Todo ano desejo às pessoas que o ano seguinte seja melhor que o anterior. Acho que comecei a fazer isso quando considerei meu ano uma grande bosta. Hoje, parando para avaliar o motivo dessa raiva, encontrei a decepção. Taí algo pelo que ninguém gosta de passar, mas invariavelmente acontece quando a gente ama, gosta, tem respeito, confia, é feliz. E aí, vai deixar tudo isso pela certeza de uma segurança esquisita?
Confesso que, assim que nos decepcionamos, a vontade de explodir de ódio é tão grande que a impressão que dá é que explodimos, só que ninguém viu. A gente sente raiva do responsável pela decepção, mesmo só percebendo bem depois que o grande dono dessa sensação de 'nada' é a gente mesmo. E sentir raiva de nós mesmos é o fim: como fugir da nossa própria companhia? Então a gente se cerca de não-nós mesmos.
Saímos por aí beijando bocas, mantendo relações com tudo que nos ajuda a fugir de nós mesmos. Pessoas vazias (de fato, ou que somente nos soe assim), garrafas cheias, lugares lotados de superficialidades - o mundo está cheio disso. Por um tempo, isso realmente funciona. Não vejo problema em querer fugir certos momentos, mas sempre chega a hora da verdade cansar de bater na porta - e ela arromba.
A gente encara o fato de que esperar demais é uma grande idiotice, mas que todo mundo acaba fazendo, um dia. A gente sabe que perfeição é a maior das mentiras, mas acaba acreditando nela, alguns dias. E a gente tem duas escolhas: ou faz disso uma razão pra desejar um ano melhor na noite do dia 31 de dezembro ou aceita que isso faz parte e faz de cada uma dessas imbecilidades mais um aprendizado. Não pra nunca mais errar, mas pra rir de tudo isso antes, da próxima vez.
Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Comemoração Solitária
Sempre que pensava em formatura, o que me vinha à mente eram duas coisas: a colação de grau e o baile. Em uma, era o momento de agradecer aos pais (ou sejá quem fosse o responsável) pela ajuda principalmente financeira durante a faculdade. Mensalidade (no caso de universidades pagas), materiais, ajuda de custo, literalmente bancar o sonho dos filhos. Na festa, família e amigos escolhidos a dedo para compartilhar essa alegria com o formando.
Quando meus companheiros de jornalismo foram se formando, desistindo ou ficando pra trás, abri mão do baile. Pagar demais para estar somente com as pessoas com quem estou toda semana, todo dia ou algo parecido não fazia sentido. Pensando na colação de grau, comecei a pesar quem eu gostaria que estivesse na platéia, e por que motivos. Cheguei à conclusão que não fiz questão de rosto quase nenhum.
Achava que queria ouvir gritos quando chamassem meu nome, mas depois pensei melhor e vi que não faz sentido grito algum. Claro que em outras áreas, cursos, faculdades ou para outras pessoas as coisas podem ser diferentes, mas na MINHA faculdade, no MEU curso, na MINHA história de vida, sair da faculdade depois de fazer uma monografia é um mérito meu, e somente meu, pessoal e profissional.
Sei que existem pessoas felizes por mim, mas ninguém traz esse mesmo sentimento no peito. Sei que alguns querem comemorar esse fim de etapa, mas nenhum pelos motivos que eu; ninguém sabe exatamente o que eu passei e não tem palavras que traduzam, como explicar o amor ou a emoção de vencer alguma coisa, ou a frustração da perda. Acho que por isso comemoro sozinha, dentro de mim.
Parece triste, mas me abraçar é algo que eu preciso, quando tudo isso acabar. Só eu sei quanto preciso desse alívio.
Quando meus companheiros de jornalismo foram se formando, desistindo ou ficando pra trás, abri mão do baile. Pagar demais para estar somente com as pessoas com quem estou toda semana, todo dia ou algo parecido não fazia sentido. Pensando na colação de grau, comecei a pesar quem eu gostaria que estivesse na platéia, e por que motivos. Cheguei à conclusão que não fiz questão de rosto quase nenhum.
