quarta-feira, 8 de julho de 2009

Categórico

Ele foi categórico: eu não quero mais você na minha vida. Ela ficou olhando com aquela cara de 'ah, amanhã ele me liga arrependido e eu vou perdoar, afinal amor é pra essas coisas', mas no dia seguinte ele não ligou. E nem no outro. Ela foi deixando passar e quando viu já estava vivendo uma vida de solteira que não queria. 'Será que era pra eu ligar pedindo desculpa no dia seguinte?' é o que ela se perguntava todos os dias, por mais que estivesse pagando o carnaval em Salvador e um feriado no iate dos solteiros, não importa. Ela amava o cara, pelo amor de Deus.


Um belo dia ele ligou e ela teve certeza de que ainda se amavam. Se viram, ficaram juntos, mas se amaram? Ela já não tinha mais certeza. Ela olhava aqueles olhos já completamente irreconhecíveis e começou a duvidar do amor que achava sentir. Ela não procurava, mas também não impedia que a achasse. E foi deixando o destino fazer as dele, e foi levando uma semi-vida bem vidinha da qual ela tinha pavor de ter um dia e olha só, estava tendo. Pelo bem do futuro, ela estava nessa pensando que era pra amadurecer.


Ele foi categórico: eu estou feliz sem você. Ela resolveu levar ao pé da letra. Se era por orgulho ou a mais pura verdade, nem um orgulhoso mentiroso nem um indiferente ela pretendia ter na vida. Fincou o pé e sofreu sozinha. Morreu por dentro, mas foi por dentro e ninguém estava lá pra aplaudir o espetáculo. Amadureceu, mas foi ciente de que fez muita coisa errada e que talvez não tivesse aprendido tudo com aqueles equívocos. Mas é que ele foi categórico e ela sabia que esperar pela ligação de amanhã era muito ridículo. E não esperou mais.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Como lidar com o durante?

Em tempos em que namoro é quase a reta final de um relacionamento, chega a soar ridículo dizer que é difícil superar o fim de uma 'ficação'. Terminar um rolo é normal, começa-se e termina-se relações do tipo com uma frequência quase que semanal, dependendo das partes. As pessoas ainda não sabem muito bem como reagir a esse tipo de situação, a verdade é essa. Como é que eu apresento meu ficante pro pessoal? Por mais que se evite circular com o carinha, mais cedo ou mais tarde esbarrar com alguém é inevitável. Ninguém sabe ainda muito bem como se dar bem nisso, e a regra é que não tem regra e cada caso é literalmente um caso, ou um rolo, pra soar menos chulo. Mas que é tenso um final de relação, por menos relação que ela tenha sido, todo mundo sabe.

Ficantes, rolos e até namorados, conselhos pra lidar com esse final, dicas de não ligar, não fuxicar o Orkut, evitar certos lugares, tudo isso é dito pela mãe, pela madrinha, manicure, amigas, porteiro. Todo mundo ensina, cada um à sua maneira, como lidar com esse período tenso que pode ser um final de relacionamento. Como sair pela tangente em certas situações, até conselhos como 'demore tanto tempo até aparecer com outro em locais em que ele ou os amigos podem estar' aparecem, e alguns deles até bem válidos. Nesses casos, as regras são claras: vai circular em outras áreas até a carne esfriar. Quando é que essa carne esfria é que ninguém nos conta, mas isso é sorte.

Tá, passou o período pós-momentos-estranhos, as coisas bem ou mal estão voltando ao normal e, bom, as vidas não podem parar. E aí? O que é que você faz com esse tempo que corre até encontrar alguém que preencha aquele vazio inevitável que o último namorado, ficante, rolo ou coisa que o valha deixou? 'Arruma outro!' Ah, óbvio. E arruma-se, um rolinho é uma das coisas mais fáceis de se encontrar por aí, se você não for muito exigente. Mas você consegue ficar pensando nele quando vai dormir? Lembra dela quando entra na Imaginarium? Sorte a sua se sim, hein? Geralmente demora um certo tempo, ou alguns ficantes, até que isso aconteça. É por isso que a dica perdura: evite se envolver.

