Se você diz aos quatro ventos que nunca teve um relacionamento mal resolvido, ou você tem 12 anos ou mente. Simples assim. Não, não é nenhuma dádiva ter vivido uma história esquisita e mal terminada, aliás é como ter uma relação com beijo na boca - praticamente uma regra. Mas é preciso admitir essa dificuldade, esse passo que não foi dado e deixou uma ferida imensa, que por menor que pareça, todo mundo sabe que está ali, aberta e sangrando, mesmo que vez ou outra, quando você lembra de tirar a casquinha. Porque a gente sempre tira essa maldita casquinha. E ela não cicatriza nunca.
A durabilidade dessas situações mal resolvidas podem variar de meses a anos, e não tem coisa mais comum do que isso virar uma constante. Sim, as pessoas levam consigo uma imensidão de conversas que não foram concluídas, abraços que quiseram dar e não deram, palavras que ficaram na boca, mas não saíram da garganta. São milhões, talvez bilhões o número de casais que ainda têm alguma ligação com o passado e com quem já passou e nunca mais voltou; alguma porta que ficou aberta, alguma janelinha que mantém a frecha aberta, porque vai que... Ninguém nunca sabe o dia de amanhã.
Quando se trata de relacionamento, não existem situações completamente seguras, certas ou transparentes. A gente nunca sabe exatamente o que o outro pensa ou o que faz, ou fez. A história é de cada um, e só nos cabe mesmo confiar e pronto, vida que segue. Pensamos nas coisas que prendem nosso parceiro a algum lugar no passado, a algum retrato jogado na gaveta, assim como nós mesmos temos um pedacinho da gente dentro das agendas de papel, numa mensagem escondida nos rascunhos de e-mail, ou somente num pedaço da nossa memória. Pensar enlouquece.
Não dá pra resolver tudo. Palavras continuarão sem serem ouvidas, diversos 'eu te amo' vão ter que ficar pra próxima. Tudo isso, muitas vezes, a gente tem que resolver dentro da gente mesmo. Colocar nosso pensamento para conversar com o nosso sentimento é uma das coisas mais ridículas, difíceis e importantes que devemos fazer pra conseguir fechar as portas, pra conseguir ser feliz com a gente mesmo, independente do que pode vir ou não num futuro próximo ou distante. As portas precisam ser fechadas, senão dormir em paz vira uma utopia.
Mas volte quantas vezes você achar que deve voltar, até fechar todas as feridas. Arrisque e diga, repita todas as coisas que você acha que ficou por dizer. Viva momentos que ficaram só na imaginação, beije com aquele medo de perder de novo, escreva bilhetes, mensagens, cartas de amor - e, dessa vez, mande todas. Grite 'eu te amo', chore tudo que você prendeu em mesas de bar. Coloca pra fora tudo que veio engolindo, porque quando mesmo depois de tudo, você conseguir enxergar que não dá mais, o alívio vem: você tentou.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Recomeço
Meus parabéns a você que consegue começar um relacionamento sem levar bagagem do último que teve. Se eu fosse você, abriria uma curso de uma semana, ensinando passo-a-passo dessa magia sobrehumana, cobraria uma fortuna e viraria guru sentimental das estrelas. Se, como eu, você é um mero mortal que luta quase que arduamente contra esse defeito cretino, bem-vindo ao clube e nos unamos contra esse mal.
Começar de novo já é algo que demanda tempo. Você demora um período (que ninguém sabe dizer quanto, mas coloca aí umas semanas) para limpar sua vida dos resquícios que os anos passados deixaram. Objetos, comentários de terceiros, lembranças e sentimentos são varridos e depois passado pano por cima, com direito a desinfetante Veja. Mas o produto deixa o cheiro de que houve a limpeza...
É quando os dias voltam ao normal que o recomeço pode começar a chegar, deixando as malas no canto e se servindo do café. Ele vai ficando, deixa a sala e entra no quarto. Abre a gaveta e bom... Ainda tem umas bagagens ali dentro do armário. O recomeço insiste, e certo está ele, quando diz que é preciso esvaziar e jogar o velho fora, senão as coisas não cabem mais. Você sabe que ele está certo, mas daí para conseguir jogar fora... mais tempo.
É difícil saber o que fica e o que vai. O que é bagagem e o que é suvenir? Lembranças ficam, o que virou lição também cabe. Mas o mal resolvido, aquele embrulho enorme que ficou tanto tempo no seu estômago, no seu armário, ele tem que sair. Joga fora, se quiser recicla e que vire aprendizado, nunca entulho. Chama o caminhão de mudança, dependendo do lixo, chama até o moço da Comlurb, mas joga fora. E recomeça, tudo novo, de novo. Porque excesso de bagagem, só quando a mala está cheia de coisa nova.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Nada é tudo
Você não sabe o quer da vida. Não casa, nem compra uma bicicleta. Foge de tomar qualquer decísão que vai realmente mudar alguma coisa, mesmo que essa mudança seja pro seu melhor. Você não sabe se faz isso por medo de encarar as coisas e ter que assumir as consequências, por mais que elas sejam muito bem vindas, ou por precaução, afinal de contas já passou por muita situação nessa vida em que as coisas não acabaram bem como você planejava. Tá, você sabe que tudo que demanda a posição de mais de uma pessoa corre o (sério) risco de dar errado, mas você prefere não ter que tomar a decisão. Deixa que a vida tome por você.
Sinto lhe dizer que é ledo engano: fazendo nada, você já está fazendo tudo. Está deixando bem claro que a situação não te interessa realmente, não tem uma importância significativa na sua vida. Fugir pode ser presença de medo, mas é também ausência de vontade. Retifico que 'vontade' não é daquelas que dá e passa; é aquelas que, mesmo que você dê (atenção, ou algo a mais), não passam, só aumentam. Vontade de verdade, de querer mais do que aquilo que já existe. É, arriscar, caso queira chamar assim. Quando a vontade se torna algo maior do que você pode controlar dentro de você, quando você diz coisa que não queria dizer, mas que pensa.
Não nego que o medo, além de compreensível, é inevitável. Quem nunca teve medo de arriscar, que leve a vida de um paraquedista. Até mesmo esses, que se jogam de precipícios, têm suas dificuldades e terços na mão quando o assunto é uma relação amorosa, ou um emprego novo, enfim, uma vida nova. Voar com todas as seguranças testadas é bem menos arriscado do que entregar na mão de uma outra pessoa toda a confiança que você cuida com tanto zelo e carinho. Entregar o coração é meio piegas e o de menos: confiar é algo que dói mais, quando perdemos ou quando perdem a nossa, de alguma maneira. Tem instrutor de sentimento aí?
Quando você não toma decisão alguma, sua decisão está tomada. Discursos de que o medo paralisa e que é difícil confiar de novo são sinceros e quase unânimes, mas não colam por muito tempo. Por mais que a paixão cegue, um dia ela aprende a ler em braile, e então, como na deficiência física, o sofrimento da mente acaba conseguindo compreender melhor e, sozinho, vai matando a esperança que continha nas palavras "eu gosto de você, mas...". Porque "mas" e "porém" podem trazer dúvidas de que escondem um 'sim', só que fatalmente eles também trazem a certeza de que existe um 'não'.
Sinto lhe dizer que é ledo engano: fazendo nada, você já está fazendo tudo. Está deixando bem claro que a situação não te interessa realmente, não tem uma importância significativa na sua vida. Fugir pode ser presença de medo, mas é também ausência de vontade. Retifico que 'vontade' não é daquelas que dá e passa; é aquelas que, mesmo que você dê (atenção, ou algo a mais), não passam, só aumentam. Vontade de verdade, de querer mais do que aquilo que já existe. É, arriscar, caso queira chamar assim. Quando a vontade se torna algo maior do que você pode controlar dentro de você, quando você diz coisa que não queria dizer, mas que pensa.
Não nego que o medo, além de compreensível, é inevitável. Quem nunca teve medo de arriscar, que leve a vida de um paraquedista. Até mesmo esses, que se jogam de precipícios, têm suas dificuldades e terços na mão quando o assunto é uma relação amorosa, ou um emprego novo, enfim, uma vida nova. Voar com todas as seguranças testadas é bem menos arriscado do que entregar na mão de uma outra pessoa toda a confiança que você cuida com tanto zelo e carinho. Entregar o coração é meio piegas e o de menos: confiar é algo que dói mais, quando perdemos ou quando perdem a nossa, de alguma maneira. Tem instrutor de sentimento aí?