Achava que queria ouvir gritos quando chamassem meu nome, mas depois pensei melhor e vi que não faz sentido grito algum. Claro que em outras áreas, cursos, faculdades ou para outras pessoas as coisas podem ser diferentes, mas na MINHA faculdade, no MEU curso, na MINHA história de vida, sair da faculdade depois de fazer uma monografia é um mérito meu, e somente meu, pessoal e profissional.
Sei que existem pessoas felizes por mim, mas ninguém traz esse mesmo sentimento no peito. Sei que alguns querem comemorar esse fim de etapa, mas nenhum pelos motivos que eu; ninguém sabe exatamente o que eu passei e não tem palavras que traduzam, como explicar o amor ou a emoção de vencer alguma coisa, ou a frustração da perda. Acho que por isso comemoro sozinha, dentro de mim.
Parece triste, mas me abraçar é algo que eu preciso, quando tudo isso acabar. Só eu sei quanto preciso desse alívio.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Torcer
São poucos os torcedores que reconheço como tais. Acho que, por ser uma torcedora assídua e apaixonada, não tenho muito saco pra quem se diz 'torcedor doente' (de qualquer time) só quando o time está bem no campeonato, ou só quando o adversário vai mal. Aos que não costumam me sacanear nas horas ruins, parabenizam nas horas boas e acompanham seus times, meu respeito total, sempre. Quanto ao resto, nem me venha com churumelas.
Tenho 24 anos e não, nunca vi meu time ser campeão. Por que me irrita quem diz 'finalmente, hein', 'agora só depois de 26 anos' etc? Porque 97% desses não é um torcedor como eu, ou nem entende muito de futebol (ou pelo menos não me demonstra), e por isso não sabe o sentimento que fica no peito quando um torcedor DE VERDADE passa pelo momento que eu passei antes de ontem, domingo, dia 5 de dezembro de 2010. Só por isso.
Sempre fui conhecida por duas coisas: o nome diferente e meu time. Morei fora do país e minha camisa tricolor foi comigo. As pessoas não sabiam que eu era do Rio, que tinha só 18 anos, que sei lá, meu sobrenome era Lessa. Mas sabia que eu era Tricolor. Viajo pelo país, e a camisa do Flu vai junto. Acompanho os jogos da maneira que posso: ao vivo, pela TV, trabalhando nos estádios, em estúdio, pelo celular. Eu sou tricolor e todo mundo sabe disso.
Foi através das dezenas de ligações e mensagens que venho recebendo desde domingo que parei de discutir pelas provocações alheias. No fundo, as pessoas sabem que eu sou torcedora como poucos de maneira geral, e como raríssimas mulheres que se jogam de cabeça quando o assunto é futebol. Adoro o esporte, trabalho com ele, mas domingo descobri que, antes de tudo, eu sou uma torcedora. E chorei, fiquei nervosa durante semanas, não dormi.
Claro que alguns (poucos) flamenguistas, palmeirenses, corintianos, vascaínos e sei lá, até botafoguenses sabem como é esse sentimento de realização, como se quem tivesse em campo fôssemos nós. Mas só quem é tricolor sabe o que é amar um argentino como se brasileiro fosse, sabe o que é pegar trem ou enfrentar o caos da distância pra sentir ao vivo o que ficou faltando na Libertadores de 2008. Só quem é TRICOLOR, que me desculpem os outros times.
Mas hoje, e até pelo menos o ano que vem, essa alegria do coração ninguém me tira.
Tenho 24 anos e não, nunca vi meu time ser campeão. Por que me irrita quem diz 'finalmente, hein', 'agora só depois de 26 anos' etc? Porque 97% desses não é um torcedor como eu, ou nem entende muito de futebol (ou pelo menos não me demonstra), e por isso não sabe o sentimento que fica no peito quando um torcedor DE VERDADE passa pelo momento que eu passei antes de ontem, domingo, dia 5 de dezembro de 2010. Só por isso.
