Aqui escrevo meus devaneios. Pensamentos e histórias, auto-biográficas ou não. De real? Só o sentimento: eu realmente coloco a minha alma em cada palavra. Só que nem todas elas realmente aconteceram. Comigo, nessa vida ou nessa ordem. Fingimos dor, os escritores ou aspirantes. Não quer dizer que sintamos - nem quer dizer que não.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Coração Vazio
Foi o que eu disse quando uma das estagiárias daqui da rádio pediu essa quantia, caso os outros estagiários, também daqui, ganhassem na Mega Sena que jogaram hoje.
- Ia pra Salvador e passava o carnaval lá. Meu sonho.
Começamos a dar uma viajada bonita, falar um bocado de besteira (numa rádio que é feita basicamente por estagiários, isso é normal), dar risada. Foi quando eu me dei conta de que realmente mil reais resolveriam meus problemas. Eu não tenho problemas que não sei resolver ou que já resolvi sozinha. Só problemas de dinheiro, e como não tô devendo nem deixando de fazer o que eu quero (com exceção de Salvador, é claro), cheguei à conclusão que não tenho problemas. Se é que coração finalmente vazio e pronto pra ser preenchido seja algum grande
problema, é claro.
- Nina, meu coração está vazio. Eu penso em alguém, não vem ninguém. Sabe aquela coisa "quando fecho os olhos é você que eu vejo"? Eu não tenho ninguém pra ver.
É. Dá agonia não ter ninguém em quem pensar. Porque pensar no último carinha da lista, vamos combinar que não engana. Você pára pra pensar em alguém e cadê? Não tem.
- É, triste, amiga.
É. Talvez seja. Mas pra quem acabou de conseguir não ter ninguém pra pensar, coração vazio é quase uma dádiva. Porque mais triste do que não ter em quem pensar é não ter ninguém, e pensar mesmo assim. É ter que viver de lembranças, de momentos que já passaram e que não voltam, não se repetem, não existem mais. É mais triste do que projetar, fazer planos para algo que possa ou não vir a acontecer. Quando a certeza de que os bons e velhos tempos do passado não voltam mais bate, é triste. É bem mais triste do que um coração vazio. Ao menos um coração momentaneamente vazio.
- Cara, a gente sofreu por muito tempo, deixou de se permitir por muito tempo. A gente merece um coração vazio, amiga. Pelo tempo que esses corações passaram amando um passado que já estava no lixo.
Ela concordou, pediu uma sandália emprestada pra minha mãe e fomos sambar na Lapa. Porque coração vazio pode ser triste, parar pra lembrar de alguém com carinho é sim, uma coisa linda, deixa uma sensação de saudade gostosa. Mas nos momentos em que estamos curando um machucado, depois de tanto tempo remendando com band-aid e tendo curativos puxados com força, sentindo quase que real uma dor de dedo na ferida, é preciso que saibamos: vazio às vezes é ainda melhor que amor. Sensação de amor direcionado pra pessoa certa, dessa vez: a gente mesmo.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O desconhecido
É, eu tenho medo de sofrer. E pode ser que eu nem sofra. Eu tenho medo de me envolver de novo e acabar com o coração partido, e sofrer mais uma vez. Eu tenho medo de não confiar, de não ser conseguir ser confiável, de novo. De cometer os mesmos erros que eu cometi, porque sei que esses erros fazem parte de mim, sempre fizeram, e eu não sei se consegui mudar. Eu só saberia se passasse por isso de novo, se desse uma chance; pra alguém, pro amor, mas principalmente, pra mim. Se EU me desse uma chance. 'Vai lá, Nina. Tenta de novo, tenta ser melhor.' Não que eu não tenha sido, mas virei gato escaldado. A gente sempre se lapida, ainda mais nos tropeços.
Só que eu morro de medo. Porque essa chance vem com coisas muito boas, todas aquelas que, às vezes, me saudam. Eu sinto saudade de amar, de ter alguém, claro que eu sinto. De namorar, de ser namorada. É muito bom. Mas do ciúme, ah, eu morro de medo. Das cobranças, da falta da liberdade que eu sempre tive e soube aproveitar como poucos. Da independência que se perde e
nem percebe em que parte do caminho. Medo da mágoa, da mentira muitas vezes pensando no bem da relação. Medo da verdade, pelo bem de um futuro longe da hipocrisia. Medo. Porque... Eu não sei. Não sei o que me espera. Mesmo conhecendo alguém, no final, a gente acaba se surpreendendo. Bom, eu me surpreendi.