Quando você não toma decisão alguma, sua decisão está tomada. Discursos de que o medo paralisa e que é difícil confiar de novo são sinceros e quase unânimes, mas não colam por muito tempo. Por mais que a paixão cegue, um dia ela aprende a ler em braile, e então, como na deficiência física, o sofrimento da mente acaba conseguindo compreender melhor e, sozinho, vai matando a esperança que continha nas palavras "eu gosto de você, mas...". Porque "mas" e "porém" podem trazer dúvidas de que escondem um 'sim', só que fatalmente eles também trazem a certeza de que existe um 'não'.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Você se anularia?
Observo relacionamentos alheios desde que decidi vivenciar cada fase da minha vida de uma vez: fui criança, cresci, passei pela pré-adolescência, virei aborrecente, fiquei de castigo, achei que era grande, me vi realmente grande, me dei um ano pra encontrar meus sonhos e amadurecer ideias, me dei outro quase inteiro pra ser universitária bêbada e finalmente começar no mercado de trabalho. As coisas desandaram um pouco nessa pegada, e mudei de sonhos, mas no campo dos relacionamentos, fiz as coisas exatamente como planejei. Meu coração me ajudou nessa, se apaixonando nas horas que eu quis.
Mas enquanto isso, eu observava. Namoros curtos, longos, intensos. Casamentos, relações adúlteras (mesmo que não adultas), rolos, coisas sem compromisso. Fui aprendendo as regras e separando o joio do trigo, ou aquilo que eu jamais aceitaria - ou erraria - quando chegasse a minha vez de ter uma relação daquelas. Confesso que consegui muito do que planejei, e assumo todas as coisas que percebi serem totalmente diferentes na prática. Perdoei a mim mesma pelos julgamentos sem saber, quando assistia de fora. De dentro a visão pode ser totalmente míope, mas é também totalmente outra de quem está de fora.
Nunca pensei que me anularia por causa de outra pessoa, e de fato nunca o fiz. Fiz, mas foi por mim. Foi culpa minha. Eu mudei alguns poucos de Nina porque era essa a minha vontade. Para agradar gregos, troianos? Verdade. Mas EU quis agradá-los, então a culpa (que prefiro chamar de responsabilidade) sempre foi toda minha. E então eu me anulei. Não acordei a tempo (e a tempo de que, afinal?), mas acho que aprendi; aprendi que se anular funciona por um tempo, mas é como colocar durex, e uma hora a cola sempre sai.
Acredito que seres humanos possam mudar, até mesmo na sua essência mais pura, mais primitiva. Mas isso só acontece quando a vontade é maior do que tudo; quando supera esforços, dificuldades, opiniões e diabinhos internos e mundanos. Se essa vontade pessoal não existir, não tem castigo, promessa ou amor que resista. Não tem filho, dinheiro, paixão que persista. Não tem nada, nem tempo. Uma hora as máscaras caem, a paciência esgota, a bola de neve rola pra cima de tudo e de todos. Mais cedo ou mais tarde.
A gente anula certas coisas por causa do chefe, do trabalho em equipe, da família, dos filhos, do casamento. A gente passa a vida toda anulando algumas coisas em prol da paz, da harmonia, da convivência. A linha entre 'se anular um pouco' e 'se anular, ponto' é tão discreta quanto a forma de escrever essas duas, e a gente só nota que saiu de uma para outra quando a coisa parece não ter mais jeito. Mas tem, e volta na máxima: há vontade suficiente para mudar isso, de verdade? Porque você se anulou, e vai continuar fazendo isso pro resto da vida, mas o passo a dar pro 'se anular pouco' às vezes parece grande demais.
Só você pode saber se ainda dá tempo.
Mas enquanto isso, eu observava. Namoros curtos, longos, intensos. Casamentos, relações adúlteras (mesmo que não adultas), rolos, coisas sem compromisso. Fui aprendendo as regras e separando o joio do trigo, ou aquilo que eu jamais aceitaria - ou erraria - quando chegasse a minha vez de ter uma relação daquelas. Confesso que consegui muito do que planejei, e assumo todas as coisas que percebi serem totalmente diferentes na prática. Perdoei a mim mesma pelos julgamentos sem saber, quando assistia de fora. De dentro a visão pode ser totalmente míope, mas é também totalmente outra de quem está de fora.
Nunca pensei que me anularia por causa de outra pessoa, e de fato nunca o fiz. Fiz, mas foi por mim. Foi culpa minha. Eu mudei alguns poucos de Nina porque era essa a minha vontade. Para agradar gregos, troianos? Verdade. Mas EU quis agradá-los, então a culpa (que prefiro chamar de responsabilidade) sempre foi toda minha. E então eu me anulei. Não acordei a tempo (e a tempo de que, afinal?), mas acho que aprendi; aprendi que se anular funciona por um tempo, mas é como colocar durex, e uma hora a cola sempre sai.
Acredito que seres humanos possam mudar, até mesmo na sua essência mais pura, mais primitiva. Mas isso só acontece quando a vontade é maior do que tudo; quando supera esforços, dificuldades, opiniões e diabinhos internos e mundanos. Se essa vontade pessoal não existir, não tem castigo, promessa ou amor que resista. Não tem filho, dinheiro, paixão que persista. Não tem nada, nem tempo. Uma hora as máscaras caem, a paciência esgota, a bola de neve rola pra cima de tudo e de todos. Mais cedo ou mais tarde.
A gente anula certas coisas por causa do chefe, do trabalho em equipe, da família, dos filhos, do casamento. A gente passa a vida toda anulando algumas coisas em prol da paz, da harmonia, da convivência. A linha entre 'se anular um pouco' e 'se anular, ponto' é tão discreta quanto a forma de escrever essas duas, e a gente só nota que saiu de uma para outra quando a coisa parece não ter mais jeito. Mas tem, e volta na máxima: há vontade suficiente para mudar isso, de verdade? Porque você se anulou, e vai continuar fazendo isso pro resto da vida, mas o passo a dar pro 'se anular pouco' às vezes parece grande demais.
Só você pode saber se ainda dá tempo.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Malditas mudanças
Eu achava que a gente parava de mudar quando terminava a adolescência. Sempre acreditei que, depois dessa fase, era tudo uma questão de amadurecimento. Lia crônicas e livros sobre relacionamentos, todos dizendo que 'devemos acompanhar a mudança do companheiro', mas nunca acreditei realmente nisso. O pensamento era simples: 'a pessoa é a mesma, o problema é que a gente tende a não ver, ou a fingir que não vê'. Mas estou começando a discordar de mim.
Tenho jeitos, manias, pensamentos e convicções que me acompanham desde sempre, mas e todas as milhares que eu fui deixando no caminho? A gente não pára pra pensar nelas porque a rapidez com que a maioria vai sendo substituída com o passar dos anos não deixa. E sabe quando notamos com mais clareza? Em fotos. Em vídeos. Em diários que lemos anos depois de escrevê-los. A gente se vê, se lê, e simplesmente não consegue acreditar no quanto mudamos, de 2 anos pra cá, tão pouco tempo.
A vida vai colocando uma série de pedras, situações, galhos, problemas e soluções no nosso caminho, e são eles que fazem a gente tomar decisões, fazer escolhas. Antes delas acontecerem, éramos um. Depois dela, podemos ser até dez. O lado positivo é inegável: aprendemos a ser mais fortes, a enfrentar coisas que nunca pensamos. Ficamos orgulhosos de nós mesmos. Mas e quando quem muda é a pessoa que está do nosso lado, há tantos anos, a quem pensamos conhecer tão bem? Aí a coisa muda de figura...
É realmente doloroso quando o amor de uma pessoa por você acaba, e você não percebe. E você se culpa, afinal como isso aconteceu, onde é que você estava que não viu, que sempre conheceu tão bem o amor da sua vida? As circustâncias, histórias e razões jamais caberiam aqui, assim como explicação nenhuma justifica ou faz passar a dor da separação, da ausência de amor, verdadeiro oposto do sentimento maior. O que não podemos fazer é negar os fatos, por mais que doa (e demore) admiti-los.
Não há como medir dor, ou o tempo de luto enquanto ela não se vai. Se um dia o sentimento será somente nostálgico? O dia que eu passar por isso, prometo que conto. O que vale é entender que mudanças acontecem, e achar que não, é mentir com a cara mais lavada do mundo pra você mesmo. Renato Russo não errou, essa é, sim, a pior mentira. Mudança acontece, e a culpa não é de ninguém; ela só acontece e pronto. Dói quando a gente quer explicação e não acha, né?
