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sexta-feira, 30 de março de 2012

Poesia

É claro que eu sinto sua falta
Que que você acha?
Que todos esse anos não foram nada?
Pensa bem
É claro que penso em você
Se você pensa em mim também
A troco de que não iria pensar?
Você acha que tem alguém no seu lugar?
Presta atenção
Olha o nosso fim
Se não foi bom pra você
Por que seria bom pra mim?
Eu não mudei tanto assim
É claro que ainda há amor
Mesmo que muito misturado à dor
Mas você me pediu por favor
Que me afastasse de vez
Por isso não voltei mais
Mas olha pra cá, pra trás
Você ainda não me respondeu
E se eu voltasse?
Você ainda seria meu?


Nina Lessa (22/03/2012)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não amar é lindo

O amor é lindo, mas não amar também é. Quando uma relação acaba, mas o amor continua, o que a gente mais espera é pelo dia desse sentimento sumir. Já não dá mais para ir e voltar um namoro acabado. As brigas são mais comuns que os beijos e fazer as pazes não tem a mesma graça de antes. A vontade de estar junto não supera a falta de confiança e vive-se um inferno, aquilo que deveria ser a coisa mais esperada do dia. Espera-se pelo fim do amor.


E demora. Qualquer sentimento que é forte, que criou raízes e construiu histórias, demora para finalmente acabar. A esperança de que as coisas vão se acertar é a última a morrer, antes do amor. Esperamos que tudo mude e que já não era sem tempo de acharmos o amor da nossa vida. Esperamos uma ou outra cena de filme acontecer na vida real; as palavras certas e pronto: ainda amar vai ter algum propósito. Mas não acontece nada disso. Que o amor acabe, então.


Não amar é lindo, tanto quanto quando o amor acontece. Amar tem que ser correspondido, de todas as formas. Tem que fazer sentido, mais do que trazer dúvidas. Senão, é mais pacífico e menos doloroso quando não há amor. E o amor fica todo do lado de dentro. É de lá que vem a sensação de fracasso quando vemos que não deu certo, mas é de lá também que vem o sorriso de alívio quando percebemos que passou.


O amor é lindo enquanto nos faz feliz. Quando não amar começa a fazer sentido, não tem satisfação maior do que a ausência de sentimento. É quando o coração fica completamente vazio que conseguimos respirar fundo e buscar coragem para escrever uma nova parte da nossa história.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Poesia - :)

Não vou chorar
Não mais
Sem lamentar o que ficou pra trás
Passou
Durou, foi
E foi bom
Eu ter sofrido
Eu ter chorado
Não sei se é você o errado
Ou se fui eu
Prefiro aceitar que simplesmente
Não deu
E o que não foi certo, independe
Já pus no passado.

Não vou me arrepender
Do que fiz
Ou deixei de fazer
Melhor assim
Melhor pra mim
Eu nunca ia mesmo
Conseguir te entender
Todas as mentiras
Quanta ilusão!
Nada me faz aceitar
Uma razão pra se destruir
Desse jeito um coração
E na boa,
Tô dispensando qualquer explicação.

Senti saudade?
Senti, não minto
Mentir pra quê?
O mentiroso daqui é você
Mas essa saudade
Me fez crescer
Pra cima
Porque antes crescia
O limite da mentira
Chega
Pra que me machucar
Ainda mais?
Tu já me feriu demais
Pra eu superar sozinha
Desculpa, mas com licença
Pra você a porta é serventia.

Nina Lessa, em 01/12/2004.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nunca mais

Lembro de (quase) todas as centenas de milhares de vezes que minha mãe riu de mim e dos meus exageros teatrais quando, depois de terminar uma relação de amor-paixão-planos, a primeira da minha vida, eu achei que jamais amaria alguém de novo. Passei por todas as fases, algumas que nem todos passam, mas que, hoje, consigo ver como foram importantes cada uma delas, e como sem elas eu não estaria nessa calma, mesmo depois de tanto tempo.


Tem gente que se adapta fácil ao final de uma relação. Consigo enxergar, hoje, que quanto mais finais, menos complicado pode ser ter de passar por isso. PODE, não necessariamente É. Falo de namoros reais, relacionamentos com rotina, compromisso, tempo de sentimento e de relógio (quem sabe um dia não escrevo das relações que só existem na nossa cabeça?). Ninguém esquece o outro rápido, só tem gente que se adapta melhor.


Eu, não. O mundo não me pára, ninguém é capaz disso. Trabalho, estudo, amigos, família. Pode ser que poucos, ou ninguém perceba que, por dentro, estou morrendo. Mas estou. Há quem ria quando descrevo sofrimentos avassaladores, ao mesmo tempo que finjo uma voz feliz quando o programa entra no ar. Ri porque não crê; ri porque acredita na dor, mas sabe que passa. Qualquer riso, vale: ou você finge bem, ou há luz no fim do túnel.