A gente sabe que comparar é péssimo, mas compara. A gente sabe que nunca é igual, mas quem me garante? Talvez eu me surpreenda, mas de maneira boa. Mas talvez não. Porque eu confiei e olha só. Porque eu me entreguei e me magoei. Porque eu achei que não ia acabar e o fim veio tão... Tão... Que eu me surpreendi. E não gostei. Eu nunca gostei de surpresas. Festas, talvez. Um presente. Mas não um tiro pelas costas. Eu me sinto traída por certas surpresas. Quando as coisas fogem do meu controle. Quando a gente namora, as coisas fogem do nosso controle. E isso me dá medo.
Pronta pra próxima? Ainda não. O medo é maior que a vontade de tentar de novo. E não importa com quem. De repente é porque eu ainda não me apaixonei de novo. De repente é porque ainda não é amor. Eu não sei. E por isso, o medo do desconhecido.
Porque um belo dia: prazer, eu sou a Nina.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A dificuldade do fim
Sair de uma empresa é difícil. Mesmo que seja você quem esteja pedindo demissão, mesmo que você detestasse aquele lugar, vai fazer o que com o costume de ir todos os dias pra lá?
Sair do colégio, seja pra ir pra outro, seja pra não ir nunca mais porque se formou. Nem menciono meu caso, do meu tempo de escola eu sinto saudade todos os dias, mas mudança não deixa de ser um fim, e a dificuldade existe. Para ser superada, sim, mas existe.
Dar um fim a uma amizade. Mesmo que esse amigo seja um porre, mentiroso, que tenha te traído. Você faz um bem a você mesmo tirando esse "amigo" da sua vida. Mas o cara era gente boa, vocês tiveram bons momentos juntos. É um fim difícil, por mais coerente que seja.
Acabar a faculdade. Eu mesma conto os dias pra isso. Ao mesmo tempo que não quero que acabe. O pessoal reunido contando piadas que só quem faz aquele curso entende, o jogo de cartas nos intervalos (ou durante as aulas, faz parte), o tempo em que estágio parece um martírio mas vai arrumar um emprego pra você ver só.
O fim dá medo.
Quando pensei em relação a dois, a verdade tomou um tamanho que eu pensei 'preciso compartilhar', e vim. Aceitar o fim de um relacionamento é extremamente complicado. Quando é a gente que termina, vai dizer que, mesmo que de caso pensado, você não perdeu a conta das vezes que cogitou se estava fazendo o certo? Aposto que repensou mil vezes a mesma coisa, pesou prós e contras e, mesmo com coerência e certeza, quase escorregou quando foi ter aquela conversa. Mesmo dizendo que era preocupação com o sofrimento que o fim poderia causar ao outro, no fundo a gente sabe que sentia um medo também. De se arrepender e depois não poder voltar atrás, da reação do/a namorado/a.
Quando terminam com você, ah, o medo. Já começa na conversa, na maldita conversa. Você sente que algo está acontecendo. E sente medo. É o medo do fim que está vindo, que você vê e sente que está chegando. Medo da dor que vai sentir, do sofrimento que você não sabe até quando vai te corroer por dentro. Você tem medo que esse sofrimento te corroa por fora. Medo do que fazer sem a pessoa amada, medo dos dias vazios que virão, da saudade que vai martelar. Nossa senhora, você morre de medo do que vai ser de você a partir daquele fim. Fim que você previa, talvez, mas e daí? Continua sendo um fim, continua doendo, e por isso e tanto mais, te dá um medo danado.
O medo do fim pode durar pouco, pode ser superado, pode inclusive ser pequeno. Não importa. O medo EXISTE. Em todo mundo. Não importa a idade - quem não tem medo de morrer? De sofrer nessa morte, de ter mesmo vida eterna e ter que ver o sofrimento dos que ficaram. O fim da vida traz medo, mesmo que seja o medo de ficar pra semente. Tem gente com medo de envelhecer, é o medo do fim da juventude. Chegar ao fim dá medo, mas é preciso do fim para que haja novos começos, e principalmente, recomeços. Seja nessa vida ou em outras, nesse texto ou no seu novo emprego. Dá medo acabar com esse namoro que você sente que não vai a lugar algum, quando você quer ir.