Tenho jeitos, manias, pensamentos e convicções que me acompanham desde sempre, mas e todas as milhares que eu fui deixando no caminho? A gente não pára pra pensar nelas porque a rapidez com que a maioria vai sendo substituída com o passar dos anos não deixa. E sabe quando notamos com mais clareza? Em fotos. Em vídeos. Em diários que lemos anos depois de escrevê-los. A gente se vê, se lê, e simplesmente não consegue acreditar no quanto mudamos, de 2 anos pra cá, tão pouco tempo.
A vida vai colocando uma série de pedras, situações, galhos, problemas e soluções no nosso caminho, e são eles que fazem a gente tomar decisões, fazer escolhas. Antes delas acontecerem, éramos um. Depois dela, podemos ser até dez. O lado positivo é inegável: aprendemos a ser mais fortes, a enfrentar coisas que nunca pensamos. Ficamos orgulhosos de nós mesmos. Mas e quando quem muda é a pessoa que está do nosso lado, há tantos anos, a quem pensamos conhecer tão bem? Aí a coisa muda de figura...
É realmente doloroso quando o amor de uma pessoa por você acaba, e você não percebe. E você se culpa, afinal como isso aconteceu, onde é que você estava que não viu, que sempre conheceu tão bem o amor da sua vida? As circustâncias, histórias e razões jamais caberiam aqui, assim como explicação nenhuma justifica ou faz passar a dor da separação, da ausência de amor, verdadeiro oposto do sentimento maior. O que não podemos fazer é negar os fatos, por mais que doa (e demore) admiti-los.
Não há como medir dor, ou o tempo de luto enquanto ela não se vai. Se um dia o sentimento será somente nostálgico? O dia que eu passar por isso, prometo que conto. O que vale é entender que mudanças acontecem, e achar que não, é mentir com a cara mais lavada do mundo pra você mesmo. Renato Russo não errou, essa é, sim, a pior mentira. Mudança acontece, e a culpa não é de ninguém; ela só acontece e pronto. Dói quando a gente quer explicação e não acha, né?
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Um ano melhor
Todo ano desejo às pessoas que o ano seguinte seja melhor que o anterior. Acho que comecei a fazer isso quando considerei meu ano uma grande bosta. Hoje, parando para avaliar o motivo dessa raiva, encontrei a decepção. Taí algo pelo que ninguém gosta de passar, mas invariavelmente acontece quando a gente ama, gosta, tem respeito, confia, é feliz. E aí, vai deixar tudo isso pela certeza de uma segurança esquisita?
Confesso que, assim que nos decepcionamos, a vontade de explodir de ódio é tão grande que a impressão que dá é que explodimos, só que ninguém viu. A gente sente raiva do responsável pela decepção, mesmo só percebendo bem depois que o grande dono dessa sensação de 'nada' é a gente mesmo. E sentir raiva de nós mesmos é o fim: como fugir da nossa própria companhia? Então a gente se cerca de não-nós mesmos.
Saímos por aí beijando bocas, mantendo relações com tudo que nos ajuda a fugir de nós mesmos. Pessoas vazias (de fato, ou que somente nos soe assim), garrafas cheias, lugares lotados de superficialidades - o mundo está cheio disso. Por um tempo, isso realmente funciona. Não vejo problema em querer fugir certos momentos, mas sempre chega a hora da verdade cansar de bater na porta - e ela arromba.
A gente encara o fato de que esperar demais é uma grande idiotice, mas que todo mundo acaba fazendo, um dia. A gente sabe que perfeição é a maior das mentiras, mas acaba acreditando nela, alguns dias. E a gente tem duas escolhas: ou faz disso uma razão pra desejar um ano melhor na noite do dia 31 de dezembro ou aceita que isso faz parte e faz de cada uma dessas imbecilidades mais um aprendizado. Não pra nunca mais errar, mas pra rir de tudo isso antes, da próxima vez.
Confesso que, assim que nos decepcionamos, a vontade de explodir de ódio é tão grande que a impressão que dá é que explodimos, só que ninguém viu. A gente sente raiva do responsável pela decepção, mesmo só percebendo bem depois que o grande dono dessa sensação de 'nada' é a gente mesmo. E sentir raiva de nós mesmos é o fim: como fugir da nossa própria companhia? Então a gente se cerca de não-nós mesmos.
Saímos por aí beijando bocas, mantendo relações com tudo que nos ajuda a fugir de nós mesmos. Pessoas vazias (de fato, ou que somente nos soe assim), garrafas cheias, lugares lotados de superficialidades - o mundo está cheio disso. Por um tempo, isso realmente funciona. Não vejo problema em querer fugir certos momentos, mas sempre chega a hora da verdade cansar de bater na porta - e ela arromba.
A gente encara o fato de que esperar demais é uma grande idiotice, mas que todo mundo acaba fazendo, um dia. A gente sabe que perfeição é a maior das mentiras, mas acaba acreditando nela, alguns dias. E a gente tem duas escolhas: ou faz disso uma razão pra desejar um ano melhor na noite do dia 31 de dezembro ou aceita que isso faz parte e faz de cada uma dessas imbecilidades mais um aprendizado. Não pra nunca mais errar, mas pra rir de tudo isso antes, da próxima vez.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Torsão no coração?
Torci o tornozelo. Eu vivo fazendo isso comigo mesma, desde sempre. Não sou muito amiga dos meus pés. Já cheguei à conclusão que, em outra vida, devo ter arrancado ambos pernas/pés num ataque de ódio a mim mesma ou tive lindos pares dos membros inferiores e não soube dar valor, mas isso é assunto pra outra divagação. Aqui, a questão é aquela dor chata que torcer o pé/mão traz. Não é insuportável, mas um mau jeito te faz ver estrelas. Meio como recuperar-se de uma mágoa.
Qualquer mágoa. Seja um término de relação, uma briga mal resolvida, uma discussão que durou mais aquele momento, enfim, uma mágoa. De início, dói mais. Pode ou não transparecer pra quem vê, ficando roxo, inchado ou não conseguindo esconder a cara de tristeza. Com o tempo, a dor vai melhorando, doendo mais quando a gente pisa de mau jeito, força demais o pé ou insiste em mexer no passado, que não quer (ou não deve) ser mexido.
Aquela dor constante, como enxaqueca leve que consegue durar horas sem cessar, incomodando sem te impedir de fazer quase nada, parece com a do torsão que você ainda não sabe se pode ser tendinite; ou mágoa quer você ainda não sabe se pode ser o fim de tudo, e pior, daquele fio de esperança que você guarda, como o milagre do gesso ou da bota curarem seu pé roxo, sem a fisioterapia, ou sem a fase de depressãozinha chata que não dói demais, mas também não dói de
menos.
Torser o coração de feridinhas pequenas, como a mágoa colecionando pequenos mau jeitos no caminho da cura, é o que mais fazemos pela vida. Tomamos tombos maiores algumas poucas vezes, onde os danos são maiores, mesmo que ainda reparáveis, mas a maioria é só torsão: muita dor, gesso na dorzinha chata e pra curar mesmo, fisioterapia da paciência, que é só tempo e torcida, mas com 'c', pro amor novo chegar.
Qualquer mágoa. Seja um término de relação, uma briga mal resolvida, uma discussão que durou mais aquele momento, enfim, uma mágoa. De início, dói mais. Pode ou não transparecer pra quem vê, ficando roxo, inchado ou não conseguindo esconder a cara de tristeza. Com o tempo, a dor vai melhorando, doendo mais quando a gente pisa de mau jeito, força demais o pé ou insiste em mexer no passado, que não quer (ou não deve) ser mexido.
Aquela dor constante, como enxaqueca leve que consegue durar horas sem cessar, incomodando sem te impedir de fazer quase nada, parece com a do torsão que você ainda não sabe se pode ser tendinite; ou mágoa quer você ainda não sabe se pode ser o fim de tudo, e pior, daquele fio de esperança que você guarda, como o milagre do gesso ou da bota curarem seu pé roxo, sem a fisioterapia, ou sem a fase de depressãozinha chata que não dói demais, mas também não dói de
menos.