Sempre fui conhecida por duas coisas: o nome diferente e meu time. Morei fora do país e minha camisa tricolor foi comigo. As pessoas não sabiam que eu era do Rio, que tinha só 18 anos, que sei lá, meu sobrenome era Lessa. Mas sabia que eu era Tricolor. Viajo pelo país, e a camisa do Flu vai junto. Acompanho os jogos da maneira que posso: ao vivo, pela TV, trabalhando nos estádios, em estúdio, pelo celular. Eu sou tricolor e todo mundo sabe disso.
Foi através das dezenas de ligações e mensagens que venho recebendo desde domingo que parei de discutir pelas provocações alheias. No fundo, as pessoas sabem que eu sou torcedora como poucos de maneira geral, e como raríssimas mulheres que se jogam de cabeça quando o assunto é futebol. Adoro o esporte, trabalho com ele, mas domingo descobri que, antes de tudo, eu sou uma torcedora. E chorei, fiquei nervosa durante semanas, não dormi.
Claro que alguns (poucos) flamenguistas, palmeirenses, corintianos, vascaínos e sei lá, até botafoguenses sabem como é esse sentimento de realização, como se quem tivesse em campo fôssemos nós. Mas só quem é tricolor sabe o que é amar um argentino como se brasileiro fosse, sabe o que é pegar trem ou enfrentar o caos da distância pra sentir ao vivo o que ficou faltando na Libertadores de 2008. Só quem é TRICOLOR, que me desculpem os outros times.
Mas hoje, e até pelo menos o ano que vem, essa alegria do coração ninguém me tira.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Meio você, meio eu
Noite de conversa com as amigas sempre rende assunto bom. O papo dessa sexta foi tão bacana que, seguindo o conselho de uma das meninas, resolvi escrever sobre mais uma das minhas teorias: é raro você ter um relacionamento sem que um dos dois se transforme, mesmo que de leve, no outro. Pode reparar: quem é você quando namora?
Por menos (ou até mais) parecidas que sejam as pessoas, não tem jeito, elas acabam pegando para si algumas manias ou até o jeito do namorado escolhido. Gírias, forma de pensar, diversas coisas vão se adaptando sem que a gente nem perceba (ou note, anos depois, vendo fotos e vídeos). Quando isso não acontece, o relacionamento tende a virar uma guerra, ou termina.
A grande verdade é que a gente sabe a importância de abrir mão de algumas coisas de vez em quando, pois sem isso não tem namoro que aguente, mas a maior verdade está em não precisar fazê-lo tanto assim. Quando você e seu namorado pensam parecido e gostam das mesmas coisas, é um luxo. Só que luxo é para poucos...
E sem luxo, as pessoas têm preguiça de buscar o meio termo e vão pro lixo, sem se dar conta disso: mudam a personalidade sem terem a vaga noção disso. Mudam estilo, pensamento, princípios, hábitos. Viram vegetarianas sem lembrar que gostam de carne; passam a comer carne escondendo, sem perceber, uma ânsia por bife.
Não sei quanto aos masoquistas, mas viver em paz numa relação quase sem brigas é sonho de consumo da maioria. Paciência na medida certa, princípios bem discutidos, direitos iguais. Na teoria é tudo uma beleza, e se alguém tivesse a fórmula do sucesso, escritores de Harry Potter e da saga Crepúsculo não estariam como os de maior sucesso nem a pau.
Ninguém sabe a medida certa, o quanto deve e o quanto se proíbe de mudar num relacionamento. Muitas (ou quase todas?) vezes a gente só nota quando a relação já acabou, mas tentar fazer isso enquanto se está nela pode fazer duas economias: avaliar se não mudou sua essência (e se isso te faz feliz ou não) ou sair dessa antes de perder mais tempo.
Claro que é normal as pessoas ficarem parecidas com a conviência, até mesmo para evitar brigas e conflitos desnecessários, mas a pergunta que fica é 'até quando?', e eu aposto que, um dia, isso cansa. Meses, anos, um dia a tristeza, a raiva ou o cansaço chega com tudo, e é tarde demais pra desfazer tanta besteira acumulada, tanta poeira varrida pra baixo do tapete.
Hoje, ainda pode dar em tempo. Será que você gosta mesmo de ouvir essa música...?