Lembra do medo de escuro, que você aprendeu a ligar o abajur? Foi quando você descobriu que o medo não passa, mas a gente enfrenta. Você tateou e achou o interruptor. Bateu o dedinho no pé da cama, fez um roxo na perna, mas achou. Quando for terminar algo, é a mesma coisa. Vai dizer umas besteiras, se arrepender de outras, chorar por algumas. Mas vai superar, e achar a sua tomada. É só uma questão de tempo - e de coragem.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Sofrimento
Confesso que eu sempre começo meus períodos de sofrimento fingindo que sofro mas que passa rápido. Antes, isso funcionava. Ou porque eu era mais nova ou porque não era realmente sofrimento. Até que um dia eu cresci e senti dor de gente grande. Foi quando percebi que, bom... A cronologia é nossa pior inimiga. A infeliz faz os números da data no canto direito do seu Desktop mudarem voando, mas cadê que dentro de você as coisas funcionam assim? Dentro de você as coisas simplesmente não funcionam como você queria.
Tem gente que reluta. NÃO QUERO E NÃO VOU SOFRER. Preciso também confessar que, às vezes, isso pode ajudar. Mas só às vezes. E só ajuda. Funcionar que é bom, necas. Todas as vezes então, nossa senhora - nem pensar. Oscilei. Cambaleei muito, nos últimos tempos. Dizem que foi pra aprender. Eu sei que foi, mas é essencial que se admita os erros. Admito, e com isso fui me forçando a mudar. Pára, que assim não funciona. Chega de mentir, de fingir. Pros outros e principalmente, pra gente mesmo. Não funciona e não faz bem. Vamos conviver com a dor, sem deixar que ela se apegue demais.
No meio do caminho a gente pensa que virou amigo da desgraçada, que não larga mais. Larga, sim. É a nossa mania que não saber até quando que atrapalha. Mas uma hora a gente se acha nesse meio de sofrimento, lembranças, tentativas quase sempre frustradas de fugir e pronto: o tempo passou. E não foi só: passou, e levou todo aquele sofrimento junto. É verdade que ele acabou deixando o vazio, que invariavelmente se confunde com saudade e a gente não sabe mais se são só lembranças ou se é vontade de voltar no tempo. No meu caso, são lembranças. Com as vontades eu aprendi a lidar, e agora elas sabem que só se manifestam se eu deixar. Hoje, eu não deixo mais.
Minha única vontade é de ser feliz, e de não permitir que me impeçam disso. Só se é infeliz quando deixam de se cuidar. De mim, cuido eu. Lembre-se que quando você deixou que outra pessoa o fizesse, ela resolveu que não queria mais. É nossa responsabilidade nos fazermos felizes. Faça-se feliz, sempre. Se alguém te ajudar nisso, ótimo. Senão, melhor ainda. A gente sempre se conhece melhor sozinho. Talvez pra saber melhor o que dizer pra quem escolhermos dividir nossa vida, um dia. “Olha, eu sou assim.” Ou simplesmente pra ter o que escrever no perfil do Orkut.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
E quando eu tento e a vida me prega peças?
Foi o que minha irmã disse quando viu que certas pessoas não somem de nossas vidas, mesmo que o tempo passe, que sentimentos e qualquer ligação entre elas também. Acabou, cara, qual é a dificuldade de entender? Tá, entendeu, mas pra que contato? Que amizade é essa que nunca existiu antes, e mesmo durante nunca foi grande ou importante o suficiente para resistir a tudo?! Sim, eu posso estar exagerando. Mas é que tem gente que só sabe se curar cortando o mal pela raiz. Eu sou uma dessas pessoas.
Não consigo ficar amiguinha de pessoas que me traíram de alguma forma. Recentemente duas pessoas queridas o fizeram, cada uma à sua maneira. Cortei. A não ser que me peçam desculpas, que me façam entender que vale a pena voltar, se expliquem, sei lá, eu corto. Não quero manter por perto coisas ou pessoas que não me fazem ou não me fizeram bem de alguma forma. Infelizmente, isso pode se dever a terceiros. Claro que isso não existe quando o vínculo sai dessa ligação, mas no meu caso, não saiu.