Torser o coração de feridinhas pequenas, como a mágoa colecionando pequenos mau jeitos no caminho da cura, é o que mais fazemos pela vida. Tomamos tombos maiores algumas poucas vezes, onde os danos são maiores, mesmo que ainda reparáveis, mas a maioria é só torsão: muita dor, gesso na dorzinha chata e pra curar mesmo, fisioterapia da paciência, que é só tempo e torcida, mas com 'c', pro amor novo chegar.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Só porque eu (não) namoro
Você ouve piadinhas só porque (não) está namorando? Bem-vindo ao mundo de todas as pessoas desse mundo. Literalmente. Porque as piadinhas existem sempre, e por mais que falemos nelas, que critiquemos, aceitem, amiguinhos: ela jamais deixarão de fazerem parte do nosso dia-a-dia. A gente é que precisa aprender a não deixar que elas irritem demais - mesmo que alguns dias você se permita xingar muito no twitter. Ou no blog.
Parece que foi ontem quando eu estava solteira e era mais certo que vuvuzela em dia de jogo na Copa: conhecia alguém e a pergunta 'como não tem namorado? Por que, meu Deus?' vinha voando. Eu, honestamente, que não vejo problema nenhum em estar sozinho. Acho a frase 'solteiro sim, sozinho nunca' tão ridícula quanto digna de pena. Se você não tem nenhuma relação estável, você ESTÁ sozinho, meu amor.
Eu, que teoricamente estou numa relação estável, considero-me sozinha. Todos estamos. Temos amigos, colegas, familiares, namorados, mas no fundo, a única certeza é de estarmos sós. Provavelmente não estaremos sempre, mas geralmente. E qual o problema nisso? Quem não sabe viver sozinho eu sugiro que aprenda. Nada melhor do que pensar sozinho em planos do futuro e repensar nas atitudes já tomadas.
Idéias de respostas, dependendo do seu humor:
- Você sai sozinho? Mas não namora?
- Namoro, mas vai que encontro coisa melhor, né? piadinha com pitada de humor
(A cara de bunda da pessoa já vale)
- Bonita desse jeito e sem namorado? Ah, você deve ser muito exigente.
- Sou mesmo, tipo esse seu dente amarelado eu não tolero. mau humor claro
ou
- Pois é, eu peço tanto que escovem os dentes, sabe? piadinha de leve
- Aposto que tem ficante...
- Tenho, pô, tô só esperando ele terminar com a namorada que vira sério! sarcástica
- E aí, casa quando?
- Ano que vem, mas é só pros íntimos... piadinha quase séria
ou
- Olha, eu já casei... (meio sem graça porque não convidou o pentelho) piada séria
ou
- Quando tiver din din! piadinha leve
- Passando o rodo, aposto!
- Pior que não faxino nem minha casa... piadinha leve
ou
- Sou virgem. com cara séria
O curioso? É que, invariavelmente, esses questionamentos vêm de pessoas que não dão lá bons exemplos de bons parceiros em suas relações. Repare! ;)
PS: você sabia que eu escrevo a coluna T.P.M. no Pecado Fashion? Clica em cima do nome e leia, o site é ÓTIMO!
Parece que foi ontem quando eu estava solteira e era mais certo que vuvuzela em dia de jogo na Copa: conhecia alguém e a pergunta 'como não tem namorado? Por que, meu Deus?' vinha voando. Eu, honestamente, que não vejo problema nenhum em estar sozinho. Acho a frase 'solteiro sim, sozinho nunca' tão ridícula quanto digna de pena. Se você não tem nenhuma relação estável, você ESTÁ sozinho, meu amor.
Eu, que teoricamente estou numa relação estável, considero-me sozinha. Todos estamos. Temos amigos, colegas, familiares, namorados, mas no fundo, a única certeza é de estarmos sós. Provavelmente não estaremos sempre, mas geralmente. E qual o problema nisso? Quem não sabe viver sozinho eu sugiro que aprenda. Nada melhor do que pensar sozinho em planos do futuro e repensar nas atitudes já tomadas.
Idéias de respostas, dependendo do seu humor:
- Você sai sozinho? Mas não namora?
- Namoro, mas vai que encontro coisa melhor, né? piadinha com pitada de humor
(A cara de bunda da pessoa já vale)
- Bonita desse jeito e sem namorado? Ah, você deve ser muito exigente.
- Sou mesmo, tipo esse seu dente amarelado eu não tolero. mau humor claro
ou
- Pois é, eu peço tanto que escovem os dentes, sabe? piadinha de leve
- Aposto que tem ficante...
- Tenho, pô, tô só esperando ele terminar com a namorada que vira sério! sarcástica
- E aí, casa quando?
- Ano que vem, mas é só pros íntimos... piadinha quase séria
ou
- Olha, eu já casei... (meio sem graça porque não convidou o pentelho) piada séria
ou
- Quando tiver din din! piadinha leve
- Passando o rodo, aposto!
- Pior que não faxino nem minha casa... piadinha leve
ou
- Sou virgem. com cara séria
O curioso? É que, invariavelmente, esses questionamentos vêm de pessoas que não dão lá bons exemplos de bons parceiros em suas relações. Repare! ;)
PS: você sabia que eu escrevo a coluna T.P.M. no Pecado Fashion? Clica em cima do nome e leia, o site é ÓTIMO!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Férias de amor
- Todo casal deve se manter afastado por pelo durante um mês todo ano para que um casamento dure muito.
A frase acima foi dita por um homem, e outros dois concordaram. Fiquei com cara de caneca, como diria Ana Carolina ("cara de caneca é quando você ganha uma caneca e fala 'oh...'), ou seja, cara de 'não entendi'. Porque eu realmente não entendi. Ok, nunca namorei mais do que 1 ano e 9 meses (aliás, mais cinco dias e esse recorde é quebrado, que rufem os tambores da contagem regressiva) e nunca fui casada, ou seja, mal vejo meu namorado uns 3 dias por semana, mas será que é assim mesmo?
Acharam um absurdo eu não entender casais que tiram férias separados, ou que viajam a descanso cada um para um canto. Porque eu não entendo como duas pessoas que estão juntas prefiram estar separadas. Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido. O dia que eu preferir passar dias sem meu namorado, eu mando um beijinho e termino, simples assim. Isso tudo é carência, medo de ficar sozinho? E que medo é esse que as pessoas sentem, meu Deus? Preferem estar com uma pessoa que não é mega gente boa? Ah, pára com isso...
Viver 24hs grudado não funciona? Concordo. Mas concordo porque isso não funciona COM NINGUÉM: nem com seus pais, irmãos, melhores amigos, e até filhos. Por que seria diferente com namorado? Não seria. Saio sozinha, saio com amigas, amigos, claro que saio com outras pessoas e passo um tempo longe. Mas semanas? Me desculpe, não vejo sentido. Talvez eu veja quando casar e sentir essa necessidade, mas confesso que ainda acho esquisito e difícil que aconteça.
Para mim, passar semanas longe de uma pessoa com quem você mora, mas já passa horas do dia longe, porque trabalha, faz outras atividades, enfim, por milhares de motivos, para mim soa como férias DA pessoa. Passar momentos longe, refeições, talvez um ou outro final de semana qualquer, tudo bem. Mas FÉRIAS? Sei lá. Sim, pode ser que eu releia isso daqui a uns anos e pense 'que utópica'. Mas pode ser que eu releia e sorria 'que visão de futuro que eu tinha...'
A frase acima foi dita por um homem, e outros dois concordaram. Fiquei com cara de caneca, como diria Ana Carolina ("cara de caneca é quando você ganha uma caneca e fala 'oh...'), ou seja, cara de 'não entendi'. Porque eu realmente não entendi. Ok, nunca namorei mais do que 1 ano e 9 meses (aliás, mais cinco dias e esse recorde é quebrado, que rufem os tambores da contagem regressiva) e nunca fui casada, ou seja, mal vejo meu namorado uns 3 dias por semana, mas será que é assim mesmo?
Acharam um absurdo eu não entender casais que tiram férias separados, ou que viajam a descanso cada um para um canto. Porque eu não entendo como duas pessoas que estão juntas prefiram estar separadas. Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido. O dia que eu preferir passar dias sem meu namorado, eu mando um beijinho e termino, simples assim. Isso tudo é carência, medo de ficar sozinho? E que medo é esse que as pessoas sentem, meu Deus? Preferem estar com uma pessoa que não é mega gente boa? Ah, pára com isso...