Por menos (ou até mais) parecidas que sejam as pessoas, não tem jeito, elas acabam pegando para si algumas manias ou até o jeito do namorado escolhido. Gírias, forma de pensar, diversas coisas vão se adaptando sem que a gente nem perceba (ou note, anos depois, vendo fotos e vídeos). Quando isso não acontece, o relacionamento tende a virar uma guerra, ou termina.
A grande verdade é que a gente sabe a importância de abrir mão de algumas coisas de vez em quando, pois sem isso não tem namoro que aguente, mas a maior verdade está em não precisar fazê-lo tanto assim. Quando você e seu namorado pensam parecido e gostam das mesmas coisas, é um luxo. Só que luxo é para poucos...
E sem luxo, as pessoas têm preguiça de buscar o meio termo e vão pro lixo, sem se dar conta disso: mudam a personalidade sem terem a vaga noção disso. Mudam estilo, pensamento, princípios, hábitos. Viram vegetarianas sem lembrar que gostam de carne; passam a comer carne escondendo, sem perceber, uma ânsia por bife.
Não sei quanto aos masoquistas, mas viver em paz numa relação quase sem brigas é sonho de consumo da maioria. Paciência na medida certa, princípios bem discutidos, direitos iguais. Na teoria é tudo uma beleza, e se alguém tivesse a fórmula do sucesso, escritores de Harry Potter e da saga Crepúsculo não estariam como os de maior sucesso nem a pau.
Ninguém sabe a medida certa, o quanto deve e o quanto se proíbe de mudar num relacionamento. Muitas (ou quase todas?) vezes a gente só nota quando a relação já acabou, mas tentar fazer isso enquanto se está nela pode fazer duas economias: avaliar se não mudou sua essência (e se isso te faz feliz ou não) ou sair dessa antes de perder mais tempo.
Claro que é normal as pessoas ficarem parecidas com a conviência, até mesmo para evitar brigas e conflitos desnecessários, mas a pergunta que fica é 'até quando?', e eu aposto que, um dia, isso cansa. Meses, anos, um dia a tristeza, a raiva ou o cansaço chega com tudo, e é tarde demais pra desfazer tanta besteira acumulada, tanta poeira varrida pra baixo do tapete.
Hoje, ainda pode dar em tempo. Será que você gosta mesmo de ouvir essa música...?
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Sabia
Será que você já sabia?
Será que previa
Esse final sem aviso prévio?
A gente já tinha caído no óbvio,
No tédio?
Sério?
Porque eu nem percebi
Nem vi
Qualquer sinal
Afinal,
Você realmente se arrependeu,
Sei lá, por um dia?
Você ainda acha que fui o amor da sua vida,
Ou que ainda sou?
Acredita que poderíamos voltar?
No tempo,
No sentimento,
No amor que se perdeu pelo caminho
Onde eu virei uma estranha
No seu ninho
Será que funcionaria?
Será que eu ainda acreditaria
Naquelas coisas que deixamos de viver?
Não sei se ainda conheço você
Ou suas coisas,
É que esqueci cheiros
Toques, até da sua voz
Comecei esse processo
Logo que deixamos de ser 'nós'
E que coisa,
Funcionou mesmo
Não lembro mais do seu beijo
Abraço, nem da segurança que sentia
Se era isso que você queria
E hoje nem saudade tem
É isso aí, você conseguiu
Todo o meu desamor
Meus parabéns.
Será que previa
Esse final sem aviso prévio?
A gente já tinha caído no óbvio,
No tédio?
Sério?
Porque eu nem percebi
Nem vi
Qualquer sinal
Afinal,
Você realmente se arrependeu,
Sei lá, por um dia?
Você ainda acha que fui o amor da sua vida,
Ou que ainda sou?
Acredita que poderíamos voltar?
No tempo,
No sentimento,
No amor que se perdeu pelo caminho
Onde eu virei uma estranha
No seu ninho
Será que funcionaria?
Será que eu ainda acreditaria
Naquelas coisas que deixamos de viver?