E quando eu tento me afastar e andar pra frente, mas a vida me prega dessas peças, ou simplesmente as pessoas não entendem que eu quero ficar longe, que tudo isso é por opção e não coincidência? A gente tenta ser sutil, procura os melhores jeitos, mas nem sempre eles funcionam. Tem solução? Deve ter, sempre tem. Só que eu ainda não achei. Está lá, me olhando, aquela ligação não atendida, aquele número que eu quero mas não devo armazenar no celular. Aquela mensagem que eu quero apagar, aquela autorização que eu quero negar mas tenho receio. Está lá aquela janela de MSN me chamando.
Está tudo lá. Esperando. E nem sei por que, se eu já não espero mais.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Quem espera, quando alcança?
Quando se aposta todas as fichas em algo, a probabilidade de perda é de cinqüenta por centro - sempre. Em jogo, esse número varia pouco, e a não ser que o jogador seja um gênio da matemática, sabe que depende da sorte. Sendo as fichas na vida real, do lado de fora da mesa do carteado, não é bem assim que a banda toca. As probabilidades costumam oscilar consideravelmente, assim como a torcida pela sorte, ou pelo final feliz, aumentam ainda mais. Vêm as esperanças de que tudo vai dar certo, o certo que cada um considera e acredita ser único. Só que não é bem assim. Regras, atitudes e comportamento humanos variam mais do que humor feminino naquela semana X do mês.
Esperar por palavras que não serão ditas, pessoas que não voltarão, seja para sua vida, para o seu lado ou daquele país para onde foi passar as férias. Não esperar é ainda mais complicado, porque no fundo, sempre se espera. E o problema da espera é que, mesmo não explícita, frustra do mesmo jeito. Uma amizade não recuperada, um pedido de desculpas que nunca chega, uma carta que se perdeu no caminho. Um emprego novo que não saiu, a promoção que não foi desta vez. Logo você, que batalhou tanto para isso, no quesito querer. Fazer por onde, talvez não tenha feito, mas você quis muito. Só querer não basta. Às vezes, nem fazer. Fica por conta da sorte, do azar, ou seja lá de quem for a conta.
Depositar todas as fichas que se tem em algo, seja que algo este algo for, é frustante. Ou ao menos pode ser - as chances são grandes. Principalmente quando não depende de um lado só. Se fosse por vontade nenhum time de futebol perdia gol, jogo ou campeonato. Mas não depende da torcida, nem da mera vontade dos jogadores e dirigentes. Assim como querer uma ligação não depende só de um lado da linha. Mesmo que uma parte queira e faça por onde, como é que se explica quando o lado de lá não quer e ponto final? Porque frustar-se dói, e expectativa quebrada também. Falta de esperança deixa vazio, e excesso pelo que é tão escasso traz tristeza. Quem espera alcança, um dia. Que talvez nem exista no calendário daquela relação.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Destino e blá blá blá
(...) É curioso observar, Nina, como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação ou ressentimento. Remoemos aquilo, até que de repente - bum! - a coisa passa. Em geral, são nos ciclos positivos de Marte com a Lua que a pessoa simplesmente "espana a poeira" e se livra de emoções chatas que não lhe servem mais. E este momento, para você, é agora! (...)
Coincidência, destino ou babaquice da minha cabeça, esta semana andei pensando muito em como tenho me deixado ficar no passado. Como bem disse 'o site', remoendo até passar. Já passou, e eu permaneço nessa. Só que eu cansei. Fui deixando os ressentimentos em mim pra ter sobre o que escrever aqui no blog. Por mais que eu não sinta mais tanto assim, na hora em que escrevo, uns restinhos me vêm. Hoje, não quero mais que venham. Mas nem é por isso que comecei a escrever.
Nesse mesmo site, aprendi hoje que posso calcular minhas chances de dar certo com este ou aquele carinha. Bom, no mínimo eu posso ver como ele é e como devo agir. Você digita dados da pessoa, manda os seus e o sistema calcula. Li sobre mim e caiu IGUAL. Meu signo e meu ascendente SEMPRE foram a minha cara, mesmo eu não querendo admitir algumas coisas. Resolvi digitar os dados do 'carinha'. Na verdade foram três.
O primeiro deles, de quem eu mais sabia informação pra preencher, deu tudo errado. Os outros dois, CERTINHO. Sério, fiquei chocada. E olha que eu sou meio incrédula com algumas coisas. Fiquei surpresa, blá blá blá, mas o caso é que fiquei também intrigada. Com o primeiro e mais óbvio deles, de quem eu mais tinha informação e portanto deveria ser o mais próximo, estava mesmo errado.