O vazio que fica quando alguém se vai deixa dúvida do que é saudade e do que é 'passou'. A diferença entre amor e preenchimento é tênue, e a gente sempre demora pra descobrir que não é saudade daquele alguém, mas de alguém, que só toma o rosto do último por razões óbvias: memória de coração é curta. Só que a nossa, nem tanto. O desapego, por mais difícil e cruel que possa parecer, foi uma das coisas que mais gostei de aprender na vida.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Poesia

Era mesmo?


Era mesmo amor,
Aquela paixão toda?
Aquela coisa louca
Que nem você sabia bem explicar?
Era mesmo dor,
Quando martelava por dentro
Todas as lágrimas
Que não paravam de chorar?


Era mesmo o fim,
Quando você não ligava
Quando fingia maturidade
Dizendo que ia passar?
Era mesmo tranquilidade
Ouvir que havia vontade,
Mesmo que não suficiente
Ele quase pedir pra voltar?


Era mesmo saudade
O que se dizia sentir?
Era mesmo aquele tipo de vida
Que querias pra ti?
Era mesmo saudade,
Talvez de tempos bons
Mas não mais seus?
Era mesmo falta grande
De momentos passados
Dos antigos retratos
Que você escondeu?


Era mesmo verdade
Que você mentiu saudade?
Era mentira
Cada ligação atendida, ou perdida?
Era você naquele tempo,
Tudo bem eu ter confiado,
Ou você é esse aí,
Esquisito, meio falso,
E eu que perdoe
Aquela 'eu' que posava do seu lado?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Torsão no coração?

Torci o tornozelo. Eu vivo fazendo isso comigo mesma, desde sempre. Não sou muito amiga dos meus pés. Já cheguei à conclusão que, em outra vida, devo ter arrancado ambos pernas/pés num ataque de ódio a mim mesma ou tive lindos pares dos membros inferiores e não soube dar valor, mas isso é assunto pra outra divagação. Aqui, a questão é aquela dor chata que torcer o pé/mão traz. Não é insuportável, mas um mau jeito te faz ver estrelas. Meio como recuperar-se de uma mágoa.

Qualquer mágoa. Seja um término de relação, uma briga mal resolvida, uma discussão que durou mais aquele momento, enfim, uma mágoa. De início, dói mais. Pode ou não transparecer pra quem vê, ficando roxo, inchado ou não conseguindo esconder a cara de tristeza. Com o tempo, a dor vai melhorando, doendo mais quando a gente pisa de mau jeito, força demais o pé ou insiste em mexer no passado, que não quer (ou não deve) ser mexido.

Aquela dor constante, como enxaqueca leve que consegue durar horas sem cessar, incomodando sem te impedir de fazer quase nada, parece com a do torsão que você ainda não sabe se pode ser tendinite; ou mágoa quer você ainda não sabe se pode ser o fim de tudo, e pior, daquele fio de esperança que você guarda, como o milagre do gesso ou da bota curarem seu pé roxo, sem a fisioterapia, ou sem a fase de depressãozinha chata que não dói demais, mas também não dói de
menos.

Torser o coração de feridinhas pequenas, como a mágoa colecionando pequenos mau jeitos no caminho da cura, é o que mais fazemos pela vida. Tomamos tombos maiores algumas poucas vezes, onde os danos são maiores, mesmo que ainda reparáveis, mas a maioria é só torsão: muita dor, gesso na dorzinha chata e pra curar mesmo, fisioterapia da paciência, que é só tempo e torcida, mas com 'c', pro amor novo chegar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sem rancor

Se eu tivesse a chance, faria um feira de reencontro. Veria novamente todas, ou quase todas as pessoas que já passaram pela minha vida. Considerem-me Madre Teresa de Calcutá se quiserem, mas não consigo lembrar de ninguém que tenha cruzado o meu caminho de uns três anos e meio pra trás (é, porque de 2007 pra cá ainda é muito recente, ainda não deu tempo de eu aprender a lição do dia) e tenha ficado muito marcado na minha mente.

Nunca fui de guardar rancor, costumo esquecer até um pouco rápido esse tipo de coisa. Talvez porque eu resolva minhas questões na época em que as coisas me incomodam, ou sorte, que seja, o fato é que eu acho que rancor dá câncer, e desse mal eu não tô a fim de morrer, ou sofrer. Que meu santo continua não batendo com os de algumas pessoas, isso é lógico. Não sou maria-cocô que gosta de agradar gregos e troianos, mas é só. Ignoro e vou em frente.

Infelizmente nem todos pensam, ou agem assim. O que existe de gente que me desgosta por motivos que nem eu sei mais, nossa, perdi as contas. Claro que não me orgulho disso, aliás, pensei muito antes de manchar minha imagem cor-de-rosa que esse blog deve passar, mas fugir da verdade pra quê? Mas não tenho muito o que fazer. Às vezes, se tenho a oportunidade, tento resolver, simplesmente porque é menos chato quando está tudo bem.

É, mas nada disso me tira o sono. Já tirou, só que hoje não mais. A gente cresce, vai acumulando as cicatrizes e acaba percebendo que tem tanta coisa maior e mais importante pra gente se preocupar realmente, que acaba deixando pra lá. Para mim, essas 'resolvidas' que vou dando com o tempo acabam virando alívios bacanas, sabe? Anos sem falar com alguém por besteira, um dia se resolve e pronto. Não volta amizade, mas tudo bem, resolveu. Não deixa de ser bom.