Não sei se ainda conheço você
Ou suas coisas,
É que esqueci cheiros
Toques, até da sua voz
Comecei esse processo
Logo que deixamos de ser 'nós'
E que coisa,
Funcionou mesmo
Não lembro mais do seu beijo
Abraço, nem da segurança que sentia
Se era isso que você queria
E hoje nem saudade tem
É isso aí, você conseguiu
Todo o meu desamor
Meus parabéns.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Revendo os sonhos
Um dia eu escrevi aqui que não tinha sonhos. Acho que me expressei mal, ou tentei dizer que não tenho aqueles grandes sonhos que as pessoas costumam colocar como objetivos maiores de suas vidas. Como mulheres que não conseguem não pensar em casar e ter filhos, profissionais que sonham almejar esse ou aquele carro, uma casa de praia ou de montanha, enfim, um sonho bem específico, que sem ele nada mais teria sentido. Esse tipo de sonho eu acho (ou achava) que não tenho.
Vejo muitas pessoas que sonham mil coisas quando novas e, conforme vão ficando mais velhas, vivendo a 'vida real', acabam desistindo de praticamente todos eles, contentando-se com as escolhas que foram surgindo no caminho que poderia dar no pote de ouro no final do arco-íris. A galera tem tido preguiça de esperar encontrar o duende e acaba ficando com as moedas douradinhas ou de prata que chegam antes. A galera, e confesso que me encaixo nessa.
Quantas pessoas que sonhavam viver de música você conhece que desistiu, seja lá por que motivo? Jogadores de futebol frustrados, atrizes, modelos, engenheiros, médicos, jornalistas perdidos em profissões talvez até semelhantes, mas longe das brincadeiras do play? Porque casou antes, teve filho muito novo, precisou ganhar dinheiro, levou uma rasteira da vida (ou de alguém, tanto faz), os caminhos foram levando pra outras direções.
Concordo com cada um desses aí em cima, mas também preciso admitir que nenhum deles é um empecilho eterno, ou pragmático. Acidentes que deixam sequelas geralmente podem ser revertidos, então não me venha com essa de que uma criança, não. Sou eu mesma discutindo com a pedra que joguei em cima dos meus sonhos de ser escritora, sou eu mesma voltando a malhar pra desenvolver o muque. Porque sou eu mesma quem vou tirar a pedra. Tá na hora.
Do que estou falando? Clique no link e descubra: http://www.maceiobrasil.com.br/2007/nina.php
Vejo muitas pessoas que sonham mil coisas quando novas e, conforme vão ficando mais velhas, vivendo a 'vida real', acabam desistindo de praticamente todos eles, contentando-se com as escolhas que foram surgindo no caminho que poderia dar no pote de ouro no final do arco-íris. A galera tem tido preguiça de esperar encontrar o duende e acaba ficando com as moedas douradinhas ou de prata que chegam antes. A galera, e confesso que me encaixo nessa.
Quantas pessoas que sonhavam viver de música você conhece que desistiu, seja lá por que motivo? Jogadores de futebol frustrados, atrizes, modelos, engenheiros, médicos, jornalistas perdidos em profissões talvez até semelhantes, mas longe das brincadeiras do play? Porque casou antes, teve filho muito novo, precisou ganhar dinheiro, levou uma rasteira da vida (ou de alguém, tanto faz), os caminhos foram levando pra outras direções.
Concordo com cada um desses aí em cima, mas também preciso admitir que nenhum deles é um empecilho eterno, ou pragmático. Acidentes que deixam sequelas geralmente podem ser revertidos, então não me venha com essa de que uma criança, não. Sou eu mesma discutindo com a pedra que joguei em cima dos meus sonhos de ser escritora, sou eu mesma voltando a malhar pra desenvolver o muque. Porque sou eu mesma quem vou tirar a pedra. Tá na hora.
Do que estou falando? Clique no link e descubra: http://www.maceiobrasil.com.br/2007/nina.php
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Nunca mais
Lembro de (quase) todas as centenas de milhares de vezes que minha mãe riu de mim e dos meus exageros teatrais quando, depois de terminar uma relação de amor-paixão-planos, a primeira da minha vida, eu achei que jamais amaria alguém de novo. Passei por todas as fases, algumas que nem todos passam, mas que, hoje, consigo ver como foram importantes cada uma delas, e como sem elas eu não estaria nessa calma, mesmo depois de tanto tempo.