Comecei a pensar se eu realmente o conhecia. Ou se ele me deixou conhecê-lo. Eu sempre tive receio de pessoas que mudam da água pro vinho quando namoram e quando ficam solteiras. Será que ele mudou por conta da relação? Acho que eu nunca vou saber. Acho que eu nunca vou conhecer de verdade quem era aquela pessoa com quem eu um dia pensei em dividir o resto da minha vida.
É esquisito, não sei pra vocês, que já namoraram tantas vezes, por tanto tempo. Sou leiga no assunto, nunca neguei. É que eu simplesmente não consigo entender como ignorar amores-da-vida, como deixar pra lá da noite pro dia, se ainda há amor. Não consigo, vai além das minhas capacidades. Mas superar, não. Isso eu aprendi com o tempo, que como li hoje no blog de um amigo, sara. O tempo me sarou. Tô curada de você.
Só um parêntese: EU SEI que é idiota acreditar nessas coisas, ainda mais por site, mas quem liga? Comigo deu certo, eu gostei e isso que importa. Querem conferir? Acessem http://www.personare.com.br se cadastrem e depois me contem como foi. Ok?
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Poesia
É, eu sabia
Que te perdia
Acho que te via
Escorregando das minhas mãos
E as palavras
Também escorregadas
Iam-me saindo
Sendo cuspidas
Eu te cuspia da minha vida
Com consciência
Apesar de medo
De te ver indo embora sem olhar pra trás
De te ver indo embora
Sabendo que não voltava mais
Você já tinha me avisado
E eu via
Todo o sofrimento
Que eu mesma me causava
E eu via
Todo o futuro melhor
Que eu mesma plantava
Te mandando embora
Mesmo que sem conciência
Eu queria tanto te ter pra sempre
Eu sabia tanto que não teria
Porque não dava
Porque no fundo, no fundo
A gente não combinava
E eu sabia
Mas não falava
E você falava
Mas não sabia
Que era tão sério assim
Que causaria um adeus
Que seria por isso o nosso fim
E aí foi
Foi aí que você se foi
E eu fiquei
Ou eu que fui e você ficou
Minhas impressões variam a cada dia
Minhas certezas oscilam a cada poesia
Só sei que fomos pra longe
Um do outro
Talvez ambos ainda nos saudamos
Talvez essa saudade doa
Talvez não
Uma música que faça lembrar
Uma ligação
É tanta coisa que eu tenho
De quando eu te tinha
É tanta mágoa que ficou
Tanta hipocrisia
Que por mais palavras
Por mais rimas
O que eu realmente queria
Nem é mais te ter
Eu queria só saber
Que te olhando, assim, normal
Meu coração não dispararia
Como a bateria do Salgueiro no carnaval.
Nina Lessa
24/11/2008 às 16:39
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Não volte
A verdade é que eu morro de medo de você voltar. Pra minha vida, que digo. Eu sei exatamente onde posso te ver, e é por isso que evito. É, eu evito. De uma maneira perfeitamente bem administrada, pra que ninguém perceba. Acho que funciona, ou pelo menos ninguém nunca me disse que sabe desse meu medo. Aliás, desse meu pavor de te encontrar por aí. As últimas vezes em que pensei em você, recebi uns sinais de vida. Umas ligações aleatórias, que mesmo não sendo suas eu sei que a procedência ao menos é. E-mails estranhos, e lá vem uma foto sua. É o universo conspirando a favor do maldito 'o tempo só parece que passa'.
É impressionante como o tempo passa sim, como a gente muda e o mundo vem mudando com a gente. Forma-se em faculdade, sai dessa empresa, vai pra outra, malha, pára de malhar, corta cabelo, emagrece-engorda, muda os óculos e tira o aparelho do dente. Não tenho te visto nem tido notícias suas por opção, é verdade. Aviso logo: não quero nem saber. Se está bem, se está mal, solteiro, casado ou prestes a ser pai. NÃO ME AVISA. Têm me respeitado, os poucos porém bons amigos que já levaram tanto fora ao me perguntarem de você.