Esclarecer as coisas pode ser doloroso, dependendo dessas 'coisas', é claro. Quem já viu um grande amor com outra pessoa, enquanto esse amor era grande, ou somente amor, sabe como machuca mesmo depois de outros dias, meses, anos e até outros amores. Mas passa, sempre passa. Mesmo que esses esclarecimentos não precisem de todos os lados, de todas as testemunhas daquela ocasião que te doeu tanto. Às vezes esclarecer a gente mesmo com nosso coração já vale o passe pra fora do INCA.

Me segue no Twitter? @tchutchu

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Amor platônico

Venho pensando em falar sobre esse assunto há meses, talvez anos, como nunca pensei antes falar aqui sobre alguma coisa. Blog é livre, o espaço tá aqui pra isso, eu sei, mas o assunto é delicado, e mesmo que sejam poucos, não quero magoar nenhum dos meus leitores. É... Só que eu simplesmente NÃO ACREDITO em amor platônico. Calma, que eu vou explicar, até porque eu também já tive meus 'amores platônicos' nessa vida e aprendi que isso não existe.

Na minha opinião, que fique bem claro, 'amor platônico' nada mais é do que um nome para aquele sentimento que algumas pessoas chamam também de paixão - e que eu chamo é de encantamento. Explico-me: quando você não tem nenhum tipo de relação com uma pessoa, é inviável que você possa sentir algum sentimento verdadeiro, ou no mínimo completo. Você não conhece de fato esta pessoa, como pode chegar a amá-la? Não há convivência, você não sente o bafo matinal. Não pode ser amor.

Esse 'amor platônico' é o mais simples, aquele em que você é 'a fim' de alguém. Fantasia histórias, beijos, diálogos inteiros, viagens. Você projeta naquela pessoa um alguém que você inventou, e basta arrumar um namorado, ficante ou qualquer coisa mais real do que alguém que você observa de longe, ou de perto mas não muito e pronto: você saca logo que era 'apaixonadinho', 'encantadinho', sentia um 'amor platônico' com todas as aspas possíveis. Mas AMOR, não era.

Tentaram me convencer que amor platônico existe, sim, quando existe a convivência, como um amigo se apaixonar por outro, ou no caso de colegas de trabalho. Concordo que o convívio até traz a possibilidade do sentimento ser mais verdadeiro, pois há 'conhecimento de causa', você sabe como a pessoa é nos bons e nos maus dias. Mas AMOR? Menos, amiguinho. Amor demanda tanta coisa maior do que almoços, estresses e chopp de sexta-feira...

Quando são grandes amigos e um se apaixona? Isso, use esta palavra: paixão. Mesmo que eu ainda ache pesado você estar apaixonado por alguém que não está por você, prefira esta ao 'amor', mesmo que platônico, e mesmo que entre aspas. Não escolhemos por quem nos apaixonamos? Verdade. Mas ninguém se apaixona da noite pro dia, não é assim que as coisas funcionam - pelo menos não de verdade. Paixões de verão são lindas na adolescência, mas chega uma hora que sofrer deixa de ser charme.

Pelo menos sofrer de verdade, sem platonismo, sem aspas nem nada.

Aos curiosos e que discordam, cliquem aqui.

PS: também não confio muito no Wikipédia, mas é só pesquisar sobre Platão que, nesse caso, está certinho!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Férias de amor

- Todo casal deve se manter afastado por pelo durante um mês todo ano para que um casamento dure muito.

A frase acima foi dita por um homem, e outros dois concordaram. Fiquei com cara de caneca, como diria Ana Carolina ("cara de caneca é quando você ganha uma caneca e fala 'oh...'), ou seja, cara de 'não entendi'. Porque eu realmente não entendi. Ok, nunca namorei mais do que 1 ano e 9 meses (aliás, mais cinco dias e esse recorde é quebrado, que rufem os tambores da contagem regressiva) e nunca fui casada, ou seja, mal vejo meu namorado uns 3 dias por semana, mas será que é assim mesmo?

Acharam um absurdo eu não entender casais que tiram férias separados, ou que viajam a descanso cada um para um canto. Porque eu não entendo como duas pessoas que estão juntas prefiram estar separadas. Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido. O dia que eu preferir passar dias sem meu namorado, eu mando um beijinho e termino, simples assim. Isso tudo é carência, medo de ficar sozinho? E que medo é esse que as pessoas sentem, meu Deus? Preferem estar com uma pessoa que não é mega gente boa? Ah, pára com isso...

Viver 24hs grudado não funciona? Concordo. Mas concordo porque isso não funciona COM NINGUÉM: nem com seus pais, irmãos, melhores amigos, e até filhos. Por que seria diferente com namorado? Não seria. Saio sozinha, saio com amigas, amigos, claro que saio com outras pessoas e passo um tempo longe. Mas semanas? Me desculpe, não vejo sentido. Talvez eu veja quando casar e sentir essa necessidade, mas confesso que ainda acho esquisito e difícil que aconteça.