'Ah, mas eu me envolvi. Paciência, agora é tarde.' É, amiguinho, a situação complica pro seu lado no quesito 'durante': o que fazer com o tempo que existe equanto a garota invisível dos seus sonhos não vem? Isso ninguém te ensina, né? E nem ache que esse texto vai - eu mesma já me virei em 200 pra descobrir de que jeito é melhor pra driblar a saudade e deixar o tempo passar, ou alguém bacana chegar, o que viesse primeiro. Confesso que nunca descobri, e provavelmente nem vou, mas com o passar do tempo a gente vai acumulando experiencias e dicas que costumam (veja bem, só costumam) dar certo. Leia livros, mas esconda TODOS de romance, e faça o mesmo com os filmes. É só por uns tempos. Intensifique nos hobbies, desde que o mesmo não passe perto do passado recente. Viaje, fuja, se possível e se preciso for. Mas principalmente? Não se desespere. Regras não existem, mas uma certeza sim: vai passar. Sempre passa. Se não passar, pode vir reclamar no PROCON aqui.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

When it's over, is it really over? (Quando acaba, acaba mesmo?)

Sempre achei essa frase extremamente óbvia e ao mesmo tempo reflexiva. Talvez amanhã eu escreva sobre ela em outros campos, mas hoje eu vou falar sobre a grande perda que o mundo da música e da cultura teve ontem. Fico triste pelos comentários desnecessários e as piadinhas maldosas feitas durante o dia de hoje - ontem foram poucos, a ficha ainda não tinha caído. Acho uma lástima que as pessoas critiquem a pessoa Michael Jackson quando temos um mito do lado profissional que marcou gerações inteiras e certamente mudou o que hoje chamamos de música.

Dane-se o que ele fez ou deixou de fazer com sua vida pessoal, quem somos nós pra tacar pedra quando elegemos verdadeiros lixos pra cargos governantes do nosso país, criaturas que roubaram no passado e que sabemos disso? O cara cantava muito, dançava de um jeito único e ninguém pode negar seus talentos. Sobre os problemas pessoais dele, que fiquem entre ele e quem foi diretamente afetado por eles. Você e seus coleguinhas de baia garanto que não foram.

Michael deixou esse mundinho hipócrita tendo feito muito mais coisas boas à humanidade do que picuinhas, muitas das quais a grande massa mal sabe do que se trata. Ele se foi, mas deixou sua marca: sua música, seu moonwalk, sua arte. Deixou os fãs com saudades e os admiradores do que é boa música verdadeiramente tristes por mais um artista de verdade indo embora.

Deixemos o cara com a nossa sincera dor de perda por um artista que eu, assim como muitos, adoraria ter visto ao vivo. Meus filhos ouvirão Michael. Tenho medo só do que restará pra eles verem ao vivo...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os nossos sonhos, pra onde vão?

Um dia, numa entrevista de emprego, me perguntaram como e onde eu me via dali a cinco anos. Parei. Cara, onde é que eu queria chegar? Menor idéia. A começar pela própria entrevista: eu ia recepcionar empresários. Deus me livre, como foi que eu fui parar ali? Respondi qualquer baboseira, achei que jamais passaria mas passei. Ainda bem que eu já estava em outro emprego e pude recusar este sem maiores remossos. O outro emprego era a mesma coisa, então nenhum mérito. O mérito mesmo foi a minha coragem de chutar o balde, pedir demissão do meu primeiro emprego de carteira assinada e ir atrás dos meus sonhos. Isso foi há 2 anos e alguns quebrados.