Viver 24hs grudado não funciona? Concordo. Mas concordo porque isso não funciona COM NINGUÉM: nem com seus pais, irmãos, melhores amigos, e até filhos. Por que seria diferente com namorado? Não seria. Saio sozinha, saio com amigas, amigos, claro que saio com outras pessoas e passo um tempo longe. Mas semanas? Me desculpe, não vejo sentido. Talvez eu veja quando casar e sentir essa necessidade, mas confesso que ainda acho esquisito e difícil que aconteça.
Para mim, passar semanas longe de uma pessoa com quem você mora, mas já passa horas do dia longe, porque trabalha, faz outras atividades, enfim, por milhares de motivos, para mim soa como férias DA pessoa. Passar momentos longe, refeições, talvez um ou outro final de semana qualquer, tudo bem. Mas FÉRIAS? Sei lá. Sim, pode ser que eu releia isso daqui a uns anos e pense 'que utópica'. Mas pode ser que eu releia e sorria 'que visão de futuro que eu tinha...'
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Postado no pecadofashion.com.br
Taí uma coisa pra qual eu nunca tive vocação: namorar. É, porque tem gente que parece ter nascido pra isso. É caseira, romântica, sabe cozinhar, gosta de usar apelidos carinhosos, é família, adora viagens a dois de fim de semana, sabe e adora comprar ou fazer presentinhos fofos, enfim, tem garota que foi feita pra ser a típica namorada.
Eu, não. Meu primeiro namoro sério foi um bater de cabeças imenso, coitado do meu ex-namorado paciente com essa criatura que adora um barzinho cheio, gosta de conversar com 234 pessoas ao mesmo tempo, não se incomoda com o futebol semanal do namorado, e que aliás nem faz questão de ir.
Não sou romântica (apesar de escrever de amor ser o que eu mais sei fazer na vida), detesto cozinhar, não gosto de apelidos carinhosos, e até sou criativa, mas acho de uma viadagem tremenda presentinhos fofos demais. Sou super família, mas muito mais pela zona do que pelo ambiente calmo. Eu? Não sou nem um pouco calma.
Viver minha vida de solteira até a última gota sempre foi meu lema, até eu aprender a namorar e perceber que, quando você aprende a curtir todas as coisas boas do momento que você vive, as coisas boas do outro lado da moeda parecem insignificantes, e não te deixam saudade. Eu aprendi a ser solteira como ninguém – mas hoje também aprendi a namorar.
Nunca senti saudade de uma coisa, nem de outra. Enquanto estava sem ninguém? Aproveitava tudo que isso me trazia: não ter ninguém para dar satisfação, gastar menos (que mulher gasta mais solteira?), passar horas no shopping e problema meu, beijar quem estava a fim, ir onde bem entendia, sair só com as amigas sempre, sair só com homens quando desse na telha.
Hoje, há um ano e oito meses, eu namoro. E adoro ter alguém para contar meu dia sem parecer uma chata, ter companhia pra todos os filmes que quero ver, ir em todos os restaurantes que sempre quis, me cuidar pra quem sei que vale a pena. Adoro ter um amigo pra todas as horas e adoro mais ainda saber que namorado bom é aquele que você pode namorar e poder ser quem você é, como se fosse solteira.
Não está namorando? Curta o máximo que seu fígado permitir, pra quando achar o cara mais legal do mundo, não sentir a menor saudade do que o mundo pode te oferecer. Assim, é bem mais fácil enxergar o mundo que seu namorado tem pra te oferecer.
Eu, não. Meu primeiro namoro sério foi um bater de cabeças imenso, coitado do meu ex-namorado paciente com essa criatura que adora um barzinho cheio, gosta de conversar com 234 pessoas ao mesmo tempo, não se incomoda com o futebol semanal do namorado, e que aliás nem faz questão de ir.
Não sou romântica (apesar de escrever de amor ser o que eu mais sei fazer na vida), detesto cozinhar, não gosto de apelidos carinhosos, e até sou criativa, mas acho de uma viadagem tremenda presentinhos fofos demais. Sou super família, mas muito mais pela zona do que pelo ambiente calmo. Eu? Não sou nem um pouco calma.
Viver minha vida de solteira até a última gota sempre foi meu lema, até eu aprender a namorar e perceber que, quando você aprende a curtir todas as coisas boas do momento que você vive, as coisas boas do outro lado da moeda parecem insignificantes, e não te deixam saudade. Eu aprendi a ser solteira como ninguém – mas hoje também aprendi a namorar.
Nunca senti saudade de uma coisa, nem de outra. Enquanto estava sem ninguém? Aproveitava tudo que isso me trazia: não ter ninguém para dar satisfação, gastar menos (que mulher gasta mais solteira?), passar horas no shopping e problema meu, beijar quem estava a fim, ir onde bem entendia, sair só com as amigas sempre, sair só com homens quando desse na telha.
Hoje, há um ano e oito meses, eu namoro. E adoro ter alguém para contar meu dia sem parecer uma chata, ter companhia pra todos os filmes que quero ver, ir em todos os restaurantes que sempre quis, me cuidar pra quem sei que vale a pena. Adoro ter um amigo pra todas as horas e adoro mais ainda saber que namorado bom é aquele que você pode namorar e poder ser quem você é, como se fosse solteira.
Não está namorando? Curta o máximo que seu fígado permitir, pra quando achar o cara mais legal do mundo, não sentir a menor saudade do que o mundo pode te oferecer. Assim, é bem mais fácil enxergar o mundo que seu namorado tem pra te oferecer.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Se tem coisa que odeio...
Olha, se tem coisa que eu odeio é me arrepender... Sempre fui impulsiva por achar que as coisas deveriam ser feitas de acordo com o que sentimos no momento e pronto: depois a gente parava pra pensar no que tinha feito, mas nada que alguns anos de experiência não pudessem me dizer que 'assim foi melhor'. Talvez eu tinha perdido lindas histórias de amor, talvez eu tenha perdido tempo com pessoas que não valeram a pena, mas a verdade é que eu sempre soube aproveitar o que me tinha sido dado - e não ligar absolutamente para o que eu tinha tirado do meu caminho. A decisão havia sido minha e por isso não adiantava de nada ficar olhando pra trás.
A verdade é que, como muito bem disse hoje um amigo meu, ' vida é assim mesmo: para cada decisão, automaticamente você exclui outra'. Acho que já até mencionei Chorão (sim, aquele do Charlie Brown Jr.), que muito sabiamente cantou 'cada escolha, uma renúncia, isso é a vida'. É isso: a gente sempre abre mão de alguma coisa quando escolhe outra, e ficar pensando no que abriu mão é causa de insônia, sensação de vazio e por aí vão nostalgias seguidas de perda de tempo. Tão causadora de noites insones quanto, é a dúvida, é o tempo que se gasta antes de tomar uma decisão, mas vale a pena por todo um futuro certo - ou ao menos como você escolheu.
A impulsividade pode acompanhar uma pessoa pro resto da vida. Minha mãe está a três décadas de mim e ainda tem seus momentos, mas a tendência é que a constância impulsiva se transforme em ocasiões raras, como mamãe tem feito. Acredito no avanço individual cada vez maior no passar das gerações, talvez por isso eu tenha começado a fazer terapia vinte anos mais nova do que ela. Cansei de ser impulsiva demais, ou sempre. Pensar muito pode deixar brechas para algumas coisas passarem direto, mas as situações realmente importantes param antes. E aí você, a essa altura do campeonato, já tem bola na mão e apito na boca - pra encerrar a partida de vez ou começar o segundo tempo; o juiz é você.
A verdade é que, como muito bem disse hoje um amigo meu, ' vida é assim mesmo: para cada decisão, automaticamente você exclui outra'. Acho que já até mencionei Chorão (sim, aquele do Charlie Brown Jr.), que muito sabiamente cantou 'cada escolha, uma renúncia, isso é a vida'. É isso: a gente sempre abre mão de alguma coisa quando escolhe outra, e ficar pensando no que abriu mão é causa de insônia, sensação de vazio e por aí vão nostalgias seguidas de perda de tempo. Tão causadora de noites insones quanto, é a dúvida, é o tempo que se gasta antes de tomar uma decisão, mas vale a pena por todo um futuro certo - ou ao menos como você escolheu.