Para mim, passar semanas longe de uma pessoa com quem você mora, mas já passa horas do dia longe, porque trabalha, faz outras atividades, enfim, por milhares de motivos, para mim soa como férias DA pessoa. Passar momentos longe, refeições, talvez um ou outro final de semana qualquer, tudo bem. Mas FÉRIAS? Sei lá. Sim, pode ser que eu releia isso daqui a uns anos e pense 'que utópica'. Mas pode ser que eu releia e sorria 'que visão de futuro que eu tinha...'

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Gaste seu amor

"Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo." (Martha Medeiros)

Eu adoro a Martha. Se você nunca leu isso aqui, percebeu pela forma como eu escrevo - considero que parecemos um pouco. Talvez eu seja ela em alguns anos, talvez ela tenha sido eu aos 20 e pouco, sei lá. Adoro as coisas que ela diz. Raramente não concordo com algo escrito por ela, e as raras vezes são SEMPRE porque eu sou nova demais para entender. Esse texto aí em cima é uma delas.

Lido há 5 anos, eu certamente concordaria por uma questão dessas palavras parecerem fazer um sentido óbvio, pra mim. Hoje, por experiência própria, aconselho que sigam à risca. Poucas coisas são piores do que a sensação de amor 'sobrado' dentro de você. Está lhe parecendo óbvio também? É que, como eu há alguns anos, você deve pensar que MUITA gente deixa amor sobrando. Talvez esse número seja menor...

As pessoas têm diferentes formas de demonstrar o amor que sentem pelas outras. Pode parecer louco, mas ignorâncias, grosserias, patadas e afins podem ser demonstração de amor. Corretas, bacanas, suportáveis? Provavelmente, na maioria das vezes, não. É preciso sempre buscar o equilíbrio e bla-bla-bla de terapeuta, mas PODEM SER FORMAS DE AMAR.

A verdade é que SÓ você sabe o amor que cabe sentir. Metaforicamente dentro do coração, fisicamente saindo pelos seus poros. O mundo inteiro pode te avaliar e pensar que seu amor é pouco, muito, menos do que poderia, enfim. Não ligue. Se a pessoa a quem você direciona seu amor SENTE o que lhe cabe, ou a maior parte disso, já valeu.

Porque não existem palavras que consigam mensurar o amor que a gente sente, nem quando é de mais, nem quando é de menos. Matemática e exatidões não andam com sentimentos; não à toa quem os fala é de humanas. Esquece essa coisa de 'infinito', quadrados e cubos. Ame o quanto você sabe, e torça pra que o alvo o saiba também.

Só não esquece de amar até a última gota, pra não ter que passar por isso.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Se tem coisa que odeio...

Olha, se tem coisa que eu odeio é me arrepender... Sempre fui impulsiva por achar que as coisas deveriam ser feitas de acordo com o que sentimos no momento e pronto: depois a gente parava pra pensar no que tinha feito, mas nada que alguns anos de experiência não pudessem me dizer que 'assim foi melhor'. Talvez eu tinha perdido lindas histórias de amor, talvez eu tenha perdido tempo com pessoas que não valeram a pena, mas a verdade é que eu sempre soube aproveitar o que me tinha sido dado - e não ligar absolutamente para o que eu tinha tirado do meu caminho. A decisão havia sido minha e por isso não adiantava de nada ficar olhando pra trás.

A verdade é que, como muito bem disse hoje um amigo meu, ' vida é assim mesmo: para cada decisão, automaticamente você exclui outra'. Acho que já até mencionei Chorão (sim, aquele do Charlie Brown Jr.), que muito sabiamente cantou 'cada escolha, uma renúncia, isso é a vida'. É isso: a gente sempre abre mão de alguma coisa quando escolhe outra, e ficar pensando no que abriu mão é causa de insônia, sensação de vazio e por aí vão nostalgias seguidas de perda de tempo. Tão causadora de noites insones quanto, é a dúvida, é o tempo que se gasta antes de tomar uma decisão, mas vale a pena por todo um futuro certo - ou ao menos como você escolheu.


A impulsividade pode acompanhar uma pessoa pro resto da vida. Minha mãe está a três décadas de mim e ainda tem seus momentos, mas a tendência é que a constância impulsiva se transforme em ocasiões raras, como mamãe tem feito. Acredito no avanço individual cada vez maior no passar das gerações, talvez por isso eu tenha começado a fazer terapia vinte anos mais nova do que ela. Cansei de ser impulsiva demais, ou sempre. Pensar muito pode deixar brechas para algumas coisas passarem direto, mas as situações realmente importantes param antes. E aí você, a essa altura do campeonato, já tem bola na mão e apito na boca - pra encerrar a partida de vez ou começar o segundo tempo; o juiz é você.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

Quando você não tem certeza

Tomar uma decisão que te traz insegurança no depois, seja que decisão for, nunca é muito fácil. Ninguém nunca sabe o que esperar do amanhã, é verdade, mas quem é que não tem medo do desconhecido? Do que não se sabe, conhece ou já viu pra saber como funciona? Pra morrer, basta estar vivo, e emprego nenhum é cem por cento certo, mesmo que cargos públicos tendem a durar para sempre. A gente nunca sabe, no fundo. E nunca saber é não ter certeza de nada.