O caso é que vi sua foto sem querer, uma foto que eu já até tinha visto. O coração bateu mais forte. Não porque eu ainda te ame, e nem porque deixei de amar. Eu não sei. Deve ter alguma coisa, senão esse texto nem estava sendo escrito. Mas também tem muita coisa que existia mas não mais, senão eu não acabava esse texto e ia correndo me arrumar pra continuar com a vida que venho levando sem você. Eu aprendi a viver sem você. Não vou dizer que é melhor nem pior, e que é diferente não sai do clichê. Digamos que você me fez aprender muita coisa quando estivemos juntos, mas eu aprendi muito mais quando você resolveu que eu não era mais o amor da sua vida.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Não sou desse mundo
Vi um ex-casal (casal este que ficou junto o tempo que meus pais ficaram, e mesmo que quatro anos não seja muito, foi o que bastou pra que eu existisse, então para mim está valendo) ficar com outras pessoas, uma na frente do outro, um casal AO LADO do outro. Sério. É só comigo ou isso parece surreal? 'Ah, que isso, normal'. NORMAL? Parece que estão separados há alguns poucos meses. 'Não há mais sentimento?'. Então o que é essa necessidade de fazerem isso? Pra mim, à toa é que não é. E eu ouvi quando um deles disse pra um(a) amigo(a): 'você acha que João/Maria tá ficando puto(a)?'. Ok, pode ser que João/Maria não estivesse. Mas eu não nasci ontem, e quando as pessoas beijam olhando pro outro lado, mais precisamente pro ex-par, ah, meu amor, se isso é 'não ligar', então eu não sei mais o que é se importar, honestamente.
No mesmo dia, vi dois supostos casais na pista de dança. Se esfregando, beijos na nuca, no pescoço, no braço. Achei que estavam juntos, logicamente. Rá rá rá. Quem disse? Cinco músicas depois, uma delas beija um dos rapazes. A outra puxa a amiga e pergunta 'vai ficar com ele?' (como assim, 'vai ficar'? Se beijar não é mais ficar, meu Deus, o que é?). A amiga disse que sim, e a outra 'então vou ficar com esse, né? Aff, tu é foda!'. E beijou o menino. Com a maior cara de nojo. Oi? Se ela estivesse bêbada, ainda assim ia fazer besteira sem desculpa, mas pelo raciocínio, pela raiva da amiga, bêbada onde? Pas-sa-da. Saí da pista e fui pegar outra cerveja. Ou eu estava muito sóbria ou o mundo mudou drasticamente da minha adolescência pra cá. Ou sempre foi assim e eu que nunca vi?
Fiquei chocada. Será que eu ando me chocando com pouco? Pensei que sim, vai que estou muito retrógada? Passei pro lado profissional da coisa. Na mesma semana, dei uma olhada nos textos de uns coleguinhas (jornalista e aspirante se chama assim). Me deu mais revolta do que tristeza, saber que um dia essas aberrações da língua portuguesa não só farão parte da concorrência (o que é bom, quanto a esses eu me garanto) como farão, sei lá, parte da minha equipe. Rezo para que o bom senso do próximo exista e estes sejam limados antes da formatura. Minha mãe me consola quando diz que esse tipo tem e de monte por aí, em qualquer área. Eu sei, eu sei. Mas rezo pra que mude. Ainda tenho um ano. É só comigo ou isso também te dá medo?
Costumam me chamar de maluca, às vezes. É, porque eu costumo falar o que penso, ser sincera e não fazer joguinhos, fingir uma coisa sendo outra. Sempre agi assim, e quanto mais velha, só piora. Venho lutando contra a falta de noção, às vezes eu escolho palavras menos adequadas. Mas sempre sinceras. É só comigo ou a mentira virou 'olá'?! ÓBVIO que todo mundo mente, em tudo na vida. Pra não magoar conta-se mentirinhas aos montes, nunca fui muito Poliana, mas vamos combinar que tem gente que faz da mentira melhor amiga. Quanto a isso eu sou vacinada quase que diariamente (porque não sou Poliana mas sou filha de uma), mas ainda assim, vai dizer que não dá medo, aquela 'coleguinha' elogiar o casaco do outro e depois dizer que era ridículo, e logo depois a mesma 'coleguinha' elogiar o SEU boné?! Dá, sim.
Se me virem vagando pelas ruas olhando para o horizonte procurando meu lugar, não liguem. Dizem que de 7 em 7 anos a gente passa por uma crise existencial. Ou é só TPM.