Metade do tempo que a moça perguntou como eu me via já passou e eu nem de longe me imaginei onde estou hoje. Nem sei se isso pode ser considerado algo bom ou ruim, honestamente. O fato é que isso me faz lembrar dos sonhos pelos quais eu abri mão do emprego em que eu ganhava bem e tinha certo futuro, mas que não estava no que eu sonhava fazer aos 8 anos de idade. Soa meio infundado você querer, aos 21 anos, realizar sonhos de menina que brinca de escolinha (apesar de não querer ser professora)?! Hoje eu começo a cogitar que não, de repente. Eu sempre quis ser escritora. Tem quem me dê a maior das forças terrenas. Tem quem me queira ver autografando playboy (playboy = minha concepção de 'que merda, eu só tenho bunda'). Mas o que eu quero, onde eu quero me ver?

Essa semana recebi elogios de textos meus que diferem do que venho fazendo desde que abri os olhos na maternidade e vi o mundo de dizendo 'bem-vinda, cabeção' (eu nasci cabeçudérrima). Achei curioso, mas vindos de profissionais da área, fiquei interessada. Comecei a relembrar dos meus sonhos mais primórdios, do meu primeiro diário rosa com aquele cadeado que não protege nem de um bebê, lembrei da primeira poesia e do primeiro prêmio com uma delas, um ano depois. Lembrei dos blogs, do meu livro, e cara, eu quero ser escritora, ainda. Tenho dois empregos e não escrevo (coisa minha, que digo, com a minha língua) em nenhum deles. Diz minha mãe que eu tô aprendendo, e não discordo. Mas agora eu prometo é pra mim mesma: eu vou ser escritora. E esse texto vai abrir meu primeiro livro.


terça-feira, 16 de junho de 2009

Concepções

Escrevo poesias, prosas ou qualquer coisa do gênero desde sempre, desde que me lembro do meu primeiro caderninho, diário ou coisa que o valha. Aos sete anos eu já devia estar no segundo ou terceiro, ou seja, tem tempo. Na época, eu já me metia a falar de amor. Claro que ainda platônico, mas minha veemência de quem já tinha amado e e sofrido tantas vezes convencia a meia dúzia que me lia (ou sempre me enganaram).

Os anos teimaram em passar e eu finalmente me apaixonei por beijos, abraços, toques de mãos: o amor virou real. Foi quando minha concepção de amor ficou meio abalada e eu descobri o que a gente sempre descobre primeiro - a paixão. Apaixonei-me algumas muitas vezes, com durabilidade míni. Veracidade? Sempre. Mas nunca se sabia até quando.

A paixão começou a durar mais e foi aí que tomei meu primeiro pé-na-bunda. Travei: vai que eu deixo a minha paixão durar de novo e caio do cavalo? Vamos deixar como está. Mais algumas paixões, deixei durar mas que não passasse disso. Vieram os sofrimentos, as calejadas da vida e as desilusões. Afinal, que palhaçada esse negócio de amar! Se eu soubesse que era assim, sei não...

O tempo nem passou tanto, mas experiências adquiridas são a razão do amadurecimento. Foi nesse meio tempo que eu comecei a pensar melhor: eu tinha certeza absoluta de que minha concepção sobre o que era o amor mudaria quando eu finalmente amasse pela primeira vez. Pois é, eu ainda não tinha amado. Não como eu sentia que amaria um dia, como eu lia nos livros.

E esse dia chegou. Olha, confesso que era quase igual aos contos de fadas, se os príncipes fossem ciumentos e as princesas meio mau humoradas. Mas que mané realeza tem insegurança ou Tpm! Vi que amar é lindo e fazer planos pro 'felizes para sempre' é maravilhoso. O tombo veio junto com o final nada feliz e eu sabia que um dia ia amar de novo, só que aí...

Eu descubro que conto de fadas a gente nunca vai ter, ou pelo menos não aquela coisa de casal perfeito pela concepção da mídia. Existe perfeição? Eu acredito que sim. Uma pessoa que te aceita como você é e quer somente que você seja um ser humano melhor, só pode ser perfeita. Que preenche o que lhe falta e que falta o que lhe tem de sobra. Isso é perfeição.