Começar um namoro com alguém que você pouco conhece, ou alguém que você conhece muito e não quer magoar/ser magoado; terminar uma relação onde você já foi muito feliz, sem saber se essa pode ser mais uma crise que provavelmente passa logo e você vai amargar no arrependimento; sair de São Paulo pra ir morar no Texas e morrer de saudades da família, mas quem sabe arrumar um namorado? A gente não sabe. Por isso que a gente tem medo.

É muito linda aquela lista de conselhos positivos que as pessoas insistem em nos dar, aqueles textos motivantes de blogs cor-de-rosa que tentam te ensinar alguma coisa útil. Mas no fim das contas, meus caros, é a gente quem vai viver o amanhã da gente mesmo, e o povo vai assistir, por mais que de camarote - e assistir nunca é estar no cenário. Colha opiniões, e boa sorte na hora de ficar com uma delas.

A minha? Rá. Quem sou eu pra te dizer o que fazer, quando nem eu sei o que fazer com meus problemas? Posso só te dizer como funciona a minha faltas de certezas. Não sei o que quero da vida, mas tô tentando descobrir. Fazendo de tudo, sugando o que posso, porque não quero, semana que vem, pensar que posso ter perdido alguma coisa porque fiquei com preguiça. E medo é um preguiça disfarçada.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mudanças

Um dia, não sei quem, nem quando, nem em que circunstâncias, me disseram que ninguém nunca mudaria por mim. Confesso que naquela época não levei como informação válida. 'Pra que que eu vou querer que alguém mude por mim? Pra jogar na minha cara depois?'. Eu devia ter uns 15 anos, ou menos, sei lá. Sábia que eu era, e não sabia...

O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...

Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.

Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.

Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O desconhecido

Eu morro de medo de começar de novo. Confesso que de vez em quando me pego lembrando como era bom estar apaixonada, a barriga com a impressão de ter borboletas dentro. Sentir saudade, sentir carinho, sentir-se amado, simplesmente sentir. Porque hoje, eu não sinto. Bom, eu sinto, mas como ser humano que sou, tendo a comparar as coisas, e comparando com a época em que amei, não sinto é nada. Porque nem se compara. Mas eu não quero sentir. Foi a escolha que eu fiz. Eu não quero. Não de novo. Ao menos não agora. Porque ainda não esqueci? Porque não estou pronta? Não. Simplesmente porque eu não quero passar por isso de novo.

É, eu tenho medo de sofrer. E pode ser que eu nem sofra. Eu tenho medo de me envolver de novo e acabar com o coração partido, e sofrer mais uma vez. Eu tenho medo de não confiar, de não ser conseguir ser confiável, de novo. De cometer os mesmos erros que eu cometi, porque sei que esses erros fazem parte de mim, sempre fizeram, e eu não sei se consegui mudar. Eu só saberia se passasse por isso de novo, se desse uma chance; pra alguém, pro amor, mas principalmente, pra mim. Se EU me desse uma chance. 'Vai lá, Nina. Tenta de novo, tenta ser melhor.' Não que eu não tenha sido, mas virei gato escaldado. A gente sempre se lapida, ainda mais nos tropeços.

Só que eu morro de medo. Porque essa chance vem com coisas muito boas, todas aquelas que, às vezes, me saudam. Eu sinto saudade de amar, de ter alguém, claro que eu sinto. De namorar, de ser namorada. É muito bom. Mas do ciúme, ah, eu morro de medo. Das cobranças, da falta da liberdade que eu sempre tive e soube aproveitar como poucos. Da independência que se perde e
nem percebe em que parte do caminho. Medo da mágoa, da mentira muitas vezes pensando no bem da relação. Medo da verdade, pelo bem de um futuro longe da hipocrisia. Medo. Porque... Eu não sei. Não sei o que me espera. Mesmo conhecendo alguém, no final, a gente acaba se surpreendendo. Bom, eu me surpreendi.


A gente sabe que comparar é péssimo, mas compara. A gente sabe que nunca é igual, mas quem me garante? Talvez eu me surpreenda, mas de maneira boa. Mas talvez não. Porque eu confiei e olha só. Porque eu me entreguei e me magoei. Porque eu achei que não ia acabar e o fim veio tão... Tão... Que eu me surpreendi. E não gostei. Eu nunca gostei de surpresas. Festas, talvez. Um presente. Mas não um tiro pelas costas. Eu me sinto traída por certas surpresas. Quando as coisas fogem do meu controle. Quando a gente namora, as coisas fogem do nosso controle. E isso me dá medo.

Pronta pra próxima? Ainda não. O medo é maior que a vontade de tentar de novo. E não importa com quem. De repente é porque eu ainda não me apaixonei de novo. De repente é porque ainda não é amor. Eu não sei. E por isso, o medo do desconhecido.

Porque um belo dia: prazer, eu sou a Nina.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quem espera, quando alcança?

