizia pra encontrar os sinais. Aí eu via suas renas perto da lua e ouvia suas passadas, seu sino. Que tal vc me mandar um sinal desses me contando se espero ou desisto?

Confesso que a cada Natal, morre dentro de mim um pouquinho de espírito natalino. Não sei se pela overdose de realidade ou se pela coleção de finais. Me ajuda, Noel: quantos "eu te amo" até saber que é o último?


Por Nina Lessa

Em 24/12/2013.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Lancei um livro




Sim, galera! Sumi, mas é porque escrevi um livro!

Ele se chama "Escrevi e não entreguei: publiquei", é quase do tamanho de um tablet (cabe na bolsa, meninas!) e tem crônicas, prosas e poesias minhas, entre os anos de 2003 e 2012.

O prefácio é do meu querido avô e a contracapa, com muito orgulho, do jornalista querido Alex Escobar.

Para comprar um exemplar, basta me mandar um e-mail para tchutchunina@gmail.com que eu respondo com o número da conta para depósito.

Beijos!

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ouvi Dizer

Ouvi dizer que quando é amor, a gente sabe. Mas quando a gente briga, eu não sei mais.

Ouvi dizer que quando é amor, é pra sempre. Mas eu não sei da gente.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente não tem medo de perder. Mas eu tenho, de perder você.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente perdoa tudo. Mas eu prefiro resolver, antes.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente tem tem ciúmes. E eu tenho, mas confio em você,

Ouvi dizer que quando é amor, não existe nada maior. Mas acho que meu respeito por você consegue superar.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente nem olha pro lado. Mas eu olho, e ainda assim prefiro você.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente não tem dúvida. Mas eu tenho, não sei de amanhã.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente só sente. Aí eu vi que era só isso mesmo.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente fica sem palavras. E é verdade.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pouco amor

Se você não vai ficar direito
Então não fica
Pode ir embora
Se é pra não ser por inteiro
Não faço questão
Nunca fiz,
Não vai ser agora

Não quero nada pela metade
Por mais que te ame
Não quero mais só um pouco
Por mais que não reclame

Se é pra ser tão nada
Se é pra só parecer
Por mim já deu
Tá na hora
Pode levar esse amor embora.

Nina Lessa

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O amor e essas merdas

Dói. Levar um fora é sempre difícil, não é fácil pra ninguém. Tem que finja, tem quem beije pra esquecer e tem quem sorria pra esconder, mas que dói, dói. É claro que dói. Levar um pé-da-bunda dói, mesmo que a gente já espere, mesmo que a gente nem goste tanto assim. Dói se tá apaixonado, dói porque é mais um relacionamento frustrado. Mas passa.

É claro que passa. Demora, às vezes muito e às vezes menos. Tem dias melhores, tem dias mais ou menos - e tem dias que você tem a impressão que o coração vai explodir de tanta dor, que não vai passar nunca. A gente sempre esquece que já amou, que já doeu e que já passou. Se vê digno de pena. E tudo bem, o mundo tem até dó da gente  - até a gente voltar.

A gente volta como se nada tivesse acontecido, mesmo com as lembranças latejando, com as saudades apertando cada dia um pouco, cada dia com um pedaço que ficou guardado. A dor no estômago que segura um comentário pra não ter que falar do que já passou; a lágrima engolida quando sabe que do lado de lá a fila já andou. E segura.

Se segura pra não ligar, pra não atender nem falar demais, se não tiver jeito. A gente se protege como uma mãe que passa frio pros filhotes dormirem bem. A gente cuida do coração porque sabe que, depois, é na gente que vai doer, de noite, embaixo das cobertas, mesmo que nem esteja frio. É que faz frio o coração preenchido com o vazio que ficou do lado de fora, no travesseiro do lado.

Mas passa, né? Sempre passa.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Devaneios (2012)

Acho que vou te amar pro resto da minha vida. Talvez pense menos com o passar do tempo, com o passar de outros amores. Talvez sem a raiva de hoje e a mágoa de amanhã - mas vou te amar até um sem fim de tempo. Venho te amando depois de tanta coisa e tanta gente; tanto tempo e tão pouco sucesso em te esquecer, que desisti de tentar. Essa guerra é vencida: ganha aquele 'pra sempre' que nos falávamos sem certeza se seria. Ou sabíamos? Sei que te amo e nunca vai ter fim. Só não sei se isso é bom, ou ruim.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sobre Saudade

Não é porque existe saudade que necessariamente existe sentimento maior que carinho pela história existente. Às vezes a saudade confunde memórias de momentos bons com a falta dos personagens - e nem sempre isso quer dizer presença de sentimentos que já passaram. 

O coração registra muito bem as sensações que já tivemos um dia para que achemos que estamos sentindo de novo num futuro qualquer. A gente cai quase sempre, confunde mesmo nostalgia momentânea com resquícios de amor. Cada amor é novo, assim como cada saudade, mesmo que mentirosa

Quanto antes aprendermos isso, mais sofrimento (mesmo que falso) é poupado. Porque a gente confunde gostar de sofrer com a sensação de já ter amado um dia.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Amor

Talvez 'amor' não seja o que a gente tem. Talvez eu tenha projetado em você uma esperança que não convém.  Quem sabe já não posso ser aquilo que você pretendia, aquilo que você pensava ser o amor da sua vida. 

Não sou eu. Não sou nada perfeita, sou uma zona, uma bêbada. Vou te dar trabalho e vamos dar risada. Porque sou muito feliz com você, e porque sem você talvez não tenha tanta graça, mas não sei se você também acha. 

Vou cuidar de você sempre que precisar, sem reclamar, e vou te sacanear nas ressacas, nas furadas que você me enfiar. Porque eu acho que amor é isso, tudo isso - e você que ainda não sabe.

Mas se me deixar, eu te mostro.

terça-feira, 14 de maio de 2013

De novo

A gente nunca acha que vai passar. É quando os dias andam mais rápido que a nossa consciência; é quando esquecer os detalhes já vira rotina; é quando não se importar sai do forçado e vira algo natural.

A gente nunca acha que vai acontecer. É quando a mente tá tranquila e dando um tempo das coisas ruins; quando pensar em alguém já não tem rosto definido; quando acaba de existir saudade.

A gente nunca acha que vai se apaixonar. É quando as coisas fluem; quando as conversas são maiores e o tempo voa; quando você acha que pode estar indo longe demais, mas quer ir longe demais.

A gente nunca acha que vai ser recíproco. É quando as vontades falam mais alto que a razão de segurar todas elas; quando você já não quer mais fingir que não e chuta o balde sem medo que dê errado.

Porque a gente nunca acha que vai amar de novo... até o dia que percebe que já tá amando. De novo.