E essa perfeição é o que, hoje, eu chamo de amor. Essa é a minha concepção do que é o sentimento de amor. Paixão é coisa de momento, então é preciso apaixonar-se todos os dias, senão não faz sentido dentro de uma durabilidade, de uma relação de verdade. Amor vai além, é mais do que pequenas, do que grandes coisas: amar é perfeito - nem que seja a perfeição na sua concepção.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mudanças

Um dia, não sei quem, nem quando, nem em que circunstâncias, me disseram que ninguém nunca mudaria por mim. Confesso que naquela época não levei como informação válida. 'Pra que que eu vou querer que alguém mude por mim? Pra jogar na minha cara depois?'. Eu devia ter uns 15 anos, ou menos, sei lá. Sábia que eu era, e não sabia...

O tempo passou e eu comecei a pensar que talvez não fosse assim tãaao louco eu querer uma madançazinha no comportamento das pessoas. De mudar os amigos eu cansei nos primeiros anos das primeiras amizades, e não ligo que até hoje ajam brigas - a gente é amigo pra tentar entender mesmo. Mas em namoro, a coisa é mais embaixo...

Mudança obrigatória é a mesma coisa que a cadeia no nosso país: a criatura fica na merda por meses, anos, sofre o diabo, e quando sai, teoricamente tendo aprendido a lição, ele fica pior do que entrou. Por quê? Porque não mostraram a ele que era errado o que ele fez, e que por isso deveria mudar. Enfiaram ele lá, forçaram uma mudança ilusória. É lógico que não funciona. Pra mim, mudança de comportamento ou de atitudes por causa de um namoro é a mesma coisa.

Você mudar porque acha de verdade ser justo, é uma coisa. Mudar só pra agradar e forçar uma barra pelo outro é insano. Uma hora, a máscara cai. Seja por descobertas através de terceiros, seja numa briga em que as coisas fogem do controle, seja depois que a relação acaba.

Eu me assusto quando vejo máscaras 'intactas' (tem cego que não quer ver) por anos. Pego-me pensando no trabalho que deve dar ter que fingir ser alguém o tempo todo, por muito tempo. Mas a máscara cai. E o outro lado fica se perguntando o monstro que deve ter sido a relação inteira, pro parceiro ter fingido tanto assim - ou o monstro que seu parceiro foi por todo esse tempo e só você que não viu...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Menor vontade

Sabe aqueles dias em que você não está com a menor vontade de absolutamente nada?

'Tem que fazer esse trabalho.' - Não, obrigada.

'Pilhas de roupa pra lavar, corre lá.' - Nunca.

'8hs de trabalho pela frente.' - Nan.

Hoje é um desses dias. Levantar da cama já começa como o primeiro suplício do dia infernal que promete.

'Ó, se vira pra fazer isso, isso e mais isso.'

Sua real vontade é dizer sincera e calmamente que 'hoje eu não tô com a menor vontade de fazer isso, e não vou fazer', mas não diz. Quase sopra, mas não diz. Fala que não vai ter tempo, o que não deixa de ser verdade, e arruma um estresse. Você precisa ter tempo pra tudo. Mas, na falta de vontade até pra discutir, você acaba o banho e começa a se estressar do lado de fora.

Porque azar pra mau humorado é pouco, você sai de casa preparadíssimo prum frio paulistano e bom... O dia tá bem carioca. Mal venta, e você de mochila enorme, casaco e sem blusa de manga por baixo, fora a bota de camurça que você nunca usa, logo hoje. Ótimo. Só porque hoje a falta de tempo não vai te permitir voltar em casa pra trocar de roupa.