A frustração é uma das piores sensações que uma pessoa pode sentir. É a perda de um sonho que se criou, muitas vezes sozinho sem nem perceber. É ver morrer todo um projeto, todo um planejamento grandioso, que muitas vezes não fazia parte da vida de outrém. O ser humano tem a péssima mania de querer que os outros saibam o que ele está pensando, ou de querer alguma coisa tanto quanto ele quer. É incrivelmente difícil entender que os sonhos mudam de pessoa para pessoa, e que nem todo mundo é obrigado a ter os mesmos planos do próximo, mesmo que isso signifique também não fazer nada para atrapalhar. Esperar alguma coisa que pode não vir é frustrante, mas saber que essa possibilidade não é mais remota, mas inexistente, chega a ser triste.

Quando se aposta todas as fichas em algo, a probabilidade de perda é de cinqüenta por centro - sempre. Em jogo, esse número varia pouco, e a não ser que o jogador seja um gênio da matemática, sabe que depende da sorte. Sendo as fichas na vida real, do lado de fora da mesa do carteado, não é bem assim que a banda toca. As probabilidades costumam oscilar consideravelmente, assim como a torcida pela sorte, ou pelo final feliz, aumentam ainda mais. Vêm as esperanças de que tudo vai dar certo, o certo que cada um considera e acredita ser único. Só que não é bem assim. Regras, atitudes e comportamento humanos variam mais do que humor feminino naquela semana X do mês.

Esperar por palavras que não serão ditas, pessoas que não voltarão, seja para sua vida, para o seu lado ou daquele país para onde foi passar as férias. Não esperar é ainda mais complicado, porque no fundo, sempre se espera. E o problema da espera é que, mesmo não explícita, frustra do mesmo jeito. Uma amizade não recuperada, um pedido de desculpas que nunca chega, uma carta que se perdeu no caminho. Um emprego novo que não saiu, a promoção que não foi desta vez. Logo você, que batalhou tanto para isso, no quesito querer. Fazer por onde, talvez não tenha feito, mas você quis muito. Só querer não basta. Às vezes, nem fazer. Fica por conta da sorte, do azar, ou seja lá de quem for a conta.

Depositar todas as fichas que se tem em algo, seja que algo este algo for, é frustante. Ou ao menos pode ser - as chances são grandes. Principalmente quando não depende de um lado só. Se fosse por vontade nenhum time de futebol perdia gol, jogo ou campeonato. Mas não depende da torcida, nem da mera vontade dos jogadores e dirigentes. Assim como querer uma ligação não depende só de um lado da linha. Mesmo que uma parte queira e faça por onde, como é que se explica quando o lado de lá não quer e ponto final? Porque frustar-se dói, e expectativa quebrada também. Falta de esperança deixa vazio, e excesso pelo que é tão escasso traz tristeza. Quem espera alcança, um dia. Que talvez nem exista no calendário daquela relação.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Não sou desse mundo

Às vezes eu acho que não sou desse mundo. Só pode ser. Ou tá todo mundo maluco. O que eu não acho, sinceramente. As coisas, pra mim, andam meio de cabeça pra baixo - em todos os sentidos. Isso já vem acontencendo há algum tempo, mas na última semana me assustei um pouco mais. Perceba se eu estou sozinha:

Vi um ex-casal (casal este que ficou junto o tempo que meus pais ficaram, e mesmo que quatro anos não seja muito, foi o que bastou pra que eu existisse, então para mim está valendo) ficar com outras pessoas, uma na frente do outro, um casal AO LADO do outro. Sério. É só comigo ou isso parece surreal? 'Ah, que isso, normal'. NORMAL? Parece que estão separados há alguns poucos meses. 'Não há mais sentimento?'. Então o que é essa necessidade de fazerem isso? Pra mim, à toa é que não é. E eu ouvi quando um deles disse pra um(a) amigo(a): 'você acha que João/Maria tá ficando puto(a)?'. Ok, pode ser que João/Maria não estivesse. Mas eu não nasci ontem, e quando as pessoas beijam olhando pro outro lado, mais precisamente pro ex-par, ah, meu amor, se isso é 'não ligar', então eu não sei mais o que é se importar, honestamente.

No mesmo dia, vi dois supostos casais na pista de dança. Se esfregando, beijos na nuca, no pescoço, no braço. Achei que estavam juntos, logicamente. Rá rá rá. Quem disse? Cinco músicas depois, uma delas beija um dos rapazes. A outra puxa a amiga e pergunta 'vai ficar com ele?' (como assim, 'vai ficar'? Se beijar não é mais ficar, meu Deus, o que é?). A amiga disse que sim, e a outra 'então vou ficar com esse, né? Aff, tu é foda!'. E beijou o menino. Com a maior cara de nojo. Oi? Se ela estivesse bêbada, ainda assim ia fazer besteira sem desculpa, mas pelo raciocínio, pela raiva da amiga, bêbada onde? Pas-sa-da. Saí da pista e fui pegar outra cerveja. Ou eu estava muito sóbria ou o mundo mudou drasticamente da minha adolescência pra cá. Ou sempre foi assim e eu que nunca vi?