A impulsividade pode acompanhar uma pessoa pro resto da vida. Minha mãe está a três décadas de mim e ainda tem seus momentos, mas a tendência é que a constância impulsiva se transforme em ocasiões raras, como mamãe tem feito. Acredito no avanço individual cada vez maior no passar das gerações, talvez por isso eu tenha começado a fazer terapia vinte anos mais nova do que ela. Cansei de ser impulsiva demais, ou sempre. Pensar muito pode deixar brechas para algumas coisas passarem direto, mas as situações realmente importantes param antes. E aí você, a essa altura do campeonato, já tem bola na mão e apito na boca - pra encerrar a partida de vez ou começar o segundo tempo; o juiz é você.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Quando você não tem certeza
Tomar uma decisão que te traz insegurança no depois, seja que decisão for, nunca é muito fácil. Ninguém nunca sabe o que esperar do amanhã, é verdade, mas quem é que não tem medo do desconhecido? Do que não se sabe, conhece ou já viu pra saber como funciona? Pra morrer, basta estar vivo, e emprego nenhum é cem por cento certo, mesmo que cargos públicos tendem a durar para sempre. A gente nunca sabe, no fundo. E nunca saber é não ter certeza de nada.
Começar um namoro com alguém que você pouco conhece, ou alguém que você conhece muito e não quer magoar/ser magoado; terminar uma relação onde você já foi muito feliz, sem saber se essa pode ser mais uma crise que provavelmente passa logo e você vai amargar no arrependimento; sair de São Paulo pra ir morar no Texas e morrer de saudades da família, mas quem sabe arrumar um namorado? A gente não sabe. Por isso que a gente tem medo.
É muito linda aquela lista de conselhos positivos que as pessoas insistem em nos dar, aqueles textos motivantes de blogs cor-de-rosa que tentam te ensinar alguma coisa útil. Mas no fim das contas, meus caros, é a gente quem vai viver o amanhã da gente mesmo, e o povo vai assistir, por mais que de camarote - e assistir nunca é estar no cenário. Colha opiniões, e boa sorte na hora de ficar com uma delas.
A minha? Rá. Quem sou eu pra te dizer o que fazer, quando nem eu sei o que fazer com meus problemas? Posso só te dizer como funciona a minha faltas de certezas. Não sei o que quero da vida, mas tô tentando descobrir. Fazendo de tudo, sugando o que posso, porque não quero, semana que vem, pensar que posso ter perdido alguma coisa porque fiquei com preguiça. E medo é um preguiça disfarçada.
Começar um namoro com alguém que você pouco conhece, ou alguém que você conhece muito e não quer magoar/ser magoado; terminar uma relação onde você já foi muito feliz, sem saber se essa pode ser mais uma crise que provavelmente passa logo e você vai amargar no arrependimento; sair de São Paulo pra ir morar no Texas e morrer de saudades da família, mas quem sabe arrumar um namorado? A gente não sabe. Por isso que a gente tem medo.
É muito linda aquela lista de conselhos positivos que as pessoas insistem em nos dar, aqueles textos motivantes de blogs cor-de-rosa que tentam te ensinar alguma coisa útil. Mas no fim das contas, meus caros, é a gente quem vai viver o amanhã da gente mesmo, e o povo vai assistir, por mais que de camarote - e assistir nunca é estar no cenário. Colha opiniões, e boa sorte na hora de ficar com uma delas.
A minha? Rá. Quem sou eu pra te dizer o que fazer, quando nem eu sei o que fazer com meus problemas? Posso só te dizer como funciona a minha faltas de certezas. Não sei o que quero da vida, mas tô tentando descobrir. Fazendo de tudo, sugando o que posso, porque não quero, semana que vem, pensar que posso ter perdido alguma coisa porque fiquei com preguiça. E medo é um preguiça disfarçada.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Mudanças
Um dia, não sei quem, nem quando, nem em que circunstâncias, me disseram que ninguém nunca mudaria por mim. Confesso que naquela época não levei como informação válida. 'Pra que que eu vou querer que alguém mude por mim? Pra jogar na minha cara depois?'. Eu devia ter uns 15 anos, ou menos, sei lá. Sábia que eu era, e não sabia...
O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...
Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.
Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.
Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...
O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...
Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.
Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.
Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O desconhecido
Eu morro de medo de começar de novo. Confesso que de vez em quando me pego lembrando como era bom estar apaixonada, a barriga com a impressão de ter borboletas dentro. Sentir saudade, sentir carinho, sentir-se amado, simplesmente sentir. Porque hoje, eu não sinto. Bom, eu sinto, mas como ser humano que sou, tendo a comparar as coisas, e comparando com a época em que amei, não sinto é nada. Porque nem se compara. Mas eu não quero sentir. Foi a escolha que eu fiz. Eu não quero. Não de novo. Ao menos não agora. Porque ainda não esqueci? Porque não estou pronta? Não. Simplesmente porque eu não quero passar por isso de novo.
É, eu tenho medo de sofrer. E pode ser que eu nem sofra. Eu tenho medo de me envolver de novo e acabar com o coração partido, e sofrer mais uma vez. Eu tenho medo de não confiar, de não ser conseguir ser confiável, de novo. De cometer os mesmos erros que eu cometi, porque sei que esses erros fazem parte de mim, sempre fizeram, e eu não sei se consegui mudar. Eu só saberia se passasse por isso de novo, se desse uma chance; pra alguém, pro amor, mas principalmente, pra mim. Se EU me desse uma chance. 'Vai lá, Nina. Tenta de novo, tenta ser melhor.' Não que eu não tenha sido, mas virei gato escaldado. A gente sempre se lapida, ainda mais nos tropeços.
Só que eu morro de medo. Porque essa chance vem com coisas muito boas, todas aquelas que, às vezes, me saudam. Eu sinto saudade de amar, de ter alguém, claro que eu sinto. De namorar, de ser namorada. É muito bom. Mas do ciúme, ah, eu morro de medo. Das cobranças, da falta da liberdade que eu sempre tive e soube aproveitar como poucos. Da independência que se perde e
nem percebe em que parte do caminho. Medo da mágoa, da mentira muitas vezes pensando no bem da relação. Medo da verdade, pelo bem de um futuro longe da hipocrisia. Medo. Porque... Eu não sei. Não sei o que me espera. Mesmo conhecendo alguém, no final, a gente acaba se surpreendendo. Bom, eu me surpreendi.
A gente sabe que comparar é péssimo, mas compara. A gente sabe que nunca é igual, mas quem me garante? Talvez eu me surpreenda, mas de maneira boa. Mas talvez não. Porque eu confiei e olha só. Porque eu me entreguei e me magoei. Porque eu achei que não ia acabar e o fim veio tão... Tão... Que eu me surpreendi. E não gostei. Eu nunca gostei de surpresas. Festas, talvez. Um presente. Mas não um tiro pelas costas. Eu me sinto traída por certas surpresas. Quando as coisas fogem do meu controle. Quando a gente namora, as coisas fogem do nosso controle. E isso me dá medo.
Pronta pra próxima? Ainda não. O medo é maior que a vontade de tentar de novo. E não importa com quem. De repente é porque eu ainda não me apaixonei de novo. De repente é porque ainda não é amor. Eu não sei. E por isso, o medo do desconhecido.
Porque um belo dia: prazer, eu sou a Nina.
É, eu tenho medo de sofrer. E pode ser que eu nem sofra. Eu tenho medo de me envolver de novo e acabar com o coração partido, e sofrer mais uma vez. Eu tenho medo de não confiar, de não ser conseguir ser confiável, de novo. De cometer os mesmos erros que eu cometi, porque sei que esses erros fazem parte de mim, sempre fizeram, e eu não sei se consegui mudar. Eu só saberia se passasse por isso de novo, se desse uma chance; pra alguém, pro amor, mas principalmente, pra mim. Se EU me desse uma chance. 'Vai lá, Nina. Tenta de novo, tenta ser melhor.' Não que eu não tenha sido, mas virei gato escaldado. A gente sempre se lapida, ainda mais nos tropeços.
Só que eu morro de medo. Porque essa chance vem com coisas muito boas, todas aquelas que, às vezes, me saudam. Eu sinto saudade de amar, de ter alguém, claro que eu sinto. De namorar, de ser namorada. É muito bom. Mas do ciúme, ah, eu morro de medo. Das cobranças, da falta da liberdade que eu sempre tive e soube aproveitar como poucos. Da independência que se perde e
nem percebe em que parte do caminho. Medo da mágoa, da mentira muitas vezes pensando no bem da relação. Medo da verdade, pelo bem de um futuro longe da hipocrisia. Medo. Porque... Eu não sei. Não sei o que me espera. Mesmo conhecendo alguém, no final, a gente acaba se surpreendendo. Bom, eu me surpreendi.