Mal chega e já tem uma pilha de coisa pra fazer. Ai, mas logo hoje, não tem como. Você abre a página do seu blog e sai escrevendo. Qualquer coisa, porque aquela pessoa que você definitivamente não queria ver a fuça hoje, pelo menos hoje, não pára de olhar pra você. E se você encarar e dizer 'que que é?', ainda passa por grosseiro. Concentre-se no blog que é melhor.

E tá só começando. Meio dia ainda está longe e sua vontade de fazer alguma coisa nem sonha em dar as caras. Tem coisa pior que fazer qualquer meleca por obrigação? Se ainda fosse por dinheiro... Mas nem ganhar bem você anda ganhando, que merda de vida. Hahahaha Menos, Nina. Menos.

Argh. Menor vontade de passar com o dia de hoje. Queria era ficar sentada e não fazer absolutamente nada, só assistir. Ou dormir e colocar o sono em dia. É, eu tenho vontades. Só não pra qualquer coisa que eu preciso realmente fazer.

É pecado?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mais Forte

Você sabe que não é pra ultrapassar o sinal, que tem uma blitz disfarçada há anos na próxima esquina e a probabilidade do guarda te ver e te multar é enorme, mas você ultrapassa mesmo assim. Vai que ele não vê, é coisa rápida, num piscar de olhos e você já foi.

Você sabia que ia fazer a maior mancada da sua vida se resolvesse entrar de cabeça naquele projeto louco. Como assim, largar certezas, deixar pra trás tanta coisa por algo incerto? Você sabia, mas a esperança de uma liberdade que não veio era mais forte do que você, e você foi.

Você sabe muito bem que vai fazer besteira se discar aquele número e a voz tão conhecida atender. Você sabe, que mesmo interrompendo uma reunião, mesmo se a voz não atender ou estiver ocupada, você sabe que é só ligar que o problema está feito. Você sabe disso. Mas quando vê, já ligou.

Você parecia que via o futuro depois do fim. Sabia que passaria noites em claro, que demoraria tempos e mais tempos até amar de novo, se é que esse dia ia chegar, afinal. Mas pensava num futuro ainda mais pra frente e não queria aquilo. Não pra você. Bateu a porta e nem olhou pra trás - foi mais forte do que você.

Você sabia que tinha que parar. As traições, as mentiras, nada daquilo te fazia bem, quanto mais pro seu companheiro, coitado. Mas o medo de ficar sozinha era maior que qualquer respeito que você podia nutrir por ele ou pela história que tinham feito juntos. Mentir de novo foi mais forte do que você.

Voltar atrás é coisa para fracos, coisa que você nunca foi. Largar mão do orgulho não dá. Você perdeu muita coisa com isso, você perde ainda e certamente vai perder o que poderiam ter sido as melhores coisas da sua vida, mas engolir orgulho? Jamais - é mais forte do que você. Ele não passa pela sua garganta.

Eu, você e todo mundo sabe que certas coisas não devem ser feitas. São por causa das leis, pela ética, pela moral, pelo amor-próprio, pela economia de sofrimento que uma lista de coisas não devem a qualquer custo serem feitas. Mas você faz. É mais forte do que você.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

O tempo não para

Você percebe que o tempo não para, e que você está indo junto com ele, quando a quantidade de café que você anda tomando por dia está igual ou maior do que a quantidade de copos d'água.

Você percebe o tempo vindo com força quando, pela primeira vez na vida, você realmente sente falta de praticar alguma atividade física, mas o tempo que sobra você quer gastar dormindo as oito horas que não consegue dormir há meses, ou anos, já não lembra mais.

Você vê o tempo passar voando quando começa a ter sobrinhos sem seus irmãos terem filhos - ou pior, quando seus irmãos começam a ter filhos e você não está nem perto de casar. Isso porque você nem sabe mais se pensa em casar, um dia...

Você é atropelado pelo tempo quando começa a ter que usar corretivo na tentativa (às vezes frustradas) de tapar as olheiras, e não mais pra sair com as amigas. Aliás, você nem lembra mais a última vez que saiu com todas, ou com a maioria delas.

Você assiste o tempo passando e nem tenta fazer parar, quando está todo mundo namorando sério e se formando na faculdade, ou solteiro e trabalhando demais pra ter tempo de uma conversa fiada enquanto passa o jogo de qualquer time, já nem importa mais se não é o seu.

Você se assusta porque o tempo não para quando alguém quer marcar uma pizza e você fica pensando se vai ter tempo - só que geralmente não tem. E você tenta ver o que pode desmarcar pra encaixar um dos seus melhores amigos na sua semana lotada.

Você sente na pele que o tempo voa quando as pessoas começam a perguntar se você é mãe (ou pai) nas datas comemorativas. A gente sabe que é pra ganhar uma rosa, ou uma caneta, coisa de gente educada, mas quem pensa nisso quando acham que você deu a luz a um ser?!

Você lamenta o tempo passando quando começa a ter dor de dente, problema na pele e torcicolo e não é mais o médico da sua mãe pra quem você vai ligar - cadê o caderninho do plano de saúde?

Você ouve falar que o tempo passa, mas era engraçado quando você ia crescendo e as coisas iam ficando mais legais. Mas uma hora o tempo passa e você só vai com ele pra envelhecer. E isso é tãaao diferente de ficar mais velho...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Você não sente falta?

Vai dizer que você não pára pra pensar na falta que faz aqueles tempos? Ah, como eram bons, e você achava que sabia, mas hoje percebe que subestimava algumas coisas. Hoje você sente como fazem falta aquelas dúvidas quanto a perguntas, que hoje você não só sabe as respostas como assiste a experiência dos outros e ri sozinho, lembrando da sua vez. Vai dizer que não sente falta da inocência, do coração machucadinho mas nossa, beeeem menos machucado do que hoje, do que você. Às vezes você chega a pensar que nem feridas eram, mas arranhões. Pouco sangrava. Hoje você até fisioterapia cardíaca fez depois do tanto que já passou.

Vai dizer que você não sente falta de não ter nada pra sentir saudade? Estava tudo ali, ao alcance dos seus dedos, dos seus olhos, estava ali na sua lista do Orkut. Você sabia que sentiria falta daqueles dias, mas não tinha idéia que era tanto assim, que seria tão cedo nem que saudade não tinha cura. A gente até mata, quando revê aquelas pessoas, visita aqueles lugares, ouve aquelas músicas que decorou. Mas e o tempo, que não volta mais? Aquelas pessoas mudaram, cresceram, e já não são mais as mesmas. Os lugares ficaram mais modernos, claro - o tempo não pára. Só as músicas, mas tinham todo um sentido mais legal que nostalgia.

Não mente, você sente falta daquelas conversas, dos planos pro amanhã que nunca chegou. Você tinha tantos sonhos, vôou tão alto que esqueceu daquela velha história de quanto maior o vôo, maior é a queda. Esqueceu da história, mas sentiu ela na pele. Deu de cara. De cara no chão, de cara com a parede, seu burro teimoso. Todo mundo sempre me avisou pra não viajar demais. Faça planos, mas tenha sempre um plano B. Eu nunca tive um plano B. Meu plano era um só, e você tinha que estar nele. Mas você não estava e o que resta, o que é que fica? A gente fica no caminho de quem vai e nos deixa pra trás.

Ah, mas a gente supera. Sente falta, no começo sente uma falta imensa todos os dias. Dos sorrisos, das viagens físicas ou não. Mas supera. Porque muitas pessoas nos deixaram pelo caminho de suas vidas, mas quantos de nós já parou pra pensar em quantas pessoas NÓS deixamos pelo caminho das NOSSAS vidas? Quantas pessoas não lêem este mesmo texto enquanto você pensa em São José dos Campos, nos tempos de escola, de faculdade, daquele relacionamento, e ele pensa em você?! Nunca se sabe, ué. Você não sente falta? Ele também.