Fiquei chocada. Será que eu ando me chocando com pouco? Pensei que sim, vai que estou muito retrógada? Passei pro lado profissional da coisa. Na mesma semana, dei uma olhada nos textos de uns coleguinhas (jornalista e aspirante se chama assim). Me deu mais revolta do que tristeza, saber que um dia essas aberrações da língua portuguesa não só farão parte da concorrência (o que é bom, quanto a esses eu me garanto) como farão, sei lá, parte da minha equipe. Rezo para que o bom senso do próximo exista e estes sejam limados antes da formatura. Minha mãe me consola quando diz que esse tipo tem e de monte por aí, em qualquer área. Eu sei, eu sei. Mas rezo pra que mude. Ainda tenho um ano. É só comigo ou isso também te dá medo?


Costumam me chamar de maluca, às vezes. É, porque eu costumo falar o que penso, ser sincera e não fazer joguinhos, fingir uma coisa sendo outra. Sempre agi assim, e quanto mais velha, só piora. Venho lutando contra a falta de noção, às vezes eu escolho palavras menos adequadas. Mas sempre sinceras. É só comigo ou a mentira virou 'olá'?! ÓBVIO que todo mundo mente, em tudo na vida. Pra não magoar conta-se mentirinhas aos montes, nunca fui muito Poliana, mas vamos combinar que tem gente que faz da mentira melhor amiga. Quanto a isso eu sou vacinada quase que diariamente (porque não sou Poliana mas sou filha de uma), mas ainda assim, vai dizer que não dá medo, aquela 'coleguinha' elogiar o casaco do outro e depois dizer que era ridículo, e logo depois a mesma 'coleguinha' elogiar o SEU boné?! Dá, sim.

Se me virem vagando pelas ruas olhando para o horizonte procurando meu lugar, não liguem. Dizem que de 7 em 7 anos a gente passa por uma crise existencial. Ou é só TPM.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A ficha

Demorou pra cair minha ficha, eu admito. Meu tempo às vezes é meio lento e se recusa a acompanhar a cronologia, paciência, já me acostumei com isso. Mas a ficha cai. Hoje caiu. A culpa não era mesmo sua, nunca foi. Você só errou quando achou que era minha, mas tudo bem, eu também te culpei por tanto tempo que já o perdoei.

Sabe, quando a gente sente que o amor acaba, pode ser meio apavorante. A gente começa a achar que é melhor ficar amando em vão, sem reciprocidade, com sofrimento. A gente diz que não, que prefere esquecer, mas a verdade é que não amar é mais solitário, e a solidão assusta. E me assustou. Fiquei mantendo um sofrimento que já não existia. Chamei a saudade de dor de amor. O que não deixa de ser, mas a verdade é que a minha ficha caiu.

Acordei hoje e percebi que acabou. Tudo, acabou. O amor, a vontade de voltar, de querer tentar de novo. Acabou a pontinha de esperança que poderia dar certo, fim da paciência pra esperar esse dia chegar. Perdi até o desejo de querer esclarecer o que ficou mal entendido, exigir algumas respostas, essas coisas. Perdi até esta vontade. Deixa pra lá, se tiver que ser assim, que seja.

Caiu a ficha que acabou tudo sim, não tem jeito. Uma hora, já tinham me dito, ia mesmo acabar. Ia ficar o vazio, dava medo mas era preciso encarar. A ficha caiu, e eu também caí na real. O vazio não me incomoda mais. E quando incomodar, vou tratar de aproveitar. Como é que se aproveita 'estar solteiro', perguntou-me ontem uma amiga minha. Pra mim? A falta. De uma companhia constante? É, verdade. Mas também falta dor.

E de dor a gente sempre já tá legal. Né?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Simples assim

Nunca tive muito talento pra namorar. Ou pelo menos não pra esse tipo de namoro que as pessoas costumam ter. O que eu acho engraçado, porque na teoria costumam querer uma coisa, mas na prática têm outra completamente diferente e não fazem nada para mudar. Exemplifiquemos: se o cara não sai com os amigos, é porque ele não quer. Rola uma regra básica nos relacionamentos, onde quando um sai, o outro também tem o direito de sair. Elas por elas. Fuxicam-se Orkut, computador, celular, a vida inteira, vasculhando pra encontrar alguma coisa que de repente nem existe, mas a imaginação do seu humano não conhece limites e uma pulga vira um elefante albino em meio segundo de 'a-há! Eu sabia! Quem é PRISCILA CHEFE?!'. Bom, pode ser a chefe dele, mas você estava tão doida gritando descontroladamente que meia dúzia de vizinhos já veio na janela ver do que se trata. Sem necessidade.