A gente sabe que comparar é péssimo, mas compara. A gente sabe que nunca é igual, mas quem me garante? Talvez eu me surpreenda, mas de maneira boa. Mas talvez não. Porque eu confiei e olha só. Porque eu me entreguei e me magoei. Porque eu achei que não ia acabar e o fim veio tão... Tão... Que eu me surpreendi. E não gostei. Eu nunca gostei de surpresas. Festas, talvez. Um presente. Mas não um tiro pelas costas. Eu me sinto traída por certas surpresas. Quando as coisas fogem do meu controle. Quando a gente namora, as coisas fogem do nosso controle. E isso me dá medo.
Pronta pra próxima? Ainda não. O medo é maior que a vontade de tentar de novo. E não importa com quem. De repente é porque eu ainda não me apaixonei de novo. De repente é porque ainda não é amor. Eu não sei. E por isso, o medo do desconhecido.
Porque um belo dia: prazer, eu sou a Nina.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Quem espera, quando alcança?
A frustração é uma das piores sensações que uma pessoa pode sentir. É a perda de um sonho que se criou, muitas vezes sozinho sem nem perceber. É ver morrer todo um projeto, todo um planejamento grandioso, que muitas vezes não fazia parte da vida de outrém. O ser humano tem a péssima mania de querer que os outros saibam o que ele está pensando, ou de querer alguma coisa tanto quanto ele quer. É incrivelmente difícil entender que os sonhos mudam de pessoa para pessoa, e que nem todo mundo é obrigado a ter os mesmos planos do próximo, mesmo que isso signifique também não fazer nada para atrapalhar. Esperar alguma coisa que pode não vir é frustrante, mas saber que essa possibilidade não é mais remota, mas inexistente, chega a ser triste.
Quando se aposta todas as fichas em algo, a probabilidade de perda é de cinqüenta por centro - sempre. Em jogo, esse número varia pouco, e a não ser que o jogador seja um gênio da matemática, sabe que depende da sorte. Sendo as fichas na vida real, do lado de fora da mesa do carteado, não é bem assim que a banda toca. As probabilidades costumam oscilar consideravelmente, assim como a torcida pela sorte, ou pelo final feliz, aumentam ainda mais. Vêm as esperanças de que tudo vai dar certo, o certo que cada um considera e acredita ser único. Só que não é bem assim. Regras, atitudes e comportamento humanos variam mais do que humor feminino naquela semana X do mês.
Esperar por palavras que não serão ditas, pessoas que não voltarão, seja para sua vida, para o seu lado ou daquele país para onde foi passar as férias. Não esperar é ainda mais complicado, porque no fundo, sempre se espera. E o problema da espera é que, mesmo não explícita, frustra do mesmo jeito. Uma amizade não recuperada, um pedido de desculpas que nunca chega, uma carta que se perdeu no caminho. Um emprego novo que não saiu, a promoção que não foi desta vez. Logo você, que batalhou tanto para isso, no quesito querer. Fazer por onde, talvez não tenha feito, mas você quis muito. Só querer não basta. Às vezes, nem fazer. Fica por conta da sorte, do azar, ou seja lá de quem for a conta.
Depositar todas as fichas que se tem em algo, seja que algo este algo for, é frustante. Ou ao menos pode ser - as chances são grandes. Principalmente quando não depende de um lado só. Se fosse por vontade nenhum time de futebol perdia gol, jogo ou campeonato. Mas não depende da torcida, nem da mera vontade dos jogadores e dirigentes. Assim como querer uma ligação não depende só de um lado da linha. Mesmo que uma parte queira e faça por onde, como é que se explica quando o lado de lá não quer e ponto final? Porque frustar-se dói, e expectativa quebrada também. Falta de esperança deixa vazio, e excesso pelo que é tão escasso traz tristeza. Quem espera alcança, um dia. Que talvez nem exista no calendário daquela relação.
Quando se aposta todas as fichas em algo, a probabilidade de perda é de cinqüenta por centro - sempre. Em jogo, esse número varia pouco, e a não ser que o jogador seja um gênio da matemática, sabe que depende da sorte. Sendo as fichas na vida real, do lado de fora da mesa do carteado, não é bem assim que a banda toca. As probabilidades costumam oscilar consideravelmente, assim como a torcida pela sorte, ou pelo final feliz, aumentam ainda mais. Vêm as esperanças de que tudo vai dar certo, o certo que cada um considera e acredita ser único. Só que não é bem assim. Regras, atitudes e comportamento humanos variam mais do que humor feminino naquela semana X do mês.
Esperar por palavras que não serão ditas, pessoas que não voltarão, seja para sua vida, para o seu lado ou daquele país para onde foi passar as férias. Não esperar é ainda mais complicado, porque no fundo, sempre se espera. E o problema da espera é que, mesmo não explícita, frustra do mesmo jeito. Uma amizade não recuperada, um pedido de desculpas que nunca chega, uma carta que se perdeu no caminho. Um emprego novo que não saiu, a promoção que não foi desta vez. Logo você, que batalhou tanto para isso, no quesito querer. Fazer por onde, talvez não tenha feito, mas você quis muito. Só querer não basta. Às vezes, nem fazer. Fica por conta da sorte, do azar, ou seja lá de quem for a conta.
Depositar todas as fichas que se tem em algo, seja que algo este algo for, é frustante. Ou ao menos pode ser - as chances são grandes. Principalmente quando não depende de um lado só. Se fosse por vontade nenhum time de futebol perdia gol, jogo ou campeonato. Mas não depende da torcida, nem da mera vontade dos jogadores e dirigentes. Assim como querer uma ligação não depende só de um lado da linha. Mesmo que uma parte queira e faça por onde, como é que se explica quando o lado de lá não quer e ponto final? Porque frustar-se dói, e expectativa quebrada também. Falta de esperança deixa vazio, e excesso pelo que é tão escasso traz tristeza. Quem espera alcança, um dia. Que talvez nem exista no calendário daquela relação.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Não sou desse mundo
Às vezes eu acho que não sou desse mundo. Só pode ser. Ou tá todo mundo maluco. O que eu não acho, sinceramente. As coisas, pra mim, andam meio de cabeça pra baixo - em todos os sentidos. Isso já vem acontencendo há algum tempo, mas na última semana me assustei um pouco mais. Perceba se eu estou sozinha:
Vi um ex-casal (casal este que ficou junto o tempo que meus pais ficaram, e mesmo que quatro anos não seja muito, foi o que bastou pra que eu existisse, então para mim está valendo) ficar com outras pessoas, uma na frente do outro, um casal AO LADO do outro. Sério. É só comigo ou isso parece surreal? 'Ah, que isso, normal'. NORMAL? Parece que estão separados há alguns poucos meses. 'Não há mais sentimento?'. Então o que é essa necessidade de fazerem isso? Pra mim, à toa é que não é. E eu ouvi quando um deles disse pra um(a) amigo(a): 'você acha que João/Maria tá ficando puto(a)?'. Ok, pode ser que João/Maria não estivesse. Mas eu não nasci ontem, e quando as pessoas beijam olhando pro outro lado, mais precisamente pro ex-par, ah, meu amor, se isso é 'não ligar', então eu não sei mais o que é se importar, honestamente.
No mesmo dia, vi dois supostos casais na pista de dança. Se esfregando, beijos na nuca, no pescoço, no braço. Achei que estavam juntos, logicamente. Rá rá rá. Quem disse? Cinco músicas depois, uma delas beija um dos rapazes. A outra puxa a amiga e pergunta 'vai ficar com ele?' (como assim, 'vai ficar'? Se beijar não é mais ficar, meu Deus, o que é?). A amiga disse que sim, e a outra 'então vou ficar com esse, né? Aff, tu é foda!'. E beijou o menino. Com a maior cara de nojo. Oi? Se ela estivesse bêbada, ainda assim ia fazer besteira sem desculpa, mas pelo raciocínio, pela raiva da amiga, bêbada onde? Pas-sa-da. Saí da pista e fui pegar outra cerveja. Ou eu estava muito sóbria ou o mundo mudou drasticamente da minha adolescência pra cá. Ou sempre foi assim e eu que nunca vi?