Tem gente que se adapta fácil ao final de uma relação. Consigo enxergar, hoje, que quanto mais finais, menos complicado pode ser ter de passar por isso. PODE, não necessariamente É. Falo de namoros reais, relacionamentos com rotina, compromisso, tempo de sentimento e de relógio (quem sabe um dia não escrevo das relações que só existem na nossa cabeça?). Ninguém esquece o outro rápido, só tem gente que se adapta melhor.
Eu, não. O mundo não me pára, ninguém é capaz disso. Trabalho, estudo, amigos, família. Pode ser que poucos, ou ninguém perceba que, por dentro, estou morrendo. Mas estou. Há quem ria quando descrevo sofrimentos avassaladores, ao mesmo tempo que finjo uma voz feliz quando o programa entra no ar. Ri porque não crê; ri porque acredita na dor, mas sabe que passa. Qualquer riso, vale: ou você finge bem, ou há luz no fim do túnel.
O vazio que fica quando alguém se vai deixa dúvida do que é saudade e do que é 'passou'. A diferença entre amor e preenchimento é tênue, e a gente sempre demora pra descobrir que não é saudade daquele alguém, mas de alguém, que só toma o rosto do último por razões óbvias: memória de coração é curta. Só que a nossa, nem tanto. O desapego, por mais difícil e cruel que possa parecer, foi uma das coisas que mais gostei de aprender na vida.
Tem gente que se adapta fácil ao final de uma relação. Consigo enxergar, hoje, que quanto mais finais, menos complicado pode ser ter de passar por isso. PODE, não necessariamente É. Falo de namoros reais, relacionamentos com rotina, compromisso, tempo de sentimento e de relógio (quem sabe um dia não escrevo das relações que só existem na nossa cabeça?). Ninguém esquece o outro rápido, só tem gente que se adapta melhor.
Eu, não. O mundo não me pára, ninguém é capaz disso. Trabalho, estudo, amigos, família. Pode ser que poucos, ou ninguém perceba que, por dentro, estou morrendo. Mas estou. Há quem ria quando descrevo sofrimentos avassaladores, ao mesmo tempo que finjo uma voz feliz quando o programa entra no ar. Ri porque não crê; ri porque acredita na dor, mas sabe que passa. Qualquer riso, vale: ou você finge bem, ou há luz no fim do túnel.
O vazio que fica quando alguém se vai deixa dúvida do que é saudade e do que é 'passou'. A diferença entre amor e preenchimento é tênue, e a gente sempre demora pra descobrir que não é saudade daquele alguém, mas de alguém, que só toma o rosto do último por razões óbvias: memória de coração é curta. Só que a nossa, nem tanto. O desapego, por mais difícil e cruel que possa parecer, foi uma das coisas que mais gostei de aprender na vida.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Poesia
Era mesmo?
Era mesmo amor,
Aquela paixão toda?
Aquela coisa louca
Que nem você sabia bem explicar?
Era mesmo dor,
Quando martelava por dentro
Todas as lágrimas
Que não paravam de chorar?
Era mesmo o fim,
Quando você não ligava
Quando fingia maturidade
Dizendo que ia passar?
Era mesmo tranquilidade
Ouvir que havia vontade,
Mesmo que não suficiente
Ele quase pedir pra voltar?
Era mesmo saudade
O que se dizia sentir?
Era mesmo aquele tipo de vida
Que querias pra ti?
Era mesmo saudade,
Talvez de tempos bons
Mas não mais seus?
Era mesmo falta grande
De momentos passados
Dos antigos retratos
Que você escondeu?
Era mesmo verdade
Que você mentiu saudade?
Era mentira
Cada ligação atendida, ou perdida?
Era você naquele tempo,
Tudo bem eu ter confiado,
Ou você é esse aí,
Esquisito, meio falso,
E eu que perdoe
Aquela 'eu' que posava do seu lado?
Era mesmo amor,
Aquela paixão toda?