Toda essa teoria das supostas relações perfeitas eu sempre quis levar na prática. Qual é o problema se você querer jogar bola com os amigos? Vá, meu querido, seja feliz porque amanhã é dia de chopp com as meninas e eu também serei feliz no meu momento. Não porque você jogou bola hoje e tem que ser 'elas por elas', pelo amor de Deus, isso não existe. A noite de chopp das amigas sempre existiu, independente de namorados e de quais namorados. Simples assim. Fuxicar a vida só vai trazer problema. Se há alguma coisa, perceba pelos sinais, e não por mensagens que podem não significar absolutamente nada. Acreditem, existe mulher/homem com segundas, até terceiras intenções, mas não generalizem. Perdi a conta de quantas namoradas estéricas de amigos meus me odiaram mortalmente simplesmente porque eu conheço o namorado dela uns 10 anos e bom, o que fazer, amigos têm intimidade! É saber diferenciar esses dois tipos, simples assim.

O meu problema sempre foi querer fazer o que eu falava, viver a vida da maneira que sempre preguei. Não para provar nada pra ninguém, até porque nem pra mim mesma eu consegui provar, mas é que eu simplesmente não consigo dizer uma coisa e ser outra; não dá. Eu sempre fui essa mesma pessoa, claro que mais madura conforme o tempo e as coisas foram passando, mas sempre a mesma, gostando das mesmas coisas, e desgostando também. Que as mudanças que ocorrem não sejam pelo bem de outra pessoa que não o meu, pelo menos em primeiro lugar. Simples assim. Toda essa paixão pelo 'faço o que eu falo' tem me rendido brutos e/ou incompreensíveis términos de namoro. 'Cara, você tem noção que a relação não dá certo porque você não me aceita como eu sou, sabendo que eu sempre fui assim?'. Não sei se as pessoas têm noção. O bom disso tudo é que hoje eu tenho, e fico feliz em dizer que sou um camaleão e me adapto fácil em qualquer lugar. Mas minha essência, garotão, essa não muda mais. Nem tenta.


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Devaneios - parte II.

Eu já não sei te amo. Nunca cheguei nesse ponto, se amo e não sei mais, ou esqueci mas não tudo. Não sei que nome tem isso. Isso, essa falta que às vezes sinto - já não sei se é de você. Não sei porque nunca tive outro amor. Será que se eu já tivesse tido, a falta seria do sentimento, da sensação no coração? Sei lá. Tenho saudades de namorar, às vezes, mas necessariamente de namorar você? Não sei. Eu, sinceramente, não sei. Confesso que às vezes esqueço suas feições, mas jamais de certas frases. Não consigo lembrar do seu gosto, nem do cheiro, mas do toque, do carinho, das preferências, eu lembro sempre. Esquisito. É um passado tão distante, que por vezes se faz tão presente, que me assusta. Tenho medo de te ter no meu futuro em qualquer lugar que não seja do meu lado, ou definitivamente pra trás. É esse meio do caminho que me incomoda, esse passado que ainda não foi de vez, e esse futuro que teima em não chegar. É esse não saber que me irrita e aumenta minha dúvidas, quebra minhas certezas e me tira as palavras que descrevam como eu tô. No momento, eu só sei que tô sozinha.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Até a última gota

Acho lindo quando as pessoas 'acham que acharam' o amor de suas vidas. Aquela sensação e esperança do 'pra sempre', de preenchimento do vazio, a supra da carência, paixão, mãos dadas e toda aquela baboseira clichê. Acho super lindo e de uma importância absurda o aproveitamento até a última gota, como se fosse acabar amanhã.

Porque pode não acabar, mas como saber? Quando eu 'achei que tinha achado' o amor da minha vida, acabou. Um belo dia - ou nada belo - acabou. Até hoje passa pela minha cabeça se eu não fui até a bendita última e derradeira gota. Se não assisti dormir, conheci e me deixei conhecer, viajei, fiquei junto, briguei (com e por ele), se amei o suficiente. Pergunto-me se não até a última gota, pelo menos quão pude. Porque fica a sensação de ter feito pouco.

Vejo todos os casais e digo para aproveitarem os 'achados amores de suas vidas'. Que se achem, percam-se, esqueçam, quem liga? Vale tudo - ou quase tudo - por não saberem de amanhã. Às vezes a gente sabe, às vezes a gente acha que está preparado, mas quase sempre só achava mesmo e não estava pronto nem de longe, nem por fora (quanto mais por dentro).

Aí a gente se pega um belo dia (pelo que sei, caros, nada belo. Nada.) com toda aquela sensação se amor-não-devidamente-amado martelando a consciência e doendo no peito. 'Nossa, mas vocês se amaram muito, eu percebia.' Que seja, a sensação não some. Então você se olha com aquele amor todo e não sabe o que fazer com ele. Joga na vala? Corre atrás do prejuízo e perde o pouco de juízo e amor-próprio que ainda tinha pra amar até a última gota.

Em vão. A gota final e alguns bons litros de amor ficaram.

E você procura esquecê-los, até ver os amores que se acharam, e lembrar feliz dos dias belos que você já teve, um dia. Ah, gente, aproveitem. Abro a posta do armário e ó lá o amor que sobrou sentadinho, de pernas cruzadas! Ele me olha e sorri. Fecho a porta e penso nas gotas finais. O amor está lá, pronto pra elas. Só ainda não sei com quando vou gastá-las, quando vou 'achar que achei o amor da minha vida'. Não de novo.