Fiquei chocada. Será que eu ando me chocando com pouco? Pensei que sim, vai que estou muito retrógada? Passei pro lado profissional da coisa. Na mesma semana, dei uma olhada nos textos de uns coleguinhas (jornalista e aspirante se chama assim). Me deu mais revolta do que tristeza, saber que um dia essas aberrações da língua portuguesa não só farão parte da concorrência (o que é bom, quanto a esses eu me garanto) como farão, sei lá, parte da minha equipe. Rezo para que o bom senso do próximo exista e estes sejam limados antes da formatura. Minha mãe me consola quando diz que esse tipo tem e de monte por aí, em qualquer área. Eu sei, eu sei. Mas rezo pra que mude. Ainda tenho um ano. É só comigo ou isso também te dá medo?
Costumam me chamar de maluca, às vezes. É, porque eu costumo falar o que penso, ser sincera e não fazer joguinhos, fingir uma coisa sendo outra. Sempre agi assim, e quanto mais velha, só piora. Venho lutando contra a falta de noção, às vezes eu escolho palavras menos adequadas. Mas sempre sinceras. É só comigo ou a mentira virou 'olá'?! ÓBVIO que todo mundo mente, em tudo na vida. Pra não magoar conta-se mentirinhas aos montes, nunca fui muito Poliana, mas vamos combinar que tem gente que faz da mentira melhor amiga. Quanto a isso eu sou vacinada quase que diariamente (porque não sou Poliana mas sou filha de uma), mas ainda assim, vai dizer que não dá medo, aquela 'coleguinha' elogiar o casaco do outro e depois dizer que era ridículo, e logo depois a mesma 'coleguinha' elogiar o SEU boné?! Dá, sim.
Se me virem vagando pelas ruas olhando para o horizonte procurando meu lugar, não liguem. Dizem que de 7 em 7 anos a gente passa por uma crise existencial. Ou é só TPM.
Vi um ex-casal (casal este que ficou junto o tempo que meus pais ficaram, e mesmo que quatro anos não seja muito, foi o que bastou pra que eu existisse, então para mim está valendo) ficar com outras pessoas, uma na frente do outro, um casal AO LADO do outro. Sério. É só comigo ou isso parece surreal? 'Ah, que isso, normal'. NORMAL? Parece que estão separados há alguns poucos meses. 'Não há mais sentimento?'. Então o que é essa necessidade de fazerem isso? Pra mim, à toa é que não é. E eu ouvi quando um deles disse pra um(a) amigo(a): 'você acha que João/Maria tá ficando puto(a)?'. Ok, pode ser que João/Maria não estivesse. Mas eu não nasci ontem, e quando as pessoas beijam olhando pro outro lado, mais precisamente pro ex-par, ah, meu amor, se isso é 'não ligar', então eu não sei mais o que é se importar, honestamente.
No mesmo dia, vi dois supostos casais na pista de dança. Se esfregando, beijos na nuca, no pescoço, no braço. Achei que estavam juntos, logicamente. Rá rá rá. Quem disse? Cinco músicas depois, uma delas beija um dos rapazes. A outra puxa a amiga e pergunta 'vai ficar com ele?' (como assim, 'vai ficar'? Se beijar não é mais ficar, meu Deus, o que é?). A amiga disse que sim, e a outra 'então vou ficar com esse, né? Aff, tu é foda!'. E beijou o menino. Com a maior cara de nojo. Oi? Se ela estivesse bêbada, ainda assim ia fazer besteira sem desculpa, mas pelo raciocínio, pela raiva da amiga, bêbada onde? Pas-sa-da. Saí da pista e fui pegar outra cerveja. Ou eu estava muito sóbria ou o mundo mudou drasticamente da minha adolescência pra cá. Ou sempre foi assim e eu que nunca vi?
Fiquei chocada. Será que eu ando me chocando com pouco? Pensei que sim, vai que estou muito retrógada? Passei pro lado profissional da coisa. Na mesma semana, dei uma olhada nos textos de uns coleguinhas (jornalista e aspirante se chama assim). Me deu mais revolta do que tristeza, saber que um dia essas aberrações da língua portuguesa não só farão parte da concorrência (o que é bom, quanto a esses eu me garanto) como farão, sei lá, parte da minha equipe. Rezo para que o bom senso do próximo exista e estes sejam limados antes da formatura. Minha mãe me consola quando diz que esse tipo tem e de monte por aí, em qualquer área. Eu sei, eu sei. Mas rezo pra que mude. Ainda tenho um ano. É só comigo ou isso também te dá medo?
Costumam me chamar de maluca, às vezes. É, porque eu costumo falar o que penso, ser sincera e não fazer joguinhos, fingir uma coisa sendo outra. Sempre agi assim, e quanto mais velha, só piora. Venho lutando contra a falta de noção, às vezes eu escolho palavras menos adequadas. Mas sempre sinceras. É só comigo ou a mentira virou 'olá'?! ÓBVIO que todo mundo mente, em tudo na vida. Pra não magoar conta-se mentirinhas aos montes, nunca fui muito Poliana, mas vamos combinar que tem gente que faz da mentira melhor amiga. Quanto a isso eu sou vacinada quase que diariamente (porque não sou Poliana mas sou filha de uma), mas ainda assim, vai dizer que não dá medo, aquela 'coleguinha' elogiar o casaco do outro e depois dizer que era ridículo, e logo depois a mesma 'coleguinha' elogiar o SEU boné?! Dá, sim.
Se me virem vagando pelas ruas olhando para o horizonte procurando meu lugar, não liguem. Dizem que de 7 em 7 anos a gente passa por uma crise existencial. Ou é só TPM.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A ficha
Demorou pra cair minha ficha, eu admito. Meu tempo às vezes é meio lento e se recusa a acompanhar a cronologia, paciência, já me acostumei com isso. Mas a ficha cai. Hoje caiu. A culpa não era mesmo sua, nunca foi. Você só errou quando achou que era minha, mas tudo bem, eu também te culpei por tanto tempo que já o perdoei.
Sabe, quando a gente sente que o amor acaba, pode ser meio apavorante. A gente começa a achar que é melhor ficar amando em vão, sem reciprocidade, com sofrimento. A gente diz que não, que prefere esquecer, mas a verdade é que não amar é mais solitário, e a solidão assusta. E me assustou. Fiquei mantendo um sofrimento que já não existia. Chamei a saudade de dor de amor. O que não deixa de ser, mas a verdade é que a minha ficha caiu.
Acordei hoje e percebi que acabou. Tudo, acabou. O amor, a vontade de voltar, de querer tentar de novo. Acabou a pontinha de esperança que poderia dar certo, fim da paciência pra esperar esse dia chegar. Perdi até o desejo de querer esclarecer o que ficou mal entendido, exigir algumas respostas, essas coisas. Perdi até esta vontade. Deixa pra lá, se tiver que ser assim, que seja.
Caiu a ficha que acabou tudo sim, não tem jeito. Uma hora, já tinham me dito, ia mesmo acabar. Ia ficar o vazio, dava medo mas era preciso encarar. A ficha caiu, e eu também caí na real. O vazio não me incomoda mais. E quando incomodar, vou tratar de aproveitar. Como é que se aproveita 'estar solteiro', perguntou-me ontem uma amiga minha. Pra mim? A falta. De uma companhia constante? É, verdade. Mas também falta dor.
E de dor a gente sempre já tá legal. Né?
Sabe, quando a gente sente que o amor acaba, pode ser meio apavorante. A gente começa a achar que é melhor ficar amando em vão, sem reciprocidade, com sofrimento. A gente diz que não, que prefere esquecer, mas a verdade é que não amar é mais solitário, e a solidão assusta. E me assustou. Fiquei mantendo um sofrimento que já não existia. Chamei a saudade de dor de amor. O que não deixa de ser, mas a verdade é que a minha ficha caiu.
Acordei hoje e percebi que acabou. Tudo, acabou. O amor, a vontade de voltar, de querer tentar de novo. Acabou a pontinha de esperança que poderia dar certo, fim da paciência pra esperar esse dia chegar. Perdi até o desejo de querer esclarecer o que ficou mal entendido, exigir algumas respostas, essas coisas. Perdi até esta vontade. Deixa pra lá, se tiver que ser assim, que seja.
Caiu a ficha que acabou tudo sim, não tem jeito. Uma hora, já tinham me dito, ia mesmo acabar. Ia ficar o vazio, dava medo mas era preciso encarar. A ficha caiu, e eu também caí na real. O vazio não me incomoda mais. E quando incomodar, vou tratar de aproveitar. Como é que se aproveita 'estar solteiro', perguntou-me ontem uma amiga minha. Pra mim? A falta. De uma companhia constante? É, verdade. Mas também falta dor.
E de dor a gente sempre já tá legal. Né?