Aquela coisa louca
Que nem você sabia bem explicar?
Era mesmo dor,
Quando martelava por dentro
Todas as lágrimas
Que não paravam de chorar?
Era mesmo o fim,
Quando você não ligava
Quando fingia maturidade
Dizendo que ia passar?
Era mesmo tranquilidade
Ouvir que havia vontade,
Mesmo que não suficiente
Ele quase pedir pra voltar?
Era mesmo saudade
O que se dizia sentir?
Era mesmo aquele tipo de vida
Que querias pra ti?
Era mesmo saudade,
Talvez de tempos bons
Mas não mais seus?
Era mesmo falta grande
De momentos passados
Dos antigos retratos
Que você escondeu?
Era mesmo verdade
Que você mentiu saudade?
Era mentira
Cada ligação atendida, ou perdida?
Era você naquele tempo,
Tudo bem eu ter confiado,
Ou você é esse aí,
Esquisito, meio falso,
E eu que perdoe
Aquela 'eu' que posava do seu lado?
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Certo ou errado
Essa semana as pessoas andam me chamando de louca, mas eu insisto que meu pensamento faz sentido: não existe certo e errado. NEM na lei. Como? Pensemos: o que é considerado certo ou errado varia de estado, país, continente, é só conferir na lei. No Brasil, a pessoa é considerada inocente até que se prove o contrário, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, o cidadão é culpado até que mostrem o oposto. E aí?
Quem erra, mulheres que usam jeans, saia curta ou sociedades que proíbem isso, afinal são de uma cultura diferente das capitais capitalistas? Eu poderia escrever linhas e mais linhas mencionando os códigos penais, mas acho que vocês entenderam onde quero chegar. Mesmo nas 'leis divinas' que coincidem, dizendo o que é ou não é pecado, também podem variar.
Para mim, certo ou errado vai depender de quem está na berlinda. Você não acha que ficar com um cara que namora é algo errado porque quem namora é ele, e não você? Tudo bem. Quando você estiver namorando e uma mulher ficar com seu namorado, você pensará a mesma coisa? Se pensar, direito seu, faça assim na sua relação. Penso que nada que demanda mentira ou omissão pode ser certo.
A traição, talvez mais do que na ação ou pensamento, está em esconder. Se você esconde algo de uma pessoa é porque, no fundo, sabe que há algo de errado naquela atitude, pensamento ou omissão (sim, caros, você não tomar atitude é uma forma de mostrar o que pensa). E se você mesmo acha que é errado e mesmo assim o fará, admita. O problema não está na atitude, mas no reconhecimento.
E reconhecer que o caminho está errado dá trabalho, principalmente porque demanda mudança, mas olha, vale a tentativa.
Tentar ser mais feliz nunca fez mal a ninguém.
Quem erra, mulheres que usam jeans, saia curta ou sociedades que proíbem isso, afinal são de uma cultura diferente das capitais capitalistas? Eu poderia escrever linhas e mais linhas mencionando os códigos penais, mas acho que vocês entenderam onde quero chegar. Mesmo nas 'leis divinas' que coincidem, dizendo o que é ou não é pecado, também podem variar.
Para mim, certo ou errado vai depender de quem está na berlinda. Você não acha que ficar com um cara que namora é algo errado porque quem namora é ele, e não você? Tudo bem. Quando você estiver namorando e uma mulher ficar com seu namorado, você pensará a mesma coisa? Se pensar, direito seu, faça assim na sua relação. Penso que nada que demanda mentira ou omissão pode ser certo.
A traição, talvez mais do que na ação ou pensamento, está em esconder. Se você esconde algo de uma pessoa é porque, no fundo, sabe que há algo de errado naquela atitude, pensamento ou omissão (sim, caros, você não tomar atitude é uma forma de mostrar o que pensa). E se você mesmo acha que é errado e mesmo assim o fará, admita. O problema não está na atitude, mas no reconhecimento.
E reconhecer que o caminho está errado dá trabalho, principalmente porque demanda mudança, mas olha, vale a tentativa.
Tentar ser mais feliz nunca fez mal a